Capítulo 5

3323 Palavras
Em algum lugar em Edimburgo, depois do incêndio da ópera em Paris - 1881 - Gostaria de saber como está Erik – Alice Durant disse, olhando para a paisagem que se alterava, conforme a carruagem percorria seu destino. Estavam chegando a Edimburgo. Ela olhou para o homem que sempre amou, mas que seu pai nunca permitiria que estivesse casado com ela. Afinal, era filha de um nobre. Pensava em Erik e se ele estaria bem, aquela altura. O plano era simples. Apenas para despistar a ele e a seu pai. Para que pudesse ir embora com Edgar. Edgar McTavish. Um segundo filho de um conde falido, na Escócia. Eles se conhecerem em uma festa, em Londres, quando estava acompanhada de Erik. E foi algo impossível de controlar. Os sentimentos dos dois afloraram e ele simplesmente disse que tinha de tê-la. Por estar noiva, Alice tentou de tudo para esquecê-lo, mas era quase impossível. Se ia até o Hyde Park, lá estava ele caminhando. Se ia até o Gunter, tomar um sorvete, lá estava ele novamente. E em eventos sociais que permitiam a entrada de pessoas menos abastadas, novamente ali ele estava. Foram longos meses naquela tortura. E não pode se aguentar. Simplesmente deixou que ele a beijasse. Então ele pediu a ela para se casarem. Para que ela fosse com ele para a Escócia. Quando pediu ao seu pai a permissão, ele ficou enlouquecido. Ele poderia tolerar o músico, mas, não um escocês empobrecido. Erik era rico. Além de se relacionar com a nobreza e ter um tio visconde. Como ela poderia trocar a galinha de ovos dourado, para ficar com um simples fazendeiro de ovelhas? Aquilo era um absurdo na visão do seu pai. Ele decidiu ignorar o pedido dela e disse que nunca iria tocar no assunto com seu noivo. E que era melhor ela esquecê-lo de uma vez por todas. Então, Edgar teve um plano. E esperava que tivesse dado certo. Fugiu com ele no instante em que a ópera pegou fogo. Se preocupava que Erik pudesse ter se machucado. Afinal, não desejava nenhum m*l a ele. Somente não o amava. - Ele deve estar bem. Eu o vi do lado de fora da ópera procurando por você – Edgar disse, sério, olhando para a janela. Parecia tão diferente de como estava em Paris – Será que seu pai não poderá, não sei, enviar algum dinheiro para nós? Alice o fitou embasbacada. - Dinheiro, como? Eu estou desaparecida, Edgar. Como ele poderá enviar qualquer coisa para mim? Quer que ele descubra onde estamos? Ele a fitou, longamente. Passou a viagem inteira até Edimburgo calado e taciturno. Evitava ficar a sós com ela. - O problema, minha querida, é que minha fazenda precisa de algumas reformas – ele disse. E seu sotaque ficou mais evidente, pois estava irritado. O que surpreendeu ela. Ele nunca se mostrava irritado, não com ela – E meu pai se recusa a ajudar. Recebeu uma herança e não quer passá-la para os filhos. - Eu sinto muito, querido, mas não há como pedir dinheiro ao meu pai – ela tentou esclarecer – Mas, trouxe minhas jóias. Podemos vendê-las. - Não devem valer tanto. E pode ser que seu pai tenha guardado as verdadeiras no cofre e as que você tem são apenas replicas – ele apontou – Mas, talvez possamos pedir um resgate. Como se você estivesse sendo ameaçada. Pode funcionar. - O que? Não pode estar falando sério. Ele ergueu a sobrancelha, demonstrando que estava falando a sério. - Terá que ser assim, querida. Ou seu pai não nos enviara nada – ele disse – Tenho um amigo que pode me ajudar com isso. Assim, ele não colocara os detetives atrás de nós. Alice não estava gostando de como tudo estava se desenhando. E quando chegaram à fazenda dele, sentiu-se mais arrependida. A casa não era tão grande. O local precisava de reformas. Estava com problemas no telhado, no piso. Os móveis eram velhos e gastos. E apenas havia cinco