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Fora do Controle

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Sinopse

Mia Black comanda o império da família com mãos de ferro. Aos 28 anos, ela é implacável nos negócios e desapegada no amor. Para evitar que se aproximem por conta de sua fortuna, Mia transformou o sexo em uma transação limpa: dita o ritmo, paga as contas se for preciso e descarta o parceiro antes que qualquer sentimento surja. Ela nunca pergunta sobre o passado, a rotina ou a vida dos homens que deseja — para ela, i********e é um risco desnecessário.​Tudo muda quando Mia contrata o arquiteto Samuel Miller para projetar sua mansão de férias. Aos 32 anos, Sam é movido por princípios rígidos, ama o que faz e se recusa categoricamente a ser mais um envolvimento casual da CEO. O choque de ouvir o primeiro "não" da sua vida acende em Mia uma obsessão avassaladora por aquele homem que seu dinheiro não pode comprar.

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1. Mia Black
​O tecido de linho egípcio de três mil fios ainda retinha o calor do sexo recente quando Mia se sentou na borda da cama king size. O piso de mármore italiano sob seus pés descalços oferecia o contraste gélido que sua mente exigia naquele exato instante. Sem pressa, mas com uma precisão matemática, ela esticou o braço até o criado-mudo de mogno, pegou seu relógio de ouro branco e prendeu o fecho no pulso esquerdo. Um estalo seco, metálico e cadenciado. ​Trinta e cinco dias. ​Esse era o novo recorde de Mia Black. Nenhum homem jamais havia permanecido em sua rotina por mais de duas semanas consecutivas. No entanto, aquele executivo de mercado financeiro, com quem dividira noites esporádicas nos últimos seis meses e saídas mais frequentes no último mês, havia conseguido manter sua atenção por trinta e cinco dias inteiros. Ele era inteligente, discreto na medida certa e sabia exatamente como tocar o corpo dela sem fazer perguntas desnecessárias sobre sua rotina. Para Mia, era uma troca perfeita: prazer físico sem o peso de expectativas idiotas. ​Ela se levantou da cama e caminhou até a poltrona de couro onde suas roupas estavam estrategicamente dobradas. Pegou um vestido tubinho preto de alfaiataria, ajustado ao corpo com perfeição e com um zíper invisível nas costas. ​Mia nunca usava calças. Nenhuma. Seu guarda-roupa pessoal e profissional era composto exclusivamente por vestidos. Para ela, a explicação era estritamente prática: vestidos eram práticos, elegantes e, acima de tudo, fáceis de tirar quando surgia uma oportunidade de sexo casual. ​A regra absoluta sobre proibir calças em sua vida tinha uma origem muito clara na mente de Mia. Três anos atrás, quando ainda ocupava a vice-presidência do Grupo Black, ela quase colocou tudo a perder por causa de uma calça jeans de alfaiataria com cinto de fivela dupla. Estava em seu escritório no topo do arranha-céu da empresa com um consultor internacional. A atração era puramente física e, em meio ao calor do momento, o zíper da calça emperrou. O cinto enganchou no tecido justo e Mia perdeu mais de dois minutos tentando se despir no piso de madeira do escritório privativo. ​Foi o tempo exato para que a secretária de seu pai batesse à porta sem avisar, anunciando a chegada antecipada de Natanael Black para uma reunião de emergência. Por questão de segundos — e por uma dose absurda de sorte —, Mia conseguiu se recompor antes que o pai abrisse a porta de carvalho. Naquele mesmo dia, ao chegar em casa, Mia mandou doar todas as calças que possuía. Daquele momento em diante, seu corpo estaria sempre a um único zíper de distância do prazer, sem atrasos, sem frustrações e sem o risco de ser Pega desprevenida por fivelas e botões inúteis. ​Deslizando o vestido preto pela cabeça com a graciosidade de quem domina cada movimento, Mia puxou o zíper das costas com uma só mão. ​— Eu estava pensando sobre a gente... — a voz dele veio abafada pelo travesseiro, tingida por aquela preguiça pós-coito que Mia conhecia tão bem. Ele se arrastou pela cama, espalmando a mão quente nas costas cobertas pelo tecido do vestido dela. O polegar começou a desenhar círculos lentos em um gesto de carinho doméstico e íntimo. ​Um toque afetuoso. O tipo de toque que exigia reciprocidade. ​Cada músculo da espinha de Mia se enrijaceu. A sensação do toque dele, que há dez minutos lhe trazia alívio, subitamente parecia uma invasão de território. ​— Acho