Capítulo 4

1041 Palavras
— Sério! Bonitinho demais para andar a pé! — diz Alonzo, sem acreditar que aquelas palavras tinham saído da boca de sua parceira. — Não precisamos matar todos que aparecem na nossa frente, Alonzo, e o cara não fez nada de mais. — diz ela enquanto fazia uma curva em alta velocidade. Alonzo não diz nada, mas não havia gostado daquilo. Assim que chegam ao armazém, Alonzo arrasta o homem pela camisa, sem nenhum cuidado. Ele queria respostas e as teria. — Levem-no e amarrem-no nas correntes. Ele me deve respostas, e eu vou tê-las. — diz ele de forma firme. Um dos homens se aproxima e leva o prisioneiro para dentro. Lara caminha até outro homem e dá algumas ordens. Rapidamente, o homem entra no carro e parte. — O que disse a ele? — pergunta Alonzo. — Pedi para devolver o carro. Os olhos de Alonzo quase saltam das órbitas quando ouve as palavras dela. — O que houve com você hoje? Ficou louca? — Se eu fosse você, tomaria cuidado com a forma como fala comigo, Alonzo. Posso esquecer que somos amigos. — responde ela de forma ríspida antes de lhe dar as costas. — Deixe-a. — responde Dario, aproximando-se. — Essa maluca. — diz Alonzo, balançando a cabeça. — O carro é do noivo dela. As palavras de Dario trazem Alonzo de volta à razão. Ele se volta rapidamente para seu chefe. — Como sabe disso se acabou de chegar? — pergunta, curioso. — Seria mais fácil se você perguntasse o que não sei. — responde ele, com a sobrancelha arqueada. — E ela está chateada com essa história de casamento. Apenas não a incomode. Alonzo olhava para as costas de Lara com um misto de sentimentos. Ele tinha profundo afeto pela parceira e podia ver que ela estava realmente chateada. Então, apenas engole suas provocações e a deixa em paz. Lara entra na sala onde o motorista estava, com os olhos sombrios. Nem ela mesma sabia por que havia falado daquela forma com seu parceiro de longa data, mas, ao olhar para o homem à sua frente, simplesmente esquece tudo. Tinha um objetivo a cumprir e não sairia daquele lugar sem as respostas de que precisava. — Deixamos ele como pediu, senhorita. — diz um dos soldados da sala. Lara apenas assente. Todos ali sabiam que ela era de poucas palavras quando se tratava de trabalho. Ela caminha até o homem, olhando com atenção para seu rosto assustado. — Para quem era a carga que roubou? — pergunta ela de forma firme. O homem examina a bela mulher à sua frente, sem entender direito o que estava acontecendo. Ela era bonita demais para estar naquela vida. Tinha um ar imponente, como se tudo o que estivesse à sua volta fosse indigno de sua presença. Os olhos verdes dela eram como uma chama, incitando-o a dizer a verdade. — Eu não roubei, senhorita. — diz ele de forma tranquila, espelhando o que via na mulher à sua frente. Lara apenas suspira. Ela gostava quando as coisas eram mais fáceis, mas sua presa não estava facilitando como ela desejava. Do canto, Dario e Lorenzo observavam Lara com atenção. Eles sempre achavam incrível a forma como ela mantinha sua postura diante de um prisioneiro, a maneira como se movia ao redor de sua presa, sempre mantendo aquela aura de poder que a acompanhava. Um sorriso curva os lábios de Dario quando Lara desfere um soco no rosto do motorista. Ele não esperava por aquilo e, vindo da mulher à sua frente, muito menos. — Não foi o que te perguntei. Perguntei para quem era a carga roubada. — diz ela novamente, com uma calma invejável. O homem já não a olhava mais com tranquilidade. Pelo contrário, seus olhos tinham um brilho de medo e descrença diante do que estava passando. — Senhorita, eu... O som de outro soco enche o lugar. O homem cospe um pouco de sangue, tremendo em seu lugar. — Eu estou dizendo a verdade! Fui contratado apenas para levar o caminhão até uma transportadora. Disseram-me que o motorista tinha passado m*l. Eu juro! Vocês podem verificar o nome! O desespero do homem era evidente diante de Lara. Seu corpo tremia enquanto ele chorava. — Qual o nome da transportadora? — pergunta Lara. — A Veloz Inc. — diz ele com dificuldade. — Vou pesquisar. Se estiver mentindo, alguns socos serão o menor dos seus problemas. — diz ela, virando-se e saindo. Lara sai como um furacão do lugar, dirigindo-se à pequena sala que havia ali. Ela pega um notebook e começa a pesquisar o nome da transportadora. Ela realmente existia, mas o nome que aparecia na lista de sócios faz um alerta soar na mente de Lara. — Achou algo? — pergunta Alonzo, olhando por sobre o ombro dela. — Sim. É aquele rato do Fabiano de novo. — diz ela, mostrando as informações que havia encontrado. — Beleza, vou cuidar dele. E você pode ir. — diz ele, parando em seu caminho. — Por quê? — pergunta, com uma carranca. — Digamos que o fato de você ter me ameaçado segundos atrás seja prova o suficiente de que você não está bem hoje. — diz ele, com a sobrancelha arqueada. — Mas... — Preciso que cuide de algo para mim, Lara. — diz Dario, entrando sem olhar para ela, os olhos fixos no celular em sua mão. — Para agora. Lara conhecia aquele tom e não discute. Apenas assente e acompanha Dario até a saída, entrando em seu carro. — Sei que está chateada, Lara, mas pega leve com o Alonzo. Ele é apenas um homem sem coração. — diz, rindo da forma como se referia ao seu braço direito. — Espero que ele não te ouça. — responde ela. — Mas é sério. Você sabe que fomos treinados para matar. Ser delicado e compreensivo não é muito a nossa praia, então se lembre disso na próxima vez que quiser atirar nele. — Aquelas palavras faziam total sentido na mente de Dario, e ele sabia que sua pupila entenderia. — Eu vou tentar, chefe. — diz ela com um suspiro. — Ótimo. Vocês são os melhores que tenho. Não quero que briguem entre si.
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