NARRAÇÃO: A DONA DO JOGO (LUNA) Acordar em lençóis de mil fios é um vício que eu poderia me acostumar rápido. O sol do Leblon entrava pela janela sem pedir licença, iluminando um quarto que parecia uma galeria de arte. Mas o meu corpo ainda latejava; a lembrança do galpão e dos dedos brutos do Pivô eram fantasmas que o luxo ainda não tinha conseguido apagar. Levantei e me olhei no espelho. Sem maquiagem, eu era a cópia exata daquela sonsa da Estela, mas o meu olhar... o meu olhar entregava que a dona da casa agora tinha garras. Vesti um robe de seda clara e desci as escadas com a arrogância de quem acabou de conquistar um novo território. Cheguei na sala de jantar e a mesa parecia um banquete. Frutas cortadas, suco natural, pães que cheiravam a manteiga. Zezé, a empregada que trabalha a

