A porta se fechou atrás delas e, pela primeira vez naquela manhã, o barulho da boca ficou distante. A casa no alto do Coroa n***a parecia um outro mundo — silenciosa, iluminada pelo sol que entrava pelas janelas grandes da sala. Helena caminhou até a cozinha com Murilo no colo. — Fica à vontade, tá? Pode sentar onde quiser. Marcela olhava ao redor com atenção. A casa era bonita, organizada, mas não tinha aquele luxo exagerado que ela imaginava. Tinha detalhes femininos: almofadas claras, plantas na janela, um quadro simples na parede. — É linda aqui — ela comentou. Helena sorriu de leve. — Eu que ajudei a decorar… há dois anos. Houve um pequeno silêncio entre as duas. Marcela percebeu que havia história naquela frase. Helena colocou Murilo na cadeirinha de alimentação e pegou o copi