quartos. Não havia uma governanta. Apenas uma cozinheira que vinha apenas a tarde. Não havia também uma pessoa para fazer a limpeza. - Bom, fique a vontade, querida – Edgar disse – Eu vou começar o meu trabalho. Deixei a casa com meu irmão e ele já deve ter dado conta de tosquiar as ovelhas com meu pessoal. Mas, preciso supervisionar tudo. - Edgar, como nós faremos para manter essa casa? – Alice perguntou – Digo, sobre a limpeza. Sobre tudo, na verdade. Preciso de uma governanta. Edgar balançou a cabeça, irritado. - Não temos dinheiro para isso. Você terá que cuidar da casa – ele disse, se virando para sair. - Como assim, eu? – ela disse, histérica – Eu não nasci para fazer isso, Edgar! - Então, deveria ter se casado com o músico – ele disse, secamente – Até mais tarde. Ele fechou a porta da frente e Alice piscou furiosamente. Por que diabos aceitou se casar com ele em Gretna Green? Como daria conta de tudo? Não sabia fazer nada. Não sabia lavar, passar, cozinhar, limpar. Sua vida toda fora criada para ser uma dama e supervisionar o trabalho dos empregados. E não ser a serviçal. * Fora tão fácil enganar Alice. E o músico, com uma cicatriz f**a. Ele conseguiu tirar algum dinheiro do homem e ainda se livrar dele. A essa altura, deveria estar muito encrencado. Mas, isso não era problema dele. Agora, era só enviar a carta. Talvez, não precisasse dizer que a filha foi raptada. Exigiria o dote dela, pois afinal, estavam casados. Ao menos, com o dinheiro que conseguiu roubar do músico, iria reconstruir a casa e investir em sua fazenda. Só precisava tornar Alice mais dócil. E se ela não fosse azar era o dela. Ela não era ambiciosa e isso seria um problema para ele. Era muito ingênua. Mas, se a deixasse sem as coisas que mais amava, como música, vestidos, sapatos e jóias, além de ter que limpar a casa toda e ajudar na cozinha, ela começaria a pensar em colaborar. Se não, paciência. Ao menos tinha uma mulher para esquentar sua cama. * Paris, Hotel Savoy, 1881, Primavera Anne estava inconsolável, pensando no seu pobre Erik. Já fazia semanas e nada mudava. Noticias não havia. E Robert também não sabia mais como ajudar. Ela não queria desistir do seu garoto. Já quase o perdera, por causa de Jenkins. Não poderia perdê-lo mais uma vez. - Querida, não fique assim – Henry pediu, abraçando a esposa, pelas costas, enquanto ela se apoiava na sacada do quarto de hotel – Eu sei que não esta sendo fácil para você, meu amor, mas vamos encontrá-lo. Ele pode estar mais perto do que imaginamos. - E se ele estiver morto? Dentro de uma vala comum? – ela começou a chorar, sem poder se controlar mais – Alice pode ter morrido com ele. Imagine a dor que esta sendo para o lorde Durant agüentar esse golpe. Henry balançou a cabeça. Sabia muito bem que Durant não tinha coração algum. Só deixou que a filha se casasse com Erik, devido a insistência de Robert. Como seu primo era um nobre bem relacionado, Durant não queria perder o prestigio que Londres poderia oferecer. O mais estranho era o noivado estar durando um ano. Erik disse que Alice queria esperar mais. Mas, algo estava muito errado com aquela jovem. Ela não olhava para Erik, com sua Anne olhava para ele. Não havia paixão. Talvez, ela gostasse dele, mas não tanto a ponto de se casar. Contudo, guardou os pensamentos para si mesmo. Só deixaria Anne mais irritada. Robert havia ligado para o quarto deles, pedindo que fossem almoçar juntos. Henrietta estava ansiosa para ver a amiga. Eles almoçaram no hotel. Enquanto Henrietta tentava consolar Anne, Robert dava as noticias sobre o paradeiro de Erik a Henry, quando foram fumar charuto, em outra saleta reservada. - Infelizmente não tenho noticias boas – seu primo, atualmente, estava com vários cabelos brancos. E