— Sério! Bonitinho demais para andar a pé! — diz Alonzo, sem acreditar que aquelas palavras tinham saído da boca de sua parceira.
— Não precisamos matar todos que aparecem na nossa frente, Alonzo, e o cara não fez nada de mais. — diz ela enquanto fazia uma curva em alta velocidade.
Alonzo não diz nada, mas não havia gostado daquilo. Assim que chegam ao armazém, Alonzo arrasta o homem pela camisa, sem nenhum cuidado. Ele queria respostas e as teria.
— Levem-no e amarrem-no nas correntes. Ele me deve respostas, e eu vou tê-las. — diz ele de forma firme.
Um dos homens se aproxima e leva o prisioneiro para dentro. Lara caminha até outro homem e dá algumas ordens. Rapidamente, o homem entra no carro e parte.
— O que disse a ele? — pergunta Alonzo.
— Pedi para devolver o carro.
Os olhos de Alonzo quase saltam das órbitas quando ouve as palavras dela.
— O que houve com você hoje? Ficou louca?
— Se eu fosse você, tomaria cuidado com a forma como fala comigo, Alonzo. Posso esquecer que somos amigos. — responde ela de forma ríspida antes de lhe dar as costas.
— Deixe-a. — responde Dario, aproximando-se.
— Essa maluca. — diz Alonzo, balançando a cabeça.
— O carro é do noivo dela.
As palavras de Dario trazem Alonzo de volta à razão. Ele se volta rapidamente para seu chefe.
— Como sabe disso se acabou de chegar? — pergunta, curioso.
— Seria mais fácil se você perguntasse o que não sei. — responde ele, com a sobrancelha arqueada. — E ela está chateada com essa história de casamento. Apenas não a incomode.
Alonzo olhava para as costas de Lara com um misto de sentimentos. Ele tinha profundo afeto pela parceira e podia ver que ela estava realmente chateada. Então, apenas engole suas provocações e a deixa em paz.
Lara entra na sala onde o motorista estava, com os olhos sombrios. Nem ela mesma sabia por que havia falado daquela forma com seu parceiro de longa data, mas, ao olhar para o homem à sua frente, simplesmente esquece tudo. Tinha um objetivo a cumprir e não sairia daquele lugar sem as respostas de que precisava.
— Deixamos ele como pediu, senhorita. — diz um dos soldados da sala.
Lara apenas assente. Todos ali sabiam que ela era de poucas palavras quando se tratava de trabalho. Ela caminha até o homem, olhando com atenção para seu rosto assustado.
— Para quem era a carga que roubou? — pergunta ela de forma firme.
O homem examina a bela mulher à sua frente, sem entender direito o que estava acontecendo. Ela era bonita demais para estar naquela vida. Tinha um ar imponente, como se tudo o que estivesse à sua volta fosse indigno de sua presença. Os olhos verdes dela eram como uma chama, incitando-o a dizer a verdade.
— Eu não roubei, senhorita. — diz ele de forma tranquila, espelhando o que via na mulher à sua frente.
Lara apenas suspira. Ela gostava quando as coisas eram mais fáceis, mas sua presa não estava facilitando como ela desejava.
Do canto, Dario e Lorenzo observavam Lara com atenção. Eles sempre achavam incrível a forma como ela mantinha sua postura diante de um prisioneiro, a maneira como se movia ao redor de sua presa, sempre mantendo aquela aura de poder que a acompanhava.
Um sorriso curva os lábios de Dario quando Lara desfere um soco no rosto do motorista. Ele não esperava por aquilo e, vindo da mulher à sua frente, muito menos.
— Não foi o que te perguntei. Perguntei para quem era a carga roubada. — diz ela novamente, com uma calma invejável.
O homem já não a olhava mais com tranquilidade. Pelo contrário, seus olhos tinham um brilho de medo e descrença diante do que estava passando.
— Senhorita, eu...
O som de outro soco enche o lugar. O homem cospe um pouco de sangue, tremendo em seu lugar.
— Eu estou dizendo a verdade! Fui contratado apenas para levar o caminhão até uma transportadora. Disseram-me que o motorista tinha passado m*l. Eu juro! Vocês podem verificar o nome!
O desespero do homem era evidente diante de Lara. Seu corpo tremia enquanto ele chorava.
— Qual o nome da transportadora? — pergunta Lara.
— A Veloz Inc. — diz ele com dificuldade.
— Vou pesquisar. Se estiver mentindo, alguns socos serão o menor dos seus problemas. — diz ela, virando-se e saindo.
Lara sai como um furacão do lugar, dirigindo-se à pequena sala que havia ali. Ela pega um notebook e começa a pesquisar o nome da transportadora. Ela realmente existia, mas o nome que aparecia na lista de sócios faz um alerta soar na mente de Lara.
— Achou algo? — pergunta Alonzo, olhando por sobre o ombro dela.
— Sim. É aquele rato do Fabiano de novo. — diz ela, mostrando as informações que havia encontrado.
— Beleza, vou cuidar dele. E você pode ir. — diz ele, parando em seu caminho.
— Por quê? — pergunta, com uma carranca.
— Digamos que o fato de você ter me ameaçado segundos atrás seja prova o suficiente de que você não está bem hoje. — diz ele, com a sobrancelha arqueada.
— Mas...
— Preciso que cuide de algo para mim, Lara. — diz Dario, entrando sem olhar para ela, os olhos fixos no celular em sua mão. — Para agora.
Lara conhecia aquele tom e não discute. Apenas assente e acompanha Dario até a saída, entrando em seu carro.
— Sei que está chateada, Lara, mas pega leve com o Alonzo. Ele é apenas um homem sem coração. — diz, rindo da forma como se referia ao seu braço direito.
— Espero que ele não te ouça. — responde ela.
— Mas é sério. Você sabe que fomos treinados para matar. Ser delicado e compreensivo não é muito a nossa praia, então se lembre disso na próxima vez que quiser atirar nele. — Aquelas palavras faziam total sentido na mente de Dario, e ele sabia que sua pupila entenderia.
— Eu vou tentar, chefe. — diz ela com um suspiro.
— Ótimo. Vocês são os melhores que tenho. Não quero que briguem entre si.