Capítulo 5

945 Palavras
Enrico não havia perdido tempo depois de ser roubado. Rapidamente, ligou para que alguém o buscasse na autoestrada. Aquilo era azar demais em um único dia. Primeiro, ele teve que ouvir da pessoa que amava em segredo havia anos que ela não queria nada com ele. E o pior havia sido fingir, na frente dela, que desejava o mesmo. Aquilo o estava matando. E, para piorar sua situação, ele havia sido roubado por uma mulher. Era muito azar. — Para onde, senhor? — pergunta o motorista assim que ele entra. — Para a delegacia. Quero meu carro de volta. — diz ele, frustrado. O motorista não responde, apenas segue em direção à delegacia de polícia da cidade. Assim que Enrico entra, o delegado vem até ele com um sorriso no rosto. — Olá, Enrico. Como está seu pai? Faz tempo que ele não aparece para uma pescaria. — diz Armando, com um sorriso que fazia as rugas ao redor de seus olhos aparecerem. — Ele anda viajando bastante, Armando, mas vim hoje por outro motivo. — diz ele. — O que houve? — pergunta ele, mudando o tom de sua voz, os olhos castanhos fixos no rosto de Enrico. — Eu fui roubado há cerca de uma hora. Os olhos do delegado se arregalam com aquelas palavras. — Roubado? — pergunta, incrédulo. — Sim. — responde, envergonhado. — Você está bem? Te machucaram? — pergunta ele, já procurando alguma marca de agressão pelo corpo dele. — Eu estou bem. Só levaram meu carro. — diz rapidamente. — Não se preocupe. Vou pôr alguém agora mesmo atrás do responsável. — responde ele. — Obrigado. Enrico pega os documentos do veículo e os entrega a Armando, que parte rapidamente em direção a outra sala. Cansado, Enrico se senta no pequeno sofá da recepção e espera que Armando volte. — Senhor! — chama seu motorista, entrando correndo. — Sim? — O porteiro acabou de avisar que entregaram seu carro na mansão. — diz, com os olhos arregalados. Enrico se levanta de um pulo, sem acreditar no que estava ouvindo. — Isso só pode ser brincadeira. — É verdade, senhor. Ele mandou uma foto. — diz o motorista, mostrando uma foto para Enrico. Ele resmunga, mas fica satisfeito com aquilo. Ao que parecia, seu dia não tinha sido tão azarado assim. — Alguma novidade? — pergunta Armando, aproximando-se com o telefone no ouvido. — Ao que parece, temos um ladrão consciente. — diz ele, com um sorriso de canto. Armando desliga o telefone e encara Enrico, esperando por uma explicação. — O meu funcionário acabou de avisar que entregaram o carro na minha casa. Armando arregala os olhos, sem acreditar naquilo. Havia algo naquela história que não estava batendo, e ele pretendia descobrir. — Isso não é algo comum. — o olhar de Armando transmitia bem o quanto ele não acreditava naquela história. — Mas ainda é verdade. — diz, mostrando a foto para ele. — Precisamos investigar isso mais a fundo. — responde, pensativo. — Se importa se eu conversar com seu motorista? — Não. Fique à vontade. — Vou passar lá mais tarde, então. — Obrigado pela ajuda, Armando. — responde Enrico, estendendo a mão para ele. — Sabe onde me encontrar se precisar de mim. — responde ele antes de se retirar. Enrico volta para casa sem acreditar que aquilo tinha mesmo acontecido. Do mesmo modo, aquela sensação de já ter visto aqueles olhos verdes antes não saía de sua cabeça. Ele sentia que estava perdendo algo, mas não conseguia identificar o que era. Balançando a cabeça, ele desiste de tentar entender. Assim que chega em casa, Enrico verifica o carro, e estava tudo em seu lugar. Nenhuma marca, nenhum cheiro, nada que lhe desse uma pista de quem era a pessoa que o tinha roubado. — Me disseram que você foi assaltado hoje. — diz Dona Pérola, com aquele olhar que dizia que ele estava encrencado. — Por que não me disse, Enrico? Ele observa o rosto da mãe. Podia ver que sua pele, normalmente pálida, estava corada, e ele tinha certeza de que aquilo se devia à irritação. Seu penteado estava meticulosamente no lugar. Seus fios, antes dourados, agora tinham algumas mechas prateadas que, na visão de Enrico, apenas a deixavam ainda mais bela. Ele se aproxima e dá um beijo na testa da mãe. — Estou bem, mamãe. Foi apenas um pequeno susto. — Assim que as palavras deixam seus lábios, ele percebe que tinha sido a coisa errada a dizer. — Eu devia te colocar de castigo! — diz ela, puxando as orelhas dele. — Mamãe. — diz ele com uma voz calma e controlada, enquanto suas mãos seguram delicadamente as dela e as afastam de sua orelha. — Está tudo bem. Pérola puxa o filho para os braços, abraçando-o. — Você é meu grande amor, filho. — diz com a voz embargada. — Precisa se cuidar. Ela tinha um olhar amoroso enquanto falava com ele. — ... e me dar netos no futuro. — termina ela, dando-lhe um beijo e se afastando. — Mamãe... — Nem comece, Enrico. Você é um homem adulto, já está na hora de construir uma família. Eu e seu pai queremos netos. — diz enquanto caminhava de volta para casa. Enrico apenas balança a cabeça. Não tinha muito o que fazer sobre aquilo, mas, pela forma como Lara havia falado com ele, Enrico não tinha muitas esperanças de que ela desse netos à sua família. Um suspiro deixa seus lábios enquanto seus olhos miram o céu. Lara era a razão de suas noites insones, aquela por quem ele havia aberto mão de relacionamentos com outras mulheres.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR