O galpão parecia respirar. As paredes cinzentas devolviam o eco das escolhas que Dante e Selena ainda nem tinham feito, mas já começavam a pagar o preço. Dez minutos. Adriano tinha dado dez minutos para decidir quem viveria — e quem morreria. Selena sabia que o relógio estava correndo, mesmo sem ver. Sabia porque o corpo inteiro parecia puxado por forças diferentes, como se cada passo que dava afastasse Dante um pouco mais do lugar onde ele ainda conseguia salvá-los. Ela caminhou em direção à escuridão, onde a voz de Adriano surgia e desaparecia como um fantasma humano, real, perigoso. Mas não sobrenatural — apenas monstruoso na pior forma possível: racional. Dante, atrás dela, virava na direção oposta — em direção às duas figuras amarradas. Helena gemia por baixo da fita. Luca m

