O barulho do motor do blindado do Dente de Ferro foi sumindo, deixando apenas o som das baratas roendo a madeira e o estalo das ratazanas no forro. Eu não ia ficar ali parado, cheirando a carniça, esperando o amanhecer pra voltar pro valão. O Pivô acha que me conhece, mas ele esqueceu que eu aprendi a sobreviver antes mermo de aprender a falar. Fui até o fundo do barraco, onde tinha uma torneira velha que pingava uma água barrenta e gelada. Arranquei aquela roupa imunda, sentindo o lodo grudar na pele como se fosse uma marca de maldição. Abri o registro e deixei a água cair. Estava um gelo, cortando a pele igual navalha, mas eu precisava sentir o frio pra apagar o fogo do ódio que tava me consumindo. Esfreguei o corpo com força, usando um resto de sabão de coco que tava jogado ali, sentin

