NARRAÇÃO: ESTELA Acordei com a claridade suave do sol de inverno, que entrava pelas frestas da cortina e acariciava meu rosto com um calor tímido. Por um segundo, fiquei ali, flutuando no vazio, perdida entre o sonho e a realidade, até que a memória da noite anterior voltou como uma onda de choque, aquecendo meu peito e acelerando meus batimentos. Eu não estava no sofá. Lembrava vagamente de ter sucumbido ao cansaço e adormecido nos braços dele, sentindo a segurança daquele peito largo e o som rítmico do coração do Marlon batendo contra o meu ouvido. Mas agora eu estava na minha cama, perfeitamente coberta, protegida do frio. Ele devia ter me carregado com todo aquele cuidado silencioso que ele só mostrava para mim, uma delicadeza que contrastava com a sua vida bruta. Sentei-me devagar,

