Serpente Narrando Saí do morro com a cabeça pegando fogo, o sangue fervendo e o coração socado dentro do peito. Fui direto pra Víbora, nem pensei duas vezes. Assim que entrei, o som tava batendo alto, o movimento começando, mas eu passei direto pro bar da área vip. Peguei uma garrafa de whisky e fui pro meu escritório sem nem falar com ninguém. Fechei a porta, joguei o corpo na cadeira e comecei a virar a garrafa no gargalo mesmo. O álcool queimando a garganta parecia a única coisa capaz de calar minha cabeça. — Pörra, amar aquela mandada só me föde — falei sozinho, encarando o teto. — Ela tá lá, rindo pro tal amigo, e comigo é só patada na cara. Pörra, tu tá carregando dois filhos meus, carälho! Virei mais um gole, forte, amargo, e continuei me torturando com as lembranças. A risad

