Não existe relacionamento perfeito

1828 Palavras
Clara O Carlos chegou da casa da Ju e m*l falou comigo, estava com uma cara de poucos amigos. — Que chato esse meu irmão! Poderia ao menos me esperar terminar o banho para dar boa noite. — falo sozinha. Não sou louca, mas como moro sozinha há bastante tempo, criei esse hábito de conversar comigo mesma. Depois da separação me senti muito solitária porém, hoje amo a minha companhia e nem lembro mais como era ter um homem, que se dizia ser “um marido” em casa. — Estranho o Carlos dormir cedo, geralmente conversamos até tarde quando ele está aqui — Abro a porta do quarto de hóspedes onde ele dorme como um anjo — dormindo é um santo. Fecho a porta e vou para o meu escritório, tenho alguns contratos para revisar antes de dormir. Odeio trazer trabalho para casa, mas foi necessário. Entre uma cláusula e outra começo a ficar sonolenta e consequentemente vem os bocejos. Recosta a cabeça sob a mesa na intenção de descansar as vistas, mas acabo dormindo. ? Ligo para o Luís Fernando que me atende grosseiramente, falando baixo, com a justificativa que está em reunião. — Tchau! Quando estiver desocupado te ligo. — ele diz e ouço um silêncio. Olho para a tela do smartphone que ainda corre os minutos da chamada, na pressa ele não desligou o celular. — Vem princesa, estou te esperando! — meu marido fala carinhosamente, mas ele nunca falou assim comigo, nunca gostou de melação, segundo ele isso era coisa de adolescente. — Já estou indo bebê! — uma voz feminina desconhecida ecoa. Depois disso, parecia que liguei para um puteiro. Escutei em silêncio meu marido dizer palavras que nunca foram proferidas para mim, enquanto a mulher felizarda gemia com a satisfação que o meu parceiro nunca me fez sentir. Fiquei paralisada até a hora que ele chegou, como se nada tivesse acontecido. — Boa noite, amor! Ainda está acordada? — tenta me beijar e viro o rosto — Ah, Clara! vai me dizer que está chateada porque não pude te atender mais cedo? A reunião era importante. — Tão importante que você esqueceu de desligar o telefone. — observo o Luís Fernando ficar pálido — Ouvi tudo! — O que você ouviu? Fale! — ele diz nervoso. — Você quer mesmo, que eu narre seu momento de luxúria com a sua amante? — digo firme. — Posso explicar, você sabe que nossa relação não é mais a mesma. — ele pausa, está nítido que está escolhendo as palavras para consertar o erro. — Engraçado que quando eu te falei isso, você disse ser coisa da minha cabeça. Que nos amávamos e isso que importava em uma relação! — Algum dia faltou amor para você, Clara? — Não só o amor como também o respeito! — digo indignada. — Me desculpa, eu deveria ser mais cuidadoso! Isso não acontecerá mais. — ele vai para o banheiro. — O que você quis dizer com o “serei mais cuidadoso”? — vou atrás dele. — Clara, você não é mais uma criança. Todo homem tem suas necessidades! — É sério que estou escutando isso? Sou a sua mulher, sempre estive aberta a te satisfazer em tudo! — uma lágrima rola pelo meu rosto. — Você é minha esposa, tem certos tipos de coisas que não é lícito para uma mulher direita. — ele segura em meu queixo. — Por esse motivo você pega as putas da rua para satisfazer as coisas que sua esposa casta, não pode? — Não deveria estar tendo essa conversa com você. Esquece isso e te prometo não te aborrecer mais com esse assunto. — ele entra no box com o corpo desnudo e vejo alguns arranhões em suas costas. Vou para a cozinha e choro. Meu casamento é uma farsa! Nunca pensei em ouvir um dia essas coisas do meu marido. Ele me traiu e pelo jeito não foi a primeira vez e nem será a última. Mas ele será cuidadoso e eu não ficarei sabendo e continuo sendo a esposa casta que não realiza coisas ilícitas e não geme como a p**a. No dia seguinte envio todos os pertences do meu marido para a casa dos seus pais. Mudei todas as fechaduras da casa e disse para ele que a partir de hoje serei mais cuidadosa, só me caso com um homem que me faça gozar de verdade! ? Assusto-me com o celular tocando, não acredito que sonhei com esse dia ridículo na minha vida! Ligação on — Oi, Tony! Tudo bem? — Oi Clara! Na verdade, não sei se está. É que a Julia não está atendendo minhas ligações. Estou com um mau pressentimento. — Estranho Tony, ela jantou aqui comigo, mas não quis ficar para dormir. Você sabe como ela é teimosa. — Será que ela está bem? Ela não costuma dormir cedo e o celular está sempre perto dela. — Vou até a sua casa verificar e te ligo depois. — Você não existe, Clara. Obrigado e desculpa te incomodar. — Você nunca incomoda! Assim que tiver notícias, entro em contato. Beijos! Ligação off Desligo e vou correndo para o quarto do Carlos. Se encostou em um fio de cabelo da Ju, mato ele! — Carlos acorda! O que você fez com a Julia, ela não está atendendo o celular! — puxo o cobertor. — Está ficando doida! Não fiz nada só a deixei em frente a casa e tinha um moleque lá esperando. Vai ver que ela está muito ocupada, por isso não atende. — ele boceja. — Que moleque é esse, Carlos! — grito. — Sei lá! Um tal de Renan. — ele diz confuso. — O Renan! — fico surpresa. — Você sabe quem é ele? — Sim, ele é filho de um casal de amigos que mora no condomínio ao lado. Só estou tentando entender o que ele está fazendo lá. — Ah para Clara, você nem imagina o que eles estejam fazendo? — debocha. — A Julia não é assim. Quer saber, vou à casa dela! (…) Após tocar muito o interfone ela me atendeu. — Quem está aí? — pergunta com voz de choro. — Sou eu, Ju! Abra o portão. O portão se abre e entro. Na sala encontro a Ju encolhida no sofá como um bebê. — O que houve Ju? Seu pai está preocupado porque você não atende ele. — Se te contar uma coisa você promete guardar segredo? — ela chora me deixando mais preocupada. — Se o segredo não for nada grave ou algo do tipo, sim. — Namoro com o Renan há 4 anos. — ela pausa — no início não contamos nada por sermos novos. Ano passado tivemos uma discussão boba e ele viajou com os pais. Quando voltou, notei que ele estava estranho, mas acreditei ser coisa da minha cabeça. Voltamos e me prometeu que não ficou com outra nesse tempo que ficamos separados, contudo, depois disso ele ficou estranho. Sempre distante, me evitando e isso se tornou constante. Me dizia que a nossa primeira vez deveria ser especial, mas sempre que tentava ocasionar esse momento, meu namorado inventava uma desculpa, então comecei a ficar m*l supondo ter algum problema comigo. — ela chorou. — Você é linda Ju, ele não se sente preparado, os meninos demoram mais a evoluir. — abracei-a. — Porém, hoje ele me contou que na viagem do ano passado ele transou com outra menina! — ela soluça — Mesmo que estivéssemos separados, o Renan não respeitou a nossa história. Tínhamos planos da nossa primeira vez juntos, assim como foi nosso primeiro beijo, supunha que nós dois íamos aprender tudo junto, e agora algo em mim se quebrou. — Ju, infelizmente não existe relacionamento perfeito. Você ainda é nova e terá muitas desilusões amorosas, faz parte da vida. Ficamos ali abraçadas por um tempo até meu celular tocar. ******** Julia Me sinto muito bem com a Clara, mesmo não tendo idade ocupa o lugar de mãe na minha vida. Foi para ela que pedi ajuda quando minha menstruação desceu, que me ensinou a usar maquiagem, me ajudou a convencer meu pai que não queria uma festa de 15 anos e por aí vai. — Ju, você precisa falar com seu pai ele está preocupado. — ela quebra o silêncio. — Ele perceberá que estou chorando! — Diz que está com cólica, não pode deixar ele preocupado, ele está ligando de vídeo. Ligação de vídeo on — Oi Tony! Estou aqui com ela. — Oi Clara! Obrigado, não sei oque seria de mim sem você. — a Clara fica corada e me dá o smartphone. — Oi paizinho, não precisava incomodar a Clara, estou bem, só cheguei com muita cólica, tomei remédio e apaguei! Por esse motivo não ouvi o celular tocar. — Tem certeza que é só isso, você está com cara de choro, te conheço. — comecei a chorar de novo, não consigo esconder meus sentimentos do meu pai — filha, o que você está me escondendo? Sou seu pai e sempre te dei liberdade para me contar tudo. — Pai, por favor, agora não, quando o senhor chegar juro que te conto tudo! Descansa que sei que amanhã o senhor tem muito trabalho. — Filha, como descansarei sabendo que você está assim? Alguém machucou você me fala? — ele suplica por uma resposta. — Não pai, só estou decepcionada com uma pessoa, mas não dá para explicar pelo celular, no domingo o senhor chega e conversamos. — Fico com o coração partido em te ver assim e não poder te dar um abraço, filha. Papai te ama muito. — os olhos de Tony marejam. — Eu também te amo muito pai, e fica tranquilo que ficarei bem. — Tony pode dormir tranquilo que durmo aqui com ela. — Mais uma vez obrigado Clara, nem sei se um dia poderei agradecer por tudo que você faz por nós! — meu pai olha a Clara com carinho. — Se casa com ela pai — digo os deixando envergonhados. — Dorme filha, já está ficando boa, preciso desligar agora. — ele desliga sem graça. Ligação de vídeo off A Clara me deu um beliscão. — Ai! Isso doeu! — esfrego meu braço. — Por quê você falou isso para o seu pai? Sua doida, ele pode pensar que estou com algum interesse nele! — minha amiga está igual a um tomate. — Vai me dizer que você não tem uma quedinha pelo senhor Antônio? Porque ele tem uma queda inteira por você. — Será? — ela perguntou toda interessada. — Se interessou né? — ela me jogou a almofada e rimos. — Quer ser minha boadrasta? — Não viaja Ju entre mim e seu pai só rola amizade desde sempre, ele era amigo do Luís Fernando, não tem nem lógica isso. — ela fica pensativa. Finjo que acredito nela e após conversar bastante e chorar também, dormimos.
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