parecia cansado. Estava bem mais velho para aquelas aventuras. Henry também já estava muito indisposto. Queria voltar para Londres, para seus pacientes. Esperava que seu mais novo aluno e novo médico no hospital não o decepcionasse. Tudo estava a cuidado dele. - É melhor dizer logo, então – Henry pediu, tragando o charuto. Robert suspirou, passando a mão pelos cabelos. - Eu sinceramente espero que não seja verdade. Mas, com a foto que você me deu de Erik, mesmo não sendo a melhor, meu detetive conseguiu descobrir que ele fora visto dentro de um circo de ciganos. Estava dentro de uma jaula. Ao que parece, o lugar foi fechado por uma denuncia. Porque estava mantendo um homem com uma deformidade no rosto, dentro de uma jaula. Além do fato de as condições de trabalho ser desumanas. Henry respirou profundamente. Tinha medo só de pensar que Erik poderia estar lá. Mas, se foi fechado o local, por que não os procurou, ou procurou a policia? Ele manifestou sua pergunta a Robert. - Eu não sei Henry. A polícia foi investigar o caso, não havia ninguém com essa descrição trabalhando lá. Meu detetive confirmou com os funcionários que um homem parecido com Erik estava lá. Mas, ele conseguiu fugir, assassinando seu carcereiro. E ele despareceu. Não há pistas do seu paradeiro. Henry mordeu os lábios, soltando um muxoxo. Aquilo estava sendo pior do que imaginava. O que era estranho era o fato de Erik não ter buscado por eles, ou pela policia. Será que ele estava impossibilidade de fazer isso, ou fora gravemente ferido? Ou não se lembrava de quem era. - Talvez, ele não tenha nos buscado, ou porque morreu, ou porque foi feito de refém, ou talvez, porque esteja desmemoriado – Henry murmurou para si mesmo. - Bom, vamos continuar tentando, Henry. Não vamos desistir – Robert tentou confortá-lo. Henry queria acreditar que sim, mas já estava perdendo as esperanças. Mas, não poderia deixar Anne saber disso. Precisava mantê-la forte para agüentar a situação e não adoecer. * Londres, Mayfair, 1881, Primavera Daphne andava pelas ruas de Londres com pressa. A Editora Harrison era perto de sua casa. A caminhada era de quinze minutos. Ela queria aproveitar aquele momento para ser livre e fazer o que tinha vontade. Queria ir ao Gunter, tomar sorvete, depois a Hyde Park, ver a movimentação e quem saber ir a uma corrida de cavalo. Ela havia juntando dinheiro suficiente para fazer sua aposta. Contudo, Erik estava em seu encalço. E ele parecia não se cansar de segui-la. Andava com confiança, ao lado dela. E petulância. Como ele se atrevia a segui-la, como se fosse seu pai? Era tão irritante. Ela estava gostando tanto dele, quando ele tocava sua música. Ou quando parecia misterioso, ainda mais devido à deformidade que carregava. Ela se perguntava como isso havia acontecido com ele. Será que alguém queimara seu rosto de propósito? Ou ele se queimou, tentando salvar alguém? Seria romântica a segunda opção. Ela gostava mais de pensar assim. - Senhorita, deveria andar ao meu lado – Erik disse – Vão pensar que estou tentando segui-la. E não que estou acompanhado-a. - Ah, nossa, eu nem tinha pensado nisso- ela disse, com ironia – Mas, sabe, o senhor veio porque quis. E porque um enxerido. Ele riu baixinho e tentou agarrar o cotovelo dela. E conseguiu. Passou o braço dela pelo seu e os dois andaram lado a lado. - Pronto, assim está melhor – ele disse, olhando para frente, enquanto andava. Ela precisou desviar o olhar dele, antes que tropeçasse. Ele era muito bonito. E o sorriu que deu era deslumbrante. Mas, ela tentou não pensar nisso. Não pensar nele daquela forma. Queria ser sua amiga, apenas isso. Uma boa amiga. Estava preocupada com ele, de fato. Queria seu bem. E no final, mesmo que ele tenha sido petulante e querer acompanhá-la, mesmo ela não desejando, gostava da presença dele. Enquanto caminhavam até a Editora Harrison, as pessoas em volta olhavam para Erik surpresas, devido a sua mascara branca. Ele era uma atração e tanto em Londres. Muitas olhavam para eles em choque. Outras cochichavam com suas amigas, gostando do que viam. Tentavam imaginar por que tanto mistério, pois a mascara deveria estar escondendo algo. Daph respirou aliviada, quando subiu as escadas, para entrar no prédio da editora. Conversou com a senhorita Janice, secretária do editor, uma jovem de cabelos loiros e sorriso afável. Daphne pediu para falar com o senhor Morgenstein. Ela foi liberada em seguida, quando Janice voltou da sala dele. Acompanha de Erik, ela entrou, carregando a sua pasta com o esboço do retrato de Erik. Ele estava ao telefone, fumando, e parecia estressado. Tinha cabelos escuros e olhos verde musgos. Sobrancelhas grossas e um longo bigode. Olhou para Daphne, reconhecendo-a e sorriu. - Eu ligo para você depois, Tom. Tenho visitas. Não, não me amole, seu velho d***o – ele desligou o telefone e olhou para ela, como sempre, tentando flertar – Senhorita Harris, que prazer em vê-la no meu escritório. Esse é seu noivo? – ele olhou para Erik, com cordialidade. - Não, é meu amigo. E ele é um dos motivos de vir, senhor – ela explicou – Erik, esse é Antony Morgenstein. Antony, esse é Erik...hum... - Eu não sei meu sobrenome, sinto muito – Erik interrompeu ela. Antony arqueou a sobrancelha, sem entender. - Ele está desmemoriado – Daphne explicou. Antony soltou um silvo, com um olhar de pena para Erik. - Sinto muito, rapaz. Mas, se ele esta assim, como vocês se conheceram? Daphne explicou toda a situação de Erik. Sobre ele ter sido atropelado pela carruagem do seu irmão, em Paris e que Erik estava com o rosto desfigurado. E que possivelmente, poderia ser músico, mas não se lembrava de nada da sua vida. Que sabia das coisas básicas, apenas não se lembrava quem ele era. Além de mostrar o esboço que fez dele, pedindo a impressão de mil cópias. Antony analisou o desenho, surpreso. - Sua técnica melhorou muito – ele observou – Estou surpreso, Daph – falou com i********e. Afinal, Daphne não saia da editora, sempre pedindo Antony lhe desse um emprego, ou pedindo que imprimisse panfletos de ideias sufragistas para ela e suas amigas. Ele havia indicado um professor de artes para ela, quando a viu desenhando na sua sala de estar, quando veio para uma visita com lady Klyne. E ali, nasceu a amizade entre os dois. Ela adorava Antony. Era seu amigo mais importante. - Obrigada – ela agradeceu, corando - Então, poderá fazer para mim as impressões? Espero que seja para hoje à tarde. Vou mandar colar por Londres. Espero ajudar Erik e que ele possa voltar para sua família. - E eu prometo reembolsá-la por isso. Deve dar uma pequena fortuna – Erik disse. E Daph percebeu que ele estava segurando seu cotovelo e olhava com seriedade para Antony. - Ah, nada que a senhorita Daphne não possa pagar, não é mesmo, querida? – Antony brincou, piscando para ela. Mas, o olhar de Erik era estranho. Não parecia agradado. Ele nem deveria olhar daquela maneira seu amigo, afinal, não era dono dela. Que coisa mais ultrajante. - Com certeza, o que meu irmão não pode pagar. Ou pode – ela riu. - Exatamente isso. Adoro vocês, meus clientes preferidos – ele piscou para ela. - Bom, se é isso, devemos ir, senhorita – Erik disse. - Não, não é isso, senhor – ela interrompeu – Não estou com pressa de ir. Antony, você quer ir almoçar? Posso esperar você. Antony olhou para ela, com uma expressão engraçada. Parecia que iria rir dela a qualquer momento. - Sabe que não pode me tratar dessa maneira, senhorita. Deve usar o pronome de tratamento – ele disse – Mas, vou