O som da orquestra parecia ter desaparecido, como se o mundo ao seu redor tivesse deixado de existir. A única coisa que restava era Caio, seus olhos profundos, intensos, fixados nela como se ele pudesse ler cada pensamento que passava pela sua mente. O calor do ambiente aumentava, mas não era a temperatura da sala que a afetava. Era a proximidade de Caio, o magnetismo entre eles, e o peso daquilo que ele acabara de dizer. Cada palavra dele reverberava dentro dela, criando um tumulto de sensações que ela m*l podia controlar.
Isabela sentia o pânico crescendo em seu peito. Ela não estava preparada para aquilo. Não depois de tantos anos afastada, de tanto sofrimento por amor não correspondido, de tantas tentativas de apagar Caio de sua vida. Ela não sabia o que ele queria de verdade, ou talvez soubesse demais, e o medo disso a fazia recuar. Tudo o que ela queria naquele momento era desaparecer, escapar daquele lugar, daquela intensidade, daquelas palavras que pareciam estar queimando em sua mente.
— Eu... — ela começou a falar, sua voz tremendo, mas foi interrompida pelo olhar dele, que a fez silenciar imediatamente. Era impossível falar com ele daquela maneira. O desejo nos olhos de Caio a desarmava, e ela sabia que não conseguiria mais fugir dele. Não da maneira como queria. Não de si mesma.
Afastando-se lentamente, ela deu um passo atrás, seu coração acelerado, a mente em frangalhos. Ela não queria admitir, mas o que ele dizia estava mexendo com ela, quebrando as defesas que ela havia cuidadosamente construído ao longo dos anos. O que ela sentia por Caio ainda estava lá, e era mais forte do que nunca. Mas a dor da separação, o medo do que ele poderia fazer com seu coração novamente, a fazia hesitar.
— Eu preciso ir, Caio. — Suas palavras eram quase um sussurro, mas a urgência em sua voz era clara. Ela olhou ao redor, buscando uma saída, qualquer coisa que a tirasse daquele momento insuportável. Ela não queria ser a mulher que cedia, que se deixava levar pela atração avassaladora entre eles. Não novamente.
Mas Caio não a deixou ir. Ele avançou um passo, bloqueando seu caminho. O olhar dele agora estava carregado de uma mistura de frustração e desejo. Ele não iria deixá-la fugir daquela forma. Não mais.
— Você acha que pode simplesmente sair daqui e esquecer tudo isso? — A voz dele era baixa, mas carregada de intensidade, fazendo Isabela estremecer. — Você acha que pode fugir de mim mais uma vez? De nós?
Ela o olhou, desesperada, buscando alguma palavra que pudesse acalmar a tempestade que se formava dentro dela. Mas não havia nada. O que ele estava dizendo era verdade. Ela não podia mais fugir. Ele havia rompido todas as barreiras, despertado nela sentimentos que ela jamais conseguiria controlar.
Ela deu um passo para trás, mas Caio a seguiu, sua presença pesada, inevitável. Ela tentou manter a calma, mas a pressão dentro de si era demais. A necessidade de fugir era avassaladora, e ela não sabia mais como resistir.
— Eu não posso ficar aqui... — ela disse, a voz falhando. Ela se virou, tentando escapar, mas Caio agarrou seu braço, evitando que ela se afastasse. O toque dele era firme, possessivo, e a eletricidade entre eles fez seu corpo se arrepiar.
— Não adianta correr, Isabela. — Ele disse em um sussurro, mais suave agora, mas não menos intenso. — Você sabe o que está acontecendo entre nós. Você sabe o que eu sinto por você. Não há mais como fugir disso. Não há mais como esconder.
Ela olhou para ele, tentando ignorar a proximidade que fazia seu corpo tremer, o calor que se espalhava por sua pele. Ela queria dizer algo, mas as palavras escapavam, como se estivessem sendo roubadas dela. Ela sabia o que ele estava dizendo, mas não podia ouvir aquilo. Não sem considerar as consequências. Não sem pensar em tudo o que ela havia sacrificado para chegar até aqui, longe dele, longe da dor.
— Eu não posso... — Ela sussurrou novamente, com a voz tão baixa que m*l conseguiu se ouvir. Mas Caio a observava atentamente, seus olhos fixos nela, absorvendo cada sílaba como se fosse uma confissão, uma rendição.
— Você pode, Isabela. — Ele respondeu, sua mão suavemente acariciando o braço dela, um toque que parecia queimar. — Eu sei que você pode. Eu sei o que você está sentindo. E sei que você me quer tanto quanto eu te quero. Você não pode continuar negando isso. Não pode fugir para sempre.
O toque dele a fez estremecer. A tensão entre eles estava em seu ponto mais alto, e ela sabia que algo iria acontecer. Algo que mudaria tudo. Mas ela não estava pronta para isso. Não ainda. Ela virou o rosto, tentando desviar dos olhos dele, sentindo-se perdida.
— Caio, por favor... — As palavras saíram de sua boca, mais fracas do que ela gostaria, quase como uma súplica. Ela não sabia o que pedir a ele. Ela queria gritar, dizer que o desejava tanto quanto ele a desejava, mas havia algo dentro dela que a impedia de ceder. Algo que a mantinha em um conflito interno, lutando contra si mesma.
Mas Caio não se afastou. Em vez disso, ele a puxou para mais perto, seus corpos agora quase colados. Ele a olhou profundamente, os olhos cheios de uma necessidade que ela não conseguia mais ignorar. Ele a estava testando, esperando por uma reação. Sabia que ela estava dividida, mas também sabia que ela não conseguiria resistir por muito mais tempo.
— Eu sei que você tem medo, Isabela. — A voz dele era baixa, quase um murmúrio. — Mas você não vai encontrar paz até que se entregue ao que está entre nós. Você não vai encontrar paz até que me deixe te mostrar o que sempre foi nosso. O que sempre foi só nosso.
Ela fechou os olhos, tentando se afastar da intensidade das palavras dele, da maneira como ele a observava, como se a quisesse completamente. Mas, no fundo, ela sabia que não conseguiria resistir a muito mais tempo. Ela sabia que havia algo nela que o desejava com a mesma força. Algo que a puxava para ele, como se fosse um magnetismo impossível de ignorar.
Ela respirou fundo e, com um esforço tremendo, deu um passo para trás, afastando-se de Caio. Sua respiração estava irregular, e ela sentiu uma dor apertada em seu peito. Ela não estava pronta para se entregar, não daquele jeito.
— Eu... preciso ir. — Ela disse, as palavras saindo com dificuldade, como se ela própria não acreditasse nelas. Mas Caio apenas a observou, seu olhar mais suave agora, quase como se entendesse a luta interna dela.
— Você vai fugir, Isabela. — Ele disse, sua voz mais calma, mas com uma intensidade que fazia o coração dela acelerar. — Mas não por muito tempo. Não vai ser fácil esquecer o que aconteceu entre nós. E você sabe disso.
Isabela o olhou uma última vez, seu coração apertado. Ela queria gritar, correr para ele, mas algo dentro dela a segurava, impedindo-a de dar o próximo passo.
Ela virou as costas e, com o coração pesado, saiu da sala. Cada passo parecia uma luta. A fuga não seria fácil, mas ela sabia que precisava de tempo. Tempo para lidar com tudo o que estava acontecendo dentro dela.
Mas enquanto ela se afastava, uma parte de sua alma já sabia que, mais cedo ou mais tarde, ela teria que voltar. E quando isso acontecesse, nada mais seria o mesmo.