POV DE CAUÃ DELACRUZ Aquele mar azul era uma ofensa pessoal. Eu olhava para o horizonte, para aquela água cristalina da América Central que batia na areia branca com uma calma irritante, e sentia o estômago revirar. Era lindo demais. Silencioso demais. Não tinha o som dos foguetes avisando a entrada da polícia. Não tinha o cheiro de lixo queimado misturado com o feijão que a minha mãe fazia na Jaguatira. Ali, sentado naquela cadeira de grife de frente para uma piscina de borda infinita, eu me sentia um bicho enjaulado. Uma fera de circo em uma jaula feita de ouro, vidro fumê e mármore. Eu nunca tinha visto esse sujeito na minha frente até o momento em que assinei o contrato com sangue. Agora, eu vivia sob a sombra de um homem que eu nem conhecia, em outro país, cercado por segurança