almoçar com a senhorita sim. - Você também não usa. E o senhor Erik é mais amigo meu e não vai fazer m*l juízo de mim, vai senhor? – ela olhou para Erik, que a fitava sério. - Eu acredito que o senhor Morgenstein estava certo quanto a isso. Uma dama só deve tratar com i********e seus irmãos. - Ora, mas que ultrajante! – Daphne reclamou, dando uma batidinha no braço dele – Eu prometo que não vou falar de forma tão intima com meu amigo lá fora. - Vocês são noivos, por um acaso? – Erik perguntou, parecendo estar irritado. - Não, por que? – ela respondeu, confusa. - Porque noivos se tratando com i********e, senhorita – Antony explicou, sorrindo amplamente – E querida, nós somos quase isso. Mas, na verdade não. Queira desculpar minha amiga, senhor – ele olhou para Erik – Nos conhecemos há tanto tempo, que nossa amizade é muito profunda. - Sei – Erik murmurou. - Então, vou sair e para você trabalhar, Antony – Daphne disse – Vou levar o meu amigo para passear. Se ele não for m*l humorado. Volto ao meio dia. Ok? - Sim, senhorita – Antony se levantou. Ele os levou até a porta e antes de se despedir, deu um beijo na mão enluvada de Daphne. - Continua linda como sempre – ele piscou para ela – Cuide de Daphne, senhor. Ela é uma jóia rara. - Com certeza eu cuidarei – Erik disse, com um tom ríspido, puxando Daphne para longe do editor. Parecia estar muito irritado. E quando eles saíram da editora, ele a segurava pelo braço, andando rápido demais para os padrões de Daphne. Ela não era tão alta como ele. - O senhor vai me fazer cair – ela protestou. - Me perdoe – ele reduziu os passos, ficando ao lado dela. - O que é que o senhor tem? – ela perguntou, desconfiada – Está com ciúme? - Ciúme? Claro que não. Nós não conhecemos para eu ter ciúme da senhorita – ele respondeu, com a voz estranha. Parecia mentir. - Sei – ela disse, sorrindo – Vamos, eu quero tomar um sorvete. Eu pago. - Eu gostaria que não fizesse isso – ele disse, sério. - Por que não? – ela o olhou de soslaio e percebeu o quanto isso o deixou desconfortável. - Porque eu não quero ser bancado. Já estou sendo por seu irmão, não vou ser mais uma vez pela senhorita – ele respondeu irritado. - Que seja – ela deu de ombros – Eu divido meu sorvete então. - Não pode fazer isso. É indecente – ele disse, com a voz alterada – É impróprio, falta de higiene e... - Por Deus, o senhor é irritante – ela protestou – Por que não vai para casa e me deixa só? Estou me cansando da sua presença. Ele suspirou, parando de andar, a puxando para si. Estavam em uma calçada pouco movimentada. - Me perdoe...eu...não sei o que deu em mim – ele pediu, sincero. Mas, seu rosto demonstrava seu desconforto. Seria por que não estava acostumado com tantas pessoas? Até sua respiração estava errática. - Senhor, acredito que eu deva deixá-lo em casa. Sei que não gosto de estar em multidão e estou preocupada com o senhor – ela disse sincera. - Não, eu vou com a senhorita. Não quero estragar seu passeio – ele disse. - Então, aceita um sorvete? – ela perguntou com um sorriso maroto. Ele sorriu de volta, balançando a cabeça. - Só dessa vez. E quando encontrar minha família, eu a levarei para jantar e a outros lugares que desejar, para compensar sua amabilidade para comigo. E é claro, com sua família. Ela respirou fundo. Havia gostado da ideia de jantar com ele. Mas, só com ele. E poderia ir à ópera. Poderiam até mesmo ficar a sós, somente um olhando para o outro. E seus olhos eram tão bonitos. Duas pedras preciosas. E sua boca era convidativa. - Vamos senhorita? – ele disse, olhando para ela, buscando sua atenção. - Hum...sim, claro. Ela se sentia quente por dentro. Mesmo que não estivesse tanto assim, aquela tarde.
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