Capítulo 8

1376 Palavras
Ela se despediu rapidamente e se dirigiu a sua casa com a sensação de dever cumprido. Pegou-se pensando em Richard, ele parecia simpático. Sim, ela gastara o intervalo das pesquisas e das tentativas de escrever algo o observando trabalhar. Afinal, não era de ferro. Sua mente a alertava: Não se envolva, ele está fora de questão. Você já tem problemas suficientes, se concentra no casamento.  Seu principal objetivo continuava sendo sair da cidade com o filho o quanto antes. Era tarde quando Helena chegou em casa, na sala de estar a irmã a esperava sentada em uma poltrona, as duas até tentaram não fazer barulho ao retirar as compras do carro de helena, mas não tiveram sucesso, delicadeza nunca foi o forte de nenhuma das duas, foi um verdadeiro milagre que elas não derrubaram a casa toda. Quando a última sacola foi trazida para dentro de casa, as duas se acomodaram no sofá: — Conseguiu tudo? —Afrodite parecia ansiosa. — O que você acha? — Helena respondeu com um sorrisinho antes de completar — Mas é bom que tia Elen chegue aqui logo, temos muita coisa para fazer. Em algum momento, a vida esqueceu-se de ensinar a irmã como se conter em situações estressantes, porque ela estava a beira de um colapso: — Tia Elen não vai vir! Ela ligou há algumas horas e agora o que vamos fazer? Eu não sei costurar! Nessa casa só a mamãe costura e ela está muito ocupada! — Me ame, eu vou costurar! E não seja má nos próximos dias ou seus convidados vão limpar a boca na toalha de mesa e sentar em cadeiras sem topes maravilhosos. — Eca — Afrodite reclamou entre risadas enquanto subia para o quarto — Eu imaginei a cena, trauma eterno, cadê meu psicólogo? –ela fazia drama enquanto seguia para o seu quarto — Boa noite Helena. — Boa noite Afrodite — Helena respondeu do outro quarto. Henrique estava apagado na pequena cama instalada no quarto dela, parecia feliz, abraçado ao travesseiro dormia tranquilamente. A noite passou rapidamente, como naqueles dias em que encostamos a cabeça no travesseiro e parece que o despertador toca alguns minutos depois. O dia seguinte foi reservado para a família e acabou passando rápido. O dia reservado para ela ir buscar a tenda  havia chegado, Richard enviou um SMS às sete e quinze da manhã marcando a entrega para as duas da tarde. Quem raios manda mensagem de texto em 2016 e às sete horas da manhã? Obviamente um morador de Fallway. A manhã foi agitada, por sorte as habilidades de costura e bordado de Helena continuavam afiadas, ela precisou de algumas horas para terminar os guardanapos e costurar os topes e enquanto trabalhava Afrodite observava tudo atentamente e jogando conversa fora, a maior parte do tempo com outras amigas em um aplicativo de conversas online. — Gabriela está perguntando de você! — Diz que eu morri e estou no céu, porque mereço o céu depois de fazer tudo isso — Helena pediu para a irmã responder a antiga conhecida dos tempos de escola. — Ela respondeu que essa é uma desculpa óbvia para alguém que está com preguiça de sair de casa — Afrodite transmitiu o recado. —Aham, preguiça – Helena apontou com a cabeça para a pilha de tecidos — Diz pra ela que talvez sábado eu tenha algum tempo para conversar, hoje eu estou ocupada. — Ela perguntou: richardocupada? Como assim, Richard? Já? Achei que você era toda reservada, contida e não queria se envolver com ninguém, principalmente com alguém dessa cidade. — Como ela sabe disso? Não tinha ninguém lá! E nós conversamos, é proibido conversar agora? Afrodite sorriu para a irmã: — Querida, você já se deu conta do tamanho dessa cidade? Sério. Aqui todo mundo sabe de todo mundo, é triste, mas é a verdade. Mas sério, se você quiser ir em frente Richard é um partidão, eu aprovo — Afrodite prosseguiu —Desde que ele voltou para a cidade toda garota solteira em idade fértil já tentou ficar com ele, pelo que eu sei apenas uma teve sucesso, o namoro terminou em dois ou três meses. Esse aí se quisesse poderia passar o rodo na cidade inteira! — Sério, chega Afrodite, eu só vou pegar a tenda para o seu jantar com ele e nada mais. —Admita, você o achou atraente! — Afrodite tentava conseguir uma confissão de Helena. — Ok, eu admito ele é atraente, mas só isso.  — Vou convidar ele para o jantar, é isso! — Afrodite respondeu pegando o celular em um pulo — melhor, eu vou pedir para que ele ajude na decoração, o bom coração do nobre cavalheiro não vai resistir — ela esperou por uma reação de Helena — você não vai tentar me impedir? — E adianta? — Ela já sabia a resposta, se a irmã colocasse uma ideia na cabeça, ninguém conseguia impedir. Helena acabou substituindo o almoço por um lanche rápido e seguiu para a fazenda de Richard pelo caminho que a irmã havia explicado, não demorou muito para encontrar.  Richard esperava perto do portão de entrada e por um segundo ela entendeu o porquê de toda garota da cidade querê-lo e logo depois procurou afastar esse pensamento e se concentrar na tarefa, pegar a tenda e sair dali o mais rápido possível. Ele a recebeu com um sorriso: —E aí, como você está? — Oi, Bem! E você? — Ótimo. Eles trocaram algumas palavras antes que ele a levasse para conhecer o lugar. Richard explicou que antigamente a família plantava e criava animais para se sustentar, hoje não mais. Da antiga fazenda só restou a casa, alguns hectares de terra e um celeiro que ele usava como garagem. A encomenda de Helena estava guardada no celeiro, eles passaram algum tempo checando e guardando a tenda no carro: — Esse é o equipamento que você estava precisando? — Richard puxou a conversa. — Sim, encaixou-se perfeitamente. Muito Obrigada. — Então amanhã lá pelas três da tarde eu chego lá — Ele continuou. Helena parecia confusa, então ele explicou: —Sua irmã pediu ajuda com a decoração. — Ah, eu não sabia — Sim, ela sabia, mas não queria que ele soubesse disso — Eu aviso ela. — Você vai estar lá?  — Sim, eu vou — Helena respondeu a pergunta curiosa com a razão da pergunta. — Legal — Ele pareceu satisfeito com a resposta. O assunto foi mudando do tempo para a cidade e como era a vida na cidade grande, até que helena criou coragem e perguntou: —Mais alguém mora aqui? — ela tentava não parecer intrometida. — Não, apenas eu. — Então — ela tomou coragem para fazer a próxima pergunta puxando o fôlego, sabendo que soaria bem intrometida – Qual a sua história? — Engraçado eu ia perguntar a você a mesma coisa. — Perguntei primeiro — ela abriu os braços se justificando. — Ok, eu conto, essa fazenda era do meu pai. Eu morava na capital, tinha um emprego considerável e uma casa legal — ele fez uma pausa — a versão curta é que, meu pai ficou doente, bem doente, e eu voltei para cá, ele se foi e então eu fiquei para cuidar de tudo.  — Sinto muito. — Sabe, morar no fim do mundo não era o plano de vida da minha namorada na época, então ela acabou ficando na minha antiga cidade e eu terminei aqui, fazendeiro/dono de lanchonete de cidade pequena. — Você parece estar se saindo bem — Helena não sabia exatamente o que dizer naquele momento. Ela tomou um susto quando olhou para o relógio, era hora de voltar para casa. No Hall de entrada Afrodite a esperava  ansiosa: — Você fez uma viagem de seis minutos em UMA HORA E MEIA — ela fez questão de enfatizar a última parte — O que tinha de tão interessante por lá, ou melhor, que atividades interessantes você andou praticando? Enquanto a irmã de Helena falava  uma tia das duas que passava pela área soltou um: — O Richard? Até eu pegava... Helena fez um gesto com a mão, desistindo de responder qualquer uma das duas seguiu para o quarto sem dizer uma única palavra.
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