Pré-visualização gratuita Prólogo – Frenesi- Limite do Desejo
O som abafado da música preenchia o salão, misturando-se ao tilintar dos copos de cristal e ao burburinho das vozes ao redor. Isabela respirou fundo, tentando ignorar a sensação sufocante que a envolvia desde o momento em que pisara ali. A festa era luxuosa, como todas as outras organizadas por seu pai. Gente poderosa, vestidos caros, sorrisos falsos.
Ela nunca gostou desse mundo. Mas naquela noite, o desgosto era ainda maior.
Porque ele estava ali.
Caio Vasconcellos.
Alto, imponente, os traços afiados esculpidos pelo tempo e pelo sucesso. O terno perfeitamente ajustado moldava seu corpo atlético, mas o que realmente chamava a atenção era a forma como ele dominava o ambiente sem esforço. Dono de uma fortuna bilionária e de uma arrogância quase inquebrantável, Caio não era mais o garoto de sorriso fácil e olhos brilhantes que ela conhecera na infância.
Não. O homem diante dela era outra coisa. Algo perigoso. Algo viciante.
Ela tentou desviar o olhar, mas foi inútil.
Ele já a havia encontrado.
Seus olhos — negros, intensos — cravaram-se nela como se a possuíssem sem permissão. Um arrepio subiu por sua pele. Deus, como aquilo era injusto. Como o universo podia jogá-los juntos depois de tudo? Depois da distância, da dor, das escolhas erradas?
E, ainda assim, ali estavam.
Ela engoliu seco quando ele começou a se mover em sua direção. Seus pés pareciam colados ao chão. O coração batia forte, acelerado, como se tivesse voltado no tempo, para os dias em que Caio era tudo o que importava. Para os dias em que ela se deitava na cama, abraçada ao travesseiro, imaginando como seria sentir os lábios dele nos seus.
Mas o tempo passou. As escolhas foram feitas. E agora... agora ela estava noiva de outro homem.
— Isabela.
A voz dele era como veludo rasgado, grave, provocante, com um tom que ela reconheceria em qualquer lugar. Um tom que, um dia, fora apenas dela.
Ela forçou um sorriso, lutando para manter a compostura.
— Caio.
Ele não sorriu. Não demonstrou nenhuma emoção visível. Mas seus olhos... ah, seus olhos diziam tudo. Havia algo lá. Algo bruto, faminto, que fazia seu corpo inteiro queimar.
— Você está deslumbrante.
A voz dele era um sussurro carregado de significados ocultos.
— Obrigada. — Sua resposta saiu fraca, quase inaudível.
Caio inclinou a cabeça levemente, estudando-a como se pudesse ver além da máscara que ela usava. O silêncio entre eles era ensurdecedor.
E então, num gesto lento, deliberado, ele estendeu a mão.
— Dance comigo.
Seu coração parou.
Não.
Não era uma pergunta. Não era um convite.
Era uma ordem.
E o pior de tudo?
Ela queria obedecer.
Seus dedos vacilaram antes de tocar os dele. O contato enviou uma corrente elétrica por sua pele. As mãos de Caio eram firmes, quentes e seguras. Ele a puxou suavemente para a pista de dança, mantendo um espaço respeitoso entre seus corpos. Mas não adiantava.
A tensão entre eles era palpável.
A música lenta preenchia o ambiente, mas tudo ao redor desapareceu. Não havia mais festa, convidados, olhares curiosos. Havia apenas Caio. Seu perfume amadeirado, a forma como seus dedos pressionavam a base de suas costas, como se quisessem puxá-la para mais perto.
— Como está sua vida, Caio? — Ela quebrou o silêncio, tentando parecer indiferente.
— Vazia.
A resposta veio rápida, crua. Os olhos dele estavam cravados nos dela.
— E a sua?
Ela respirou fundo, buscando as palavras certas. Mas o que podia dizer? Que sua vida estava completa? Que estava apaixonada pelo homem com quem ia se casar?
A mentira ficaria presa em sua garganta.
— Minha vida está... estável.
Caio soltou um riso baixo.
— "Estável." Que palavra horrível.
— O que há de errado com a estabilidade?
— Tudo.
O olhar dele desceu para seus lábios, e ela sentiu a respiração falhar.
— Eu não fui feito para estabilidade, Isa. E você também não.
— Você não me conhece mais, Caio.
— Sei que seu corpo está tremendo embaixo das minhas mãos.
Ela apertou os lábios, indignada.
— Não seja arrogante.
Ele sorriu, e o sorriso foi uma provocação, um lembrete de tudo o que existia entre eles.
— Eu sei o que vejo.
Isabela sentiu o peito se apertar. Ele sempre a vira de uma forma que ninguém mais via. Sempre a conhecera melhor do que ela mesma.
E esse era o problema.
Porque Caio Vasconcellos era a maior tentação de sua vida.
A dança continuou, cada passo um tormento, cada toque uma tortura silenciosa. E então, quando a música chegou ao fim, ele soltou sua mão, mas não se afastou.
— Seu noivo está te olhando. — O tom dele era ácido, possessivo.
Ela virou a cabeça e encontrou Rodrigo, seu noivo, do outro lado do salão. O homem com quem deveria construir um futuro. Um homem seguro, confiável, sem surpresas. Sem riscos.
Mas Caio?
Caio era o oposto disso.
— Você deveria ir até ele. — A voz dele tinha um tom provocador.
Ela hesitou. Seu corpo ainda queimava. Sua pele ainda formigava.
E então, antes que pudesse se virar, Caio se inclinou para perto, os lábios roçando seu ouvido.
— Você pode fugir de mim, Isa. Pode fingir que não sente nada. Mas um dia, você vai ceder.
A voz dele era uma carícia, uma promessa.
— E quando isso acontecer... — Ele se afastou apenas o suficiente para que ela visse a verdade em seus olhos. — Eu não vou ter piedade.
E então ele se foi.
Deixando-a ali, tremendo, ardendo.
Esperando pelo momento em que tudo o que tentava negar desabaria sobre ela como uma tempestade.
E quando isso acontecesse, ela sabia.
Caio Vasconcellos a consumiria inteira