Capítulo 12 – Ciúme e Desafios

1130 Palavras
O evento era luxuoso. Uma festa de gala, repleta de executivos, celebridades e políticos. A orquestra tocava suavemente ao fundo, enquanto as taças de cristal refletiam a luz suave das velas nas mesas decoradas com flores exóticas. Tudo parecia perfeito. Mas, para Caio, não havia nada perfeito naquele lugar. Nada que o fizesse desviar sua atenção do único ponto de foco que dominava sua mente desde o momento em que entrou na sala: Isabela. Ela estava ali, deslumbrante. Um vestido longo de seda preta que realçava suas curvas, cabelo solto em ondas perfeitas, maquiagem sutil que ressaltava seus olhos. Ela estava impecável, como sempre. Mas o que mais chamou sua atenção não foi sua beleza estonteante, mas o homem que estava ao seu lado. O tal noivo. O homem que seu pai havia escolhido para ela. Caio observava os dois à distância. O noivo, um homem de sorriso fácil e postura arrogante, se comportava como se tivesse o direito de tocá-la, de se aproximar dela de uma forma que Caio jamais permitiria. Toda vez que ele tocava a mão de Isabela, uma onda de fúria tomava conta de Caio. Ele nunca gostou de ver outros homens perto dela, mas ver aquele com seu braço ao redor dela era algo que ele não podia suportar. Ele observou Isabela rir, seu corpo se encostando ligeiramente no de seu noivo, e aquilo queimou como fogo em sua pele. O que estava acontecendo com ele? Como ela podia estar tão perto de outro homem? Era insuportável. A fúria se tornou uma pressão constante em seu peito. Ele estava ali, rodeado por uma multidão, mas sentia como se o mundo tivesse desaparecido. Só existiam ele, ela e aquele maldito homem. A raiva tomou conta de Caio de uma forma avassaladora. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo. Ele sabia que não tinha direito de se sentir assim. Ela não era sua. Ela nunca foi sua. Mas, de alguma forma, o simples fato de vê-la com outro homem mexia com ele de uma maneira que ele não podia mais controlar. Isabela percebeu a presença de Caio na sala, mas, ao contrário do que imaginava, ele não se aproximou. Ele estava em um canto, observando-a com um olhar que parecia penetrar sua alma. Seu corpo reagiu de imediato à intensidade daquele olhar. Ela sentiu a tensão, como se o ar tivesse ficado mais pesado. O desejo que ela tentava manter sob controle, o desejo que Caio sempre provocava nela, agora parecia impossível de ignorar. Mas o que mais a abalava não era a atração inegável que ainda sentia por ele. Era a dor. A dor de vê-lo ali, distante e indiferente, enquanto ela tentava se manter firme ao lado de um homem que, embora fosse seu noivo, não despertava nem metade do desejo e da paixão que ela sentia por Caio. Ela desejava se aproximar, mas algo a impedia. Não só a diferença de status, mas a lembrança de como as coisas haviam mudado entre eles, como as feridas do passado ainda estavam ali, abertas e doloridas. A tensão entre eles cresceu, e Caio não conseguia mais ficar parado. Ele sabia que não poderia ficar ali por muito mais tempo, sem fazer nada. Ele precisava agir. A raiva o consumia, mas também a necessidade de possuí-la, de ter a certeza de que ela ainda o desejava. E ela o desejava. Ele sabia disso. O olhar que ela lhe lançou, mesmo que fugaz, dizia tudo. Ele se aproximou deles, seu passo firme, decidindo, enquanto o mundo ao seu redor parecia desacelerar. Isabela olhou para ele, seus olhos se encontrando com os dele, e em um segundo tudo ficou claro. Ela queria se afastar, mas não podia. E ele queria mais do que nunca estar perto dela. — Caio. — O noivo de Isabela disse com um sorriso forçado, estendendo a mão para cumprimentá-lo, como se não soubesse da tensão palpável no ar. Caio ignorou a mão estendida, seu olhar ainda fixo em Isabela, e a raiva que se formava dentro dele só crescia. A cena de ver o homem que ela escolhera para ser seu futuro marido não lhe era suportável. O ciúme, feroz e irracional, o dominava. Isabela tentou disfarçar a inquietação que sentia, mas sabia que não estava conseguindo. Sua respiração se tornava irregular à medida que Caio se aproximava ainda mais. O magnetismo entre eles era inegável. A química nunca desaparecera, apenas se escondia, esperando o momento certo para explodir. E agora, diante dela, naquele ambiente onde tudo e todos estavam em sua contra mão, a explosão parecia iminente. — Está tudo bem, Caio? — Ela finalmente conseguiu dizer, sua voz baixa, mas firme. Ela sabia que ele estava ali, a única coisa que importava naquele momento. Ele e o desejo que ele provocava nela. Mas não podia ceder. Não podia ser fraca. Caio sorriu de maneira fria, seu olhar feroz. — Está tudo ótimo, Isabela. — A resposta foi mais dura do que ele pretendia, mas não pôde evitar. Ele estava furioso, sem saber como lidar com os sentimentos que estavam se transformando em uma tempestade. — Só não gosto de ver meu futuro... amigo... tão perto de algo que nunca deveria estar ao alcance dele. O noivo de Isabela, embora um tanto surpreso com a frieza de Caio, não quis ceder. Ele estreitou os olhos e sorriu de volta, tentando manter a compostura. — Bom, se isso for tudo o que tem a dizer, então podemos seguir. — O noivo de Isabela disse, pegando-a pela mão, forçando-a a se afastar, mas não sem antes lançar um olhar desafiador em direção a Caio. Mas, antes que ela pudesse reagir, Caio a segurou pela mão, impedindo-a de seguir. O toque de suas mãos fez Isabela estremecer, e, por um momento, tudo ao seu redor desapareceu. Ela olhou para ele, e foi como se uma chama tivesse se acendido entre eles. A tensão era palpável, e o desejo, reprimido por tanto tempo, agora ameaçava consumi-los. — Não vá. — Caio sussurrou, sua voz grave e carregada de um desejo que ele não podia mais esconder. — Não finja que isso não está acontecendo, Isabela. Não finja que você não sabe o que estamos sentindo. Eu não sou capaz de deixar você ir agora. Não depois de tudo. As palavras dele a atingiram com força, e Isabela sentiu o choque, a luta interna entre o desejo e a razão. Seu noivo estava ali, esperando, mas seu coração estava com Caio. Ela sabia disso. Ela sempre soubera. O dilema entre o que era certo e o que o seu corpo clamava para fazer a consumia. O olhar de Caio estava ali, penetrante, desafiador, e ela sabia que, uma vez que tomasse uma decisão, não havia mais volta.
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