60 - Serpente

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Serpente Narrando O enfermeiro chegou no quarto empurrando a cadeira e disse que já tava tudo certo pra eu ver ela de novo. Minha mãe veio do meu lado, ajeitou o lençol em cima das minhas pernas e disse baixinho pra eu não forçar nada, que era só pra ver, não pra tentar levantar. Eu só balancei a cabeça, sem força pra discutir. Meu coração já tava batendo rápido demais só de saber que ia ver a Key. O corredor até a UTI parecia infinito. Cada vez que a roda da cadeira passava por uma emenda do chão eu sentia um arrepio subir pelas costas. A luz branca, o cheiro forte de álcool, o silêncio quebrado só pelos monitores, tudo me deixava com o estômago embrulhado. Quando o enfermeiro abriu a porta, vi a dona Kiara parar do lado de fora, com os olhos marejados, olhando pra dentro pelo vidro.

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