Serpente Narrando Acordei com uma dor filha da püta na cabeça, tipo uma marreta batendo por dentro. A luz do quarto me cegava, tudo embaçado, o barulho do bip-bip da máquina parecia martelar no meu ouvido. Tentei mexer o corpo, mas parecia que eu tava preso. O braço não ia, a perna ardia, e quando tentei abrir a boca, veio uma dor tão forte que eu quase desmaiei. Não entendi pörra nenhuma. Meu peito começou a acelerar, o ar ficou pesado. Tentei falar, mas só saiu um gemido rouco, um som estranho, tipo um lamento de dor. Minha mãe, que tava sentada do lado, pulou da cadeira na hora. — Filho, você acordou, meu amor! — ela gritou, com os olhos cheios d’água, correndo pra perto de mim. Eu queria perguntar o que tinha acontecido, onde eu tava, cadê a Kylie, mas a boca não obedecia. Tentei

