Capítulo 7

1232 Palavras
— Que não sabia de quem ele estava falando é claro! Sou sua irmã Helena, não importa o que aconteça vou estar sempre ao seu lado.  E em todo caso, ele não era assunto encerrado? — Sim, ele é, mas você poderia ter me dito que ele estava aqui para que eu pudesse evitar o desconforto. É estranho ver ele depois de todos esses anos. — O único desconforto que poderia existir entre vocês dois seriam sentimentos m*l resolvidos. E sentimentos m*l resolvidos, minha querida, sempre acabam em confusão. Afrodite finalizou o assunto sem ter a noção de que acabara de dar a exata descrição dos problemas de Helena com Frederico, ela ainda tinha sentimentos por ele. Era hora de se concentrar nos detalhes finais do evento: — Então, quem vai transformar essa bagunça toda em decoração — Helena perguntou imprimindo os detalhes finais do jantar e organizando tudo o melhor que podia em uma pasta que a irmã estava usando para guardar as coisas do casamento. O olhar da Irma respondia a pergunta por si só. Helena ficaria responsável pela decoração. A matemática era simples. Ninguém de fora seria envolvido, discrição acima de tudo. A bagunça sobraria para Helena. — Não Afrodite! Eu não acredito, você não podia ter me avisado disso antes? Você vai simplesmente jogar essa bagunça pra mim? — O rosto de Helena adquiria um tom avermelhado que ia se intensificando. — Eu sei, eu sei, mas não podemos envolver ninguém nisso, tem que ser em família! Mas olha, a mamãe vai ter ajudar, ela já está inteirada com todos os detalhes – Afrodite tentava acalmar a irmã. Helena respirou fundo, e depois de alguns segundos ainda tentando se acalmar continuou a conversa: —Ok, nós podemos dar um jeito nisso — ela tentava se convencer repetindo a frase algumas vezes. Tinha um desafio pela frente, a organização do jantar que serviria de ensaio para o que seria provavelmente o evento mais importante da vida irmã. “Tudo sob controle.” Ela continuava tentando se convencer, procurando na pasta em que os detalhes do evento estavam organizados uma forma de tornar a bagunça uma decoração leve e agradável. Um filho ensina muito sobre planejamento e execução em curto prazo, os oito anos de experiência que Helena adquirira com Henrique foram indispensáveis para que ela pudesse acertar os últimos ajustes da festa da irmã. Enquanto ela se envolvia com os detalhes finais da festa, Henrique passava seu tempo com a avó. Kira estava um pouco desacostumada a lidar com crianças, não que ela já tivesse lidado com alguma sem o auxílio de uma babá, mas estava se saindo consideravelmente bem.  Pelo menos segundo Henrique, e quem não consideraria ter a melhor avó do mundo quando se pode substituir as refeições por sorvete. Helena precisou de duas viagens à cidade vizinha para encaminhar os detalhes do evento. Os guardanapos, com as iniciais dos noivos, precisavam ser confeccionados, a moça da loja de tecidos sinalizou que dez metros de seda seriam suficientes, o trabalho ficaria por conta de uma tia de Afrodite e Helena que decorava ambientes exclusivos.  Os atendentes da loja de flores pareciam entender o nervosismo de helena: — Eu preciso de rosas, as cores ... — ela procurava a informação na pasta que continha os detalhes do evento — bege e branco, pequenos cravos e qualquer coisa com folhas para finalizar, ah, e vasos altos, de vidro.  Ela completou o pedido com os arranjos que ornamentariam o local da cerimônia, checando todos os itens anotados em uma lista. Era muita flor. A atendente solícita anotava tudo sem hesitar por um segundo sequer. Enquanto pagava ela completou: —Vocês tem como entregar às seis da tarde na sexta feira? —Claro — a atendente respondeu sorrindo. Ainda faltava um detalhe importante para a realização do evento, a tenda, objeto que Afrodite na hora do nervosismo esquecera-se de providenciar.  A situação lembrava Helena da adolescência, quando ela tinha que resolver os problemas que Afrodite sempre criava por esquecer alguma coisa. Típico! Os famosos laços dourados e as luzes foram providenciados em uma loja próxima a floricultura, mas e a tenda? Onde raios conseguiria uma tenda nesse fim de mundo?  Percebendo o final do dia se aproximar rapidamente, Helena decidiu suspender as buscas pela tenda após visitar outras quatro lojas. Cansada, ela retornou a Fallway para encerrar seu dia, o quanto antes.  Na rua principal da cidade apenas um estabelecimento continuava aberto, uma lanchonete antiga, que parecia ter parado no tempo a mais ou menos vinte anos atrás. Helena tinha ido ao local algumas vezes, como estava com de fome, e sabendo que se voltasse agora para casa enfrentaria uma onda de questionamentos e seria alvo do estresse da irmã, decidiu fazer uma parada.  Ela não queria chamar a atenção, por isso procurou uma mesa mais afastada para sentar-se. Tirando o notebook da bolsa decidiu tentar escrever alguma coisa, qualquer coisa. Ela se sentia melhor quando escrevia. Apesar das tentativas de não chamar a atenção, ela não passou despercebida. Afinal, as novidades eram escassas durante a baixa temporada, na pequena cidade.  —Oi. Perdida? Talvez eu saiba explicar o caminho de volta... Erguendo os olhos do computador ela deu de cara com um homem, de avental branco e um bule de café na mão direita. A primeira coisa que ela conseguiu pensar após uma breve confusão mental que a “visão” proporcionou foi: “Wow”.  Percebendo que havia ficado alguns segundos encarando o atendente, ela procurou responder rapidamente: —Ah, não, não estou perdida. Sou daqui mesmo. —Daqui? Tem certeza? Legal!  Me desculpe, eu não lembro de você.  — Helena, Helena Hutton — ela se apresentou estendendo a mão. Ele então pareceu ter se lembrado quem era ela. —Uau. Hutton! Faz algum tempo e você parece diferente!  — Obviamente você lembra de mim, mas, me desculpe eu não lembro de você. — Helena respondeu o atendente procurando não parecer m*l educada. — Richard Terceiro! – Ele declarou o nome, enfatizando a última parte. Ela lembrava vagamente do nome, mas agora tinha certeza, ele era definitivamente um colega de escola.  — Café? — Richard continuou. — Sim — ela respondeu voltando os olhos para o notebook – e algo para comer, talvez panquecas. — Você é quem manda, estarão prontas em alguns minutos. — Ele respondeu se afastando da mesa que ela ocupava para atender ao pedido. Concentrada em pesquisar um tema para a próxima coluna ela acabou não percebendo ser a única cliente que restara no café. Olhando a hora, reuniu suas coisas rapidamente para ir embora e enquanto pagava lembrou-se de perguntar a Richard: —Olha, estou organizando um evento para esses dias, você não saberia de alguém que tem uma tenda, de preferência branca para vender/alugar? — Na verdade eu sei sim, tem uma dessas na antiga fazenda do meu pai, não é exatamente nova, mas pode servir para o seu evento. Respirando aliviada, Helena comentou: —Eu não sabia mais onde perguntar, quando eu posso pegar? Me desculpe, que má educação, nem perguntei, você pode alugar ela para mim? — Ela está parada em um canto, sem uso, eu empresto para você, não precisa pagar. Depois de amanhã é o meu dia de folga, posso arrumar ela pra você. Você lembra onde é a fazenda, certo?  —Na verdade não. Mas eu encontro.
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