que estou me apaixonando por você, Mia — ele continuou, virando-se de lado para olhar para ela, sem perceber o arame farpado que acabara de erguer entre os dois. — De verdade. Não é só o sexo incrível. Eu quero saber mais sobre você. Quero jantar na sua casa, ver como você é quando não está comandando um conselho de administração. Quero algo real. ​A palavra apaixonando ressoou pelas paredes da suíte presidencial do hotel cinco estrelas como o disparo de um alarme de incêndio. ​Mia não piscou. Ela deu um passo à frente, desvencilhando-se da mão dele sem escândalo. Ajustou a gola do vestido e colocou os sapatos de salto alto, calçando-os sem precisar de apoio. Quando se virou para encará-lo, o olhar de Mia já não guardava o menor resquício do desejo de momentos atrás. Era a mesma expressão fria e calculista com que ela destruía concorrentes na mesa de negociações do Grupo Black. ​— Uma pena — Mia disse. Sua voz saiu límpida, firme e completamente desprovida de emoção. — Porque esse é o momento exato em que o nosso arranjo chega ao fim. ​O homem franziu o cenho, soltando uma risada curta e incerta. Ele se sentou na cama, puxando o lençol até a cintura, claramente achando que se tratava de uma reação defensiva charmosa. ​— Como assim, Mia? Eu acabei de dizer que gosto de você. Você não precisa ter medo de... ​— Eu não tenho medo de nada, Rodrigo — ela o interrompeu, pronunciando o nome dele com uma distância cortante. — Eu tenho diretrizes. E você acaba de ultrapassar a única regra inegociável. ​Mia caminhou até a mesa de centro de vidro. Pegou a bolsa de grife, abriu o fecho magnético e tirou de lá um talão de cheques de capa de couro n***o. Com uma caneta de tinteiro personalizada, preencheu os campos com movimentos rápidos. Escreveu o nome dele, a data de hoje e um valor com cinco dígitos altos — o suficiente para comprar um carro zero quilômetro de alto padrão. ​Assinou o sobrenome Black na linha inferior com uma caligrafia firme e inconfundível. ​— O que é isso? — a voz dele falhou quando viu o papel sendo destacado do talão. O sorriso brincalhão desapareceu de seu rosto, substituído por uma mistura de choque e ultraje. — Você está me dando um cheque? ​— Estou pagando pelo seu tempo — Mia respondeu com uma calma aterradora, dando dois passos à frente e depositando o cheque sobre o criado-mudo, exatamente ao lado do lugar onde a cabeça dele repousara minutos antes. — E pela sua discrição a partir de hoje. ​— Ficou louca?! Eu não sou um garoto de programa, Mia! Nós estávamos saindo há mais de um mês! ​— E durante trinta e cinco dias você cumpriu seu papel com excelência — ela retrucou, ajeitando o cabelo escuro diante do espelho de corpo inteiro. Seu reflexo devolvia a imagem de uma mulher de 28 anos no topo absoluto do mundo corporativo: lábios pintados de vermelho escuro, postura ereta no vestido impecável, o olhar de quem não devia explicações a ninguém. — Você foi um ótimo companheiro para as minhas noites de insônia. Mas, no momento em que você confunde atração física com posse emocional, a transação deixa de ser lucrativa para mim. ​— Lucrativa? Isso era uma transação para você? ​— Tudo é uma transação — Mia virou-se para ele, os olhos castanhos brilhando com uma lucidez impiedosa. — A diferença é que alguns homens cobram em dinheiro e outros tentam cobrar com o meu sobrenome. Você tentou a segunda opção. Achou que um romance me faria abrir as portas da minha vida, da minha família e do meu patrimônio. Prefiro quitar a dívida na primeira moeda. É mais limpo. ​— Você é doente — ele cuspiu as palavras, o orgulho ferido avermelhando seu pescoço. — Você acha que todo mundo quer o seu dinheiro. Você é incapaz de amar alguém. ​— Essa é a maior vantagem de ser uma Black — Mia sorriu, um sorriso sem qualquer calor humano. — Eu não preciso amar ninguém para ter exatamente o que eu quero, na hora em que eu quero. E agora, eu quero que você se vista e deixe esta suíte em dez minutos. O quarto está pago até o meio-dia, mas eu não estarei aqui. ​Sem esperar por qualquer resposta, Mia pegou a bolsa, virou as costas e caminhou até a porta da suíte. O som do salto alto batendo contra o piso soava como a contagem regressiva de uma sentença finalizada. Ela abriu a porta, saiu para o corredor acarpetado do hotel e fechou-a atrás de si com um clique suave, deixando para trás mais um homem desarmado e humilhado pelo peso de sua fortuna. ​No elevador privativo que descia direto para a garagem subterrânea, Mia encarou seu próprio reflexo na parede espelhada. Suas mãos não tremiam. Seu coração mantinha o ritmo calmo e cadenciado de sempre. Ela se sentia vitoriosa. Afinal, evitara o desastre antes que ele ganhasse proporções incontroláveis. ​Desde muito jovem, aprendera a lição mais importante com seu pai, Natanael Black: as pessoas não enxergam você, Mia. Elas enxergam a conta bancária da nossa família. Natanael e sua mãe, Estela, haviam moldado Mia para ser uma fortaleza inexpugnável. Em uma sociedade onde homens podiam usar poder e dinheiro para comprar companhia sem sofrerem um único julgamento moral, Mia decidira tomar a narrativa para si. Se o dinheiro da família Black era o motivo pelo qual todos se aproximavam, ela usaria esse mesmo dinheiro para controlar a profundidade de cada relação. Sexo casual era funcional. Relacionamentos eram um risco para os negócios. ​Ao chegar à garagem, a porta do sedã blindado preto se abriu imediatamente. O motorista da família, um homem de meia-idade que trabalhava para os Black há mais de vinte anos, inclinou a cabeça em respeito. ​— Bom dia, Sra. Black. Para a sede da empresa? ​— Bom dia, Arthur — Mia disse, acomodando-se no banco de couro traseiro enquanto o carro saía suavemente para as ruas ainda calmas da manhã. — Não. Vamos passar em casa primeiro. Preciso trocar de vestido antes da reunião das nove. E ligue para a minha secretária, peça para ela cancelar qualquer compromisso social do meu final de semana. ​— Perfeitamente. E quanto à Srta. Melissa? Ela ligou duas vezes enquanto a senhora estava em compromisso. ​O olhar severo de Mia suavizou instantaneamente ao ouvir o nome da irmã caçula. Melissa tinha apenas 15 anos e era a única pessoa no planeta capaz de desmontar a armadura de aço da CEO do Grupo Black. Diferente de Mia, que fora treinada desde a infância para assumir o trono da empresa, Melissa ainda guardava a ingenuidade e a doçura que os pais haviam tentado arrancar de Mia. ​— O que ela queria? — Mia perguntou, a voz perdendo a rispidez habitual. ​— Ela mencionou algo sobre a viagem de férias. Quer saber quando a senhora vai escolher o local da nova casa de praia. ​Mia encostou a cabeça no apoio do banco, olhando a cidade passar através dos vidros escurecidos do veículo. A casa de férias. Um projeto pessoal que ela vinha adiando há meses. Com a rotina esmagadora da empresa e os jogos de poder da diretoria, ela precisava de um refúgio. Um lugar afastado da pressão de Natanael e Estela, longe dos holofotes da alta sociedade, onde pudesse recarregar as energias em silêncio. ​Ela comprara um terreno espetacular à beira de um penhasco, com vista panorâmica para o oceano, mas ainda não havia decidido qual escritório de arquitetura contrataria para executar a obra. Mia queria algo monumental, mas ao mesmo tempo privado. Uma fortaleza moderna que refletisse sua conquista pessoal, sem a interferência dos projetos ultrapassados que seu pai costumava aprovar. ​— Diga a Melissa que tomaremos café juntas amanhã e conversaremos sobre isso — ordenou Mia, pegando seu tablet corporativo para revisar os relatórios financeiros do dia. — E avise à minha assistente para selecionar os três melhores portfólios de arquitetura da cidade. Quero assinar o contrato da construção ainda esta semana. ​— Já há uma lista de recomendações enviada pelo seu pai, senhora — lembrou o motorista com cautela. ​Mia soltou um riso irônico, sem tirar os olhos da tela do tablet. ​— Não quero os arquitetos do meu pai, Arthur. Eles constroem gaiolas de ouro ornamentadas para impressionar acionistas. Eu quero alguém diferente. Alguém que não tenha medo de trabalhar para mim e que faça exatamente o que eu mandar. ​Ela ajeitou a barra do vestido sobre os joelhos, rolando a página com os gráficos de desempenho do Grupo Black. O incômodo do episódio no hotel já havia desaparecido completamente de sua mente, substituído pela fome de controle que movia sua existência. Mia estava convicta de que podia comprar o talento de qualquer profissional, dominar qualquer ambiente e descartar qualquer homem que ousasse desafiar suas regras. ​Ela só não imaginava que, na lista de portfólios que chegaria à sua mesa naquela tarde, haveria o nome de Samuel Miller — um homem que não construía gaiolas, não se importava com o sobrenome Black e não estava à venda por valor algum.

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