— Quem tá aí contigo? — me cortou, como uma faca, ríspido, seco. A pergunta nem soou como pergunta, era uma acusação direta, sem a menor cerimônia. Ele nem me deixou terminar a maldita frase. Pisquei, confusa, a cabeça ainda girando um pouco. — O quê? Como assim? Do que você tá falando? Não tem ninguém aqui. — Quem tá aí na p***a da tua casa, Maria Clara? — ele repetiu, a voz subindo de repente, perdendo o controle, quase gritando agora. A agressividade explodindo pelo telefone, me fazendo encolher instintivamente, o corpo todo tenso. — ... ninguém, Iago! Eu juro! Acabei de entrar! Sério! A Alicia deve estar no meu quarto, eu acho, nem sei, não fui ver ela aind... — E o carro do Juninho que tu entrou? — ele continuou me cortando, atropelando minhas palavras como um trator, o tom muda

