Pré-visualização gratuita Perséfone.
Hades_
_ Hades, cola aqui na barreira, tem b.o aqui pa tu.
Nem espero mais nenhuma informação do LK vou descendo as escadas de casa num vulto, nem sabia mais o que tava fazendo antes de receber o chamado dele.
Lk raramente me chamava na barreira e se ele chamava era porque o b.o realmente era muito grande.
Montei na moto e desci o morro cantando pneu, passei nas ruas como o flash nem via direito o que estava a minha frente, a única coisa que eu conseguia imaginar era que com toda certeza o que me esperava não era nada bom.
Assim que cheguei na barreira não vi nada, ao menos nada do que eu estava esperando realmente.
A única coisa que vi ali foi uma garota de no mínimo uns treze anos, parada, com uma única mochila nas costas e uma mala gigante do lado.
Minha expressão de questionamento era nítida, a confusão me atingiu em cheio e dava pra ver que LK tava do mesmo jeito.
_ Qual foi? Tu me chama de madrugada com rapidez e eu chego aqui não é nada? - Não era realmente madrugada, já que já eram quase cinco da manhã, ainda assim era cedo demais pra ele me chamar com tanta rapidez.
_ Não tive o que fazer cara, a menina chegou aí desde as quatro da madruga, e não arredou o pé, tive que te chamar.
Bufei indo em direção a menina que tava no canto encostada no muro, a expressão era calma, fria, como se não carregasse nenhum sentimento dentro dela, eu não entendi porque uma criança da idade dela tinha uma expressão tão carregada como aquela.
_ Qual é a tua? Porque apareceu aqui no meu morro sem aviso e de mala e cuia? Tem parente aqui? - Tu respondeu? Pior ela. A menina continuou parada como uma estátua, eu não ouvia sequer a respiração e aquilo já tava me tirando do sério.
O ódio começou a tomar conta e eu comecei a sentir raiva daquela situação, o fato de ela não abrir a boca pra dizer quem era só me incomodava mais ainda.
Estava quase desistindo e subindo o morro de volta quando ela fez uma expressão como quem se lembra de algo e pegou um papel dentro do bolso da mochila, parecia um cartão, ou carta, não sei ao certo, só sei que ela que entregou.
"Hades, sei que não deveria estar fazendo isso, mas no momento preciso que cuide dela.
Boaz."
Minha cabeça não tava funcionando.
"Cuide dela."
Essas duas palavras rodaram minha cabeça, fiquei baqueado, como assim cuidar dela? Afinal quem era aquela garota e porque diabos ela veio parar justamente aqui no meu morro?
Eu tava furioso, meu peito subia e descia freneticamente, os vapor ao meu redor e até LK se afastaram, já sabiam que o negócio não tava bom e que alguém ia rodar hoje por conta da minha raiva.
Peguei meu celular, procurei na lista de contato o nome daquele filho da p**a, estava no ódio nem enxergava mais nada, tudo que me preocupava naquele momento era saber porque Boaz tinha mandado uma criança pra mim, pior ainda, pediu pra cuidar dela.
_ Tá ficando maluco seu desgraçado? O que cê pensou quando decidiu mandar uma criança pro meu morro? Ta comendo maconha? - Minha voz saiu alterada, não tinha mais ninguém ao meu redor eu só conseguir visualizar a figura da menina na minha frente.
_ Eu sabia que você surtaria assim quando ela tivesse aí. - A voz dele saiu numa calmaria tremenda, aquilo só me deixou com mais raiva ainda.
_ Se sabia porque mandou justo pra cá c*****o? Ta achando que o meu morro é orfanato pra acolher criança abandonada. - Eu vi o exato momento em que aquela criatura na minha frente olhou nos meus olhos quando soltei essa frase, vi a dor através dos olhos dela mas naquele momento tudo que me importava era resolver a bagunça que o Boaz tava fazendo.
_ Só preciso que cuide dela por um tempo, ela é uma ótima criança, não dá trabalho e faz o que tem que fazer quando tem que fazer, não precisa fazer nada, só deixa ela em segurança.
_ Tu tá achando que vou deixar uma criança no meu morro sem nem saber quem é? De onde tu tirou ela?
_ Não esquenta, só faz o que tem que ser feito e mais nada, e não esquece, você me deve uma, só tô cobrando. - A voz de maioral saiu como uma melodia da boca dele, meu peito se encheu ainda mais de ódio, eu iria socar a cara dele se o desgraçado tivesse na minha frente agora.
_ Qual o nome da garota? Perguntei e ela não respondeu.
_ Perséfone.
Foi só isso, ele desligou e eu fiquei ali com a cabeça a mil, e o peito espumando de raiva, eu juro que se encontrasse Boaz qualquer dia o mataria, sem nem pensar duas vezes.
Perséfone.
Parecia brincadeira com a minha cara.
O destino tinha muita raiva de mim mesmo, não era possível que uma menina veio parar aqui no meu morro, e pior, se chamava Perséfone, pior ainda, eu não sabia quem era e muito menos porque ela estava aqui.
A cada teoria maluca que a minha mente criava de quem poderia ser ela eu fiquei ainda mais com raiva, ele não deixou nenhuma outra instrução, nem nenhum tipo de pista, eu iria enlouquecer e não ia demorar.
Meu dia começou bem, sendo atormentado logo cedo, uma criança no meu morro que eu não sabia quem era e nem porque tinha parado ali.
Ela continuou lá, no mesmo canto, não se moveu um músculo, era como se tivesse sido treinada para obedecer ordens de qualquer pessoa, mas no fundo também parecia que a qualquer momento ela poderia quebrar qualquer regra que existisse.
O olhar dela era distante demais, a mente parecia vagar por um lugar bem distante dali, a indiferença dela em relação aquela situação me deixava maluco, qualquer outra criança no lugar dela estaria berrando, chorando. Mas ela era diferente.
Eu tinha certeza de uma única coisa.
Aquela garota seria um grande problema pra minha vida, e apesar de saber disso, eu não tinha saída, eu tinha que deixar ela ficar.