NARRAÇÃO: ESTELA Eu estava sentada no canto da cama, olhando para as minhas mãos, sentindo o peso do silêncio daquela mansão. A porta se abriu devagar e a Cida entrou, mas dessa vez ela não trazia aquelas sedas apertadas ou roupas que pareciam uma fantasia da minha irmã. Ela carregava uma pilha de roupas dobradas com cuidado: calças de moletom macias, camisetas de algodão e alguns vestidos de tecidos leves, soltos e bem comportados. Quando vi aquelas peças, senti um alívio tão grande que meus olhos arderam. — Cida... — falei, me levantando e tocando o tecido de um moletom cinza. — Como você adivinhou? Isso... isso é exatamente o que eu gosto. Não parece nada com o que a Luna usaria. Cida me deu um sorriso materno, daqueles que eu sentia tanta falta. — Eu tenho uma filha da sua idade,

