Capítulo 15: pobre Julian.

2098 Palavras
Narrado por Julian. - Julian! Nathan e eu ambos nos viramos para ver Tyler parado ao lado de uma parede alguns passos de distância, com uma tala no seu braço, sorrindo vitoriosamente. Como sempre, ele não tinha recebido nenhuma punição por conta da sua parte na briga, nem dos seus pais quanto menos do diretor da nossa escola. - O que você quer? - perguntei sem paciência. Ele tinha sido liberado horas depois de ter chegado no hospital, tendo recebido nada mais letal que feridas ao seu ego orgulhoso, mas essa era a primeira vez que eu estava vendo ele depois da briga. Estranhamente, ele não parecia chateado de eu não ter ido ao hospital e enquanto ele lutava para fazer o seu caminho entre a multidão de alunos, eu notei que dois dos seus colegas do time estavam lhe seguindo, uma sensação estranha rodopiava em volta do meu abdômen me alertando que algo estava por vir. Eles ficaram ao nosso lado, fazendo com que o corredor ficasse cheio e impedindo de passar outros alunos que tentavam chegar às suas aulas. - Quero falar com você, Julian. - disse ele antes de fazer sinal para que eu entrasse na sala vazia à direita. Eu olhei ao redor e vi as pessoas se amontoando ao nosso redor e considerando o fato de se tratar de Tyler, ele falaria algo que eu não queria que mais pessoas ouvissem. Bufei antes de seguir caminho até a sala. - Sou todo ouvidos, priminho. - eu disse em um tom debochado, sorrindo fracamente, ele riu como resposta. Nathan fez sinal para mim, mas eu deixei claro que estava tudo bem, os seus amiguinhos do time ficaram na porta como dois cães de guarda. O que me fez pensar o quão adolescentes são patéticos. - Achei que eu pudesse confiar em você, Julian. Até porque somos sangue do mesmo sangue, não é? - ele deu início ao seu discurso dramático sobre ligação familiar, o que eu nunca realmente senti existir, porém, ele estava forçando de qualquer forma. Franzi as minhas sobrancelhas para suas palavras. - Tyler, eu não te devo nada - eu suspirei, cruzando os braços. Se ele queria ouvir, então eu iria falar. - E não fale sobre família quando você dá mais importância a uma loucura de colegial do que ao seu próprio sangue. Tyler apertou a mandíbula antes de continuar. - Eu ouvi dizer que você encontrou aquele perdedor da Montéquio antes do jogo. Por quê? - ele balançou a sua cabeça, como se não acreditasse nas próprias palavras. - Pensei que você e Liam estavam bem. Pensei que você tivesse percebido a loucura de querer algo com o mesmo cara que fez isso. - ele ergueu o seu braço, com dificuldade, dramaticamente. - Mas, pelo visto, eu me enganei. - Por favor, Tyler - suspirei, impaciente. - Sabe o que é pior, Julian? - ele fez uma pausa, passando o dedo indicador pela prateleira ao seu lado. - Eu confiava em você, mas agora... não sei se eu posso continuar fazendo isso. - ele voltou o seu olhar para mim, com um sorriso cínico, deixando-me chocado com a força das suas palavras. Não disse nada, não havia sentido em discutir, nada mudaria a sua opinião de qualquer forma. - Bom, tenho uma ótima notícia - proclamou Tyler, feliz. Mas pude sentir um lampejo de maldade em seus olhos. Olhei para ele, apertando os olhos. - O que é dessa vez? - Já que não posso confiar em você, eu vou pedir aos meus amigos de confiança para ficarem de olho em você. - disse ele com um sorriso no rosto. A minha mandíbula apertou de raiva. Quem ele pensa que é? Ele está louco se acha que pode me controlar. - Os meus amigos vão ficar de olho em você o tempo todo, então é melhor não se encontrar com aquele i****a da Montéquio novamente, Julian... - ele se aproximou de mim enquanto eu permaneci parado. Não fiquei surpreso com as suas palavras, mas fiquei com muita raiva. - Eu juro que ele vai levar um susto que nunca mais vai querer saber de você de novo. - ele disse perto do meu ouvido e apertou o meu braço. - Pow. - Você não pode fazer isso. Você não pode me controlar ou controlar a minha vida. Isso nem é mais sobre a escola, Tyler. Por que você está fazendo isso? - eu tentei manter a calma, mas por dentro eu estava com vontade de gritar e empurrá-lo para longe de mim. Mas algo me dizia que isso só pioraria as coisas. Ele se afastou e riu, não dizendo mais nada, me deixando sozinho ali. Acho que ele realmente está com problemas na cabeça depois de levar tantos golpes no campo de futebol. Tyler está doente e isso me assusta. Eu não consigo imaginar o que ele e os seus amigos poderiam fazer com Romeo. Considerando o que tem acontecido ultimamente, não seria bom Romeo se envolver em outra briga. Ele poderia ser expulso da escola e eu não quero estragar a sua vida ou o seu futuro. A ideia de não poder mais ver Romeo me assusta, mas eu não tenho escolha. Eu suspirei profundamente e fui para a área verde da escola, não estava com cabeça para prestar atenção na aula de física. A minha mente estava em Romeo. Ele havia me enviado uma mensagem mais cedo e eu m*l tive tempo para responder. Agora eu não sabia o que dizer. Romeo - 7:58AM Será que podemos nos ver? *-* Tudo o que eu conseguia pensar era na punição que ele teria recebido pela briga no dia do jogo, em como Romeo estava se sentindo, e em como iria dizer a ele que não poderíamos ficar juntos por causa do meu primo. Eu desejava estar com ele, abraçá-lo e garantir que tudo ficaria bem, mas eu sabia que não seria verdade, a menos que eu renunciasse a ter qualquer tipo de relacionamento com ele. Abrir mão do nosso amor. Tive que sair mais cedo das aulas, pois o meu coração doía e a minha mente não parava de pensar em como dizer a Romeo que não poderíamos mais nos ver. Eu não avisei Nathan e Rosalia que estava indo para casa mais cedo, eu me sentia sufocado a cada passo que dava, e em cada segundo, lembrava de Romeo, de como eu amava o seu sorriso e a forma como os seus olhos brilhavam ao me ver. Saber que teria que abrir mão disso para protegê-lo fez os meus olhos arderem e logo estarem encharcados. Quase chegando em casa, eu notei um carro familiar parado não muito distante, e foquei os meus olhos nele até que vi quem estava no volante: um dos garotos do time, Sam. Tyler havia realmente ordenado que os seus amigos ficassem de olho em mim, o que me deixou ainda mais irritado. Eu posso até abrir mão de ficar com Romeo, mas Tyler vai sofrer todas as consequências por isso. Bufando, eu fiz caminho até o carro que permanecia no mesmo lugar e bati na janela com tal força que o garoto loiro a abaixou rapidamente. - Obedecendo o seu c*****o? Isso é patético, vocês são patéticos! Agora saia daqui antes que eu chame a polícia e te acuse de perseguição - gritei para ele com toda a raiva que havia acumulado essa manhã. Sam arregalou os olhos e começou a inventar uma desculpa. - Não. Não é isso, Julian - apertei os meus olhos para ele, que entendeu o recado. - Está bem, o seu primo pediu para eu ficar de olho em você. Não chama a polícia, já estou bem ferrado com eles, então... você sabe. - Dá o fora daqui e se ver o meu primo, manda ele ir a merda por mim, passar bem - eu falei antes de virar e voltar a fazer caminho para casa. Tyler está errado se acha que eu vou deixar isso passar em branco! Joguei a minha mochila sobre a cama assim que eu entrei em meu quarto. Eu ainda estava bufando de raiva e tudo o que eu queria era descontar em Tyler, mas eu decidi distrair a minha mente ao invés disso. Nathan sempre me acalma quando estou nervoso ou irritado, mas eu não podia incomodá-lo a todo momento. Ele estava na escola agora e eu não posso simplesmente fazê-lo parar o seu mundo só para me ajudar. Suspirei para mim mesmo. Sentei-me desanimado na cadeira da minha escrivaninha e olhei para o teto. Romeo veio à minha mente, mas eu tentei afastar esse pensamento. Eu sabia que teria que dizer a ele que não poderíamos ficar juntos e isso me causava dor. Pensar em como ele reagiria me assustava. Eu não queria que ele pensasse que eu o estava rejeitando, mas eu também não queria estragar as coisas para ele enquanto Tyler decidisse controlar a minha vida. Tentando tirar Romeo dos meus pensamentos, eu lembrei de Rosalia e da promessa que fiz a mim mesmo de ajudá-la a fazer as pazes com Malia. Considerando a ocasião, acho que esse seria o melhor momento para fazer isso. Na última vez que eu pesquisei sobre Malia, consegui encontrar o seu número de telefone, o que já foi meio caminho andado. Agora, eu só precisava ligar para ela e conversar sobre elas. Esperava realmente que ela me atendesse e fosse amigável. Com o meu celular em mãos, eu liguei para ela, mas só fui para a caixa de mensagens. Tentei mais duas vezes sem sucesso. Concluí que hoje não era o meu dia, mas eu decidi enviar uma mensagem para ela com esperanças de que ela visse e me desse uma chance de conversarmos. Julian - 9:15AM Oi, sou Julian Dawes, primo da Rosália. Soube sobre vocês e sinto muito. Rosalia me falou que sente a sua falta e que a ama. Queria poder conversar com você sobre vocês. Quando puder, me liga. Digitei esperançosamente e então eu apertei em enviar. Agora é só cruzar os dedos e esperar que Malia me ligue. *** Narrado por Romeo. - Realmente, temos sorte de que os nossos pais são influentes nessa escola. Se não, já era. - zombou Ben do banco da frente do carro. Mat suspirou e revirou os olhos, e eu apertei os meus lábios, sabendo que ele não estava errado. Fico feliz por não perder o Baile porque eu quero muito que Julian seja meu par. Saí dos meus devaneios quando Mat puxou a nossa orelha mais uma vez por termos agido daquela forma no dia do jogo. Ele tem feito muito isso desde então. - Se tivessem me ouvido e focado em só ganhar o jogo, nada seria assim. Ainda acho que a Diretora não vai deixar assim tão barato, não depois de tudo que tem acontecido. - apontou Mat, e Ben deu de ombros. Acho que Mat está certo. Ela só nos deixou voltar a frequentar as aulas; o Baile ainda é uma questão à parte. - A dona mandona não seria louca de nos proibir de irmos ao nosso próprio Baile. - começou Ben, os seus olhos focados na estrada. Olhei para Mat, que riu. - Se não formos, por que ter um Baile, então? - ele zombou, e todos rimos. Como estudantes do último ano, esse é um ritual quase que obrigatório para simbolizar o fim de uma era e o início de uma bem melhor, a faculdade. Ben está certo. Esse é o nosso Baile. A discussão matinal entre eles continuava como sempre, mas eu não conseguia pensar em mais nada além de Julian. Desde a noite em que tivemos a nossa primeira vez, o meu desejo por ele só aumentava. Lembrar da sensação de tocá-lo e satisfazê-lo me fazia estremecer e me deixava ainda mais louco por ele. Então, eu decidi mandar uma mensagem para ver se ele estava bem. Romeo - 7:58AM Será que podemos nos ver? *-* Mensagem enviada. Eu estava desesperado para vê-lo novamente e sentir os seus lábios macios. Julian estava se tornando um vício para mim. Além disso, eu precisava contar a ele que não seria expulso da escola graças aos nossos pais influentes. Ter pais com poder não era tão r**m assim, afinal. E, é claro, eu queria convidá-lo para o baile. Será que Julian aceitaria ir ao Baile comigo? Assim que Ben estacionou o carro na extremidade da escola, eu guardei o meu celular no bolso da calça, me preparando para ouvir um possível sermão da nossa diretora.
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