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1149 Palavras

Morte Eu já tava encostado na parede, cansado de ouvir a voz dessa mulher. A dor na cabeça latejava, o curativo improvisado ardia mais que tapa de vó, e a voz dela parecia um rádio lig estação errada não dava pra desligar e nem pra entender por que ainda tava ouvindo. Ela tava lá, do outro lado da despensa, sentada com a perna cruzada, brincando com um pacote de miojo como se fosse um bicho de estimação. E eu? Tentando manter minha sanidade num cômodo onde o ar era dividido entre alho seco, feijão estourado e o perfume doce que vinha daquela desgraçada. E aí, do nada, meus olhos foram pro canto da boca dela. Uma covinha. Uma covinha filha da mãe que só aparecia quando ela sorria daquele jeito debochado. O tipo de sorriso que provoca ódio... ou outra coisa que eu prefiro não comentar.

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