NARRAÇÃO: (PIVÔ) Dante abaixou a cabeça, os ombros chacoalhando num soluço seco que parecia arrancar o resto de vida que ainda tinha nele. O som das correntes batendo na parede acompanhava a agonia do cara que um dia foi minha sombra. — Ela não podia ter feito isso, Marlon... — ele balbuciou, a voz sumindo entre o sangue e o choro. — Era um filho, cara... o meu sangue. — Ela fez, Dante. E garanto que ela, assim como me traiu com você, te traía com vários — sibilei, a verdade saindo amarga como fel. — A Luna não é mulher de ninguém. Ela é uma praga que consome tudo o que toca. Tu foi só o degrau que ela usou pra subir um pouco mais alto. Ele ergueu o rosto, me olhando com um vazio absoluto, como se a alma já tivesse saído do corpo e só a carcaça estivesse ali pendurada. — Veio esfrega

