- Você está mesmo encantada com esta moça não?
- Laura? Sim ela é única, estou me apaixonando por ela.
Elas caminhavam para seus quartos, Mayra caminhava um passo atrás e ouvindo a constatação de que sim Andrea estava apaixonada, doeu. Ela fechou os punhos junto ao corpo e seguiu o caminho mantendo seu ritmo.
- Você só tem duas semanas para ficar aqui e o que será desta paixão depois?
Sinceramente eu não sei, estou focada em fazer o melhor trabalho aqui. E depois descobrir como será a minha vida com ela.
- E vocês conversaram sobre isso?
- Não, ainda é muito cedo.
Entraram cada uma em seu quarto. Mayra, quando fechou a porta do seu quarto sentiu que tinha um abismo a sua frente. Ela conheceu Paraty um ano antes nas suas férias, e tinha a intenção de apresentar o local paradisíaco para Andrea, mas a moça estava em viagem em outro projeto então aproveitou a estadia na cidade, conheceu os mesmos lugares que Andrea estava registrando em seu diário, para o guia.
Quando teve a ideia de pedir a inclusão da cidade no guia, era exatamente para que Andrea e ela pudessem se encontrar na mesma cidade, e ali sair do tradicional clima europeu e desfrutando os prazeres do continente do sol, falar de sua paixão. No período em que esteve na cidade conheceu Alice, e classificou ela como um amor de férias, não deu muita importância ao sentimento que despertou na jovem cantora, pois acreditava que não mais a veria e de fato não pensou nela neste último ano.
Como a vida era irônica, tratou de colocar todas no mesmo local. Quando chegou no restaurante esperava encontrar uma Andrea encantada com a cidade, louca para falar dos pontos turísticos como ela sempre fazia quando falava de suas viagens antes de finalmente enviar o manuscrito para ela avaliar e mandar para edição. mas essa versão apaixonada de Andrea era nova e um mistério, se ela soubesse que isso poderia acontecer jamais teria enviado Laura como fotógrafa, ela sempre tomou este cuidado, de sempre enviar fotógrafos masculinos, sim fazia a seleção por gênero, pois sabia das preferências da repórter e preferia manter ela longe de pessoas que pudessem fazer ela se apaixonar. Quando selecionou Laura, teve certeza que não corria riscos, verificou o histórico dela e sabia que ela tinha um relacionamento em Nova York onde morava. Então só pude concluir que como ela a um ano atrás, Andrea estava sendo o amor de férias dela.
E seria perfeito estar por perto para cuidar dela, quando ela fosse abandonada. Por hora estaria atenta a esta rival, e faria Andrea entender que não estava apaixonada e sim vivendo um momento.
Ela nutria essa paixão por Andrea desde a sua contratação, talvez por isso ela tenha sido contratada, sempre fora muito profissional, respeitando o espaço profissional que tinham, construíram uma amizade e as coisas seguiam naturalmente, falavam de seus envolvimentos e paixões ocasionais, Mayra falava mais para reafirmar o seu desinteresse na jornalista, e Andrea vivia em um mundo à parte onde não existia nenhum sentimento afetivo no sentido de romance com a sua editora.
Mayra estava no banho, sabendo que o objeto de seu desejo estava tão próxima e ainda assim tão distante de saber que era a eleita de seu coração, pensava consigo, era uma festa com estranhos então ela poderia se perder com algumas pessoas, talvez com Alice, sem ter que tirar os olhos de Andrea, ela precisava fazer saber que Laura tinha um relacionamento fixo e que Andrea era só uma diversão. Mas se partisse dela esta informação ela talvez nunca mais fosse perdoada.
Escolheu para a noite fresca do Brasil um look básico composto por calça jeans e uma camiseta regata feminina branca que evidenciava as curvas dos seus belos s***s, nunca foi de carregar na maquiagem, e ainda assim era uma mulher bela. Perigosamente bela, e apesar do visual simples, estava vestindo-se para atacar.
Ficar no quarto aguardando que Andrea fosse a seu encontro era sufocante, então ela preferiu descer até a recepção, onde podia ver o movimento das pessoas que voltavam de seus passeios diários e podia ouvir a música tocada no restaurante ao lado onde elas estiveram na noite anterior.
Sentou em uma poltrona um pouco afastada, estava escondida entre mesas e estantes apreciando a música que vinha do restaurante ao lado, não era Alice que estava tocando, mas a vós era tão boa quanto, se permitiu aproveitar o momento, curtir o som e deixar o tempo passar enquanto esperava.
Ela nutriu por anos uma paixão por Andrea e agora assistia a ela se apaixonar por uma garota que tinha um relacionamento, não era justo ela assistir a sua amada ter o coração dilacerado, não quando estava tão feliz e encantada com a beleza latina da outra, se lembrou que no ano anterior também se encantou com a beleza e os encantos de Alice, pelos mesmos motivos, a garota tinha sabor de sol. Se tivesse ficado no país como foi pedido, talvez transformasse a paixão em algo mais duradouro, mas foi só voltar para a Espanha e ver Andrea, para se esquecer que uma vez tinha estado em Paraty.
Ela viu uma sombra se aproximar e uma taça de vinho ser estendida em sua direção, olhou para a oferta e seguiu o braço que vinha com o cálice e encontrou o sorriso de Alice.
- Você estava tão longe, nem me viu se aproximar.
- As vezes me perco em pensamentos.
- Acontece com a maioria das pessoas. Então eu posso beber os dois, mas a regra diz que devemos compartilhar.
- Ah, claro. Obrigada - disse aceitando a taça. Um brinde.
- No vinho estão as verdades.
As duas recostaram-se no sofá e ficaram se encarando faltavam respostas entre elas e Alice tomou a iniciativa.
- A um ano atrás você se apaixonou por mim, tivemos dias maravilhosos aqui, assim como Andrea e Laura. E aparentemente isso te incomoda.
- É um amor de temporada.
- Nós fomos isso? Um amor de temporada?
- Eu ainda gosto muito de você, mas o tempo fez algumas coisas mudarem. Eu voltei pra casa e perdi o contato com o meu tempo no paraíso. A vida seguiu como deveria e voltei quando pensei ser seguro para o meu coração.
- Mas, esta aqui agora e percebeu que continua apaixonada pela sua funcionária.
- Como? Como você soube?
- Eu vi a forma como você olha para ela. Você gosta muito dela, mas não quer que eu saiba. Não quer que ela saiba.
- Ela não precisa saber. Ela esta apaixonada. Ela precisa viver esta paixão.
Mayra falava olhando hipnotizada para a moça que aparecia no corredor, vestindo um vestido estilo macaquinho amarelo que lhe acentuava as curvas e vinha acompanhado de um sorriso feliz ao ver a chefe e a irmã de sua namorada ali tão perto e íntimas.
- Que bom que ja estão aqui. Podemos ir então?
Alice olhava para Mayra que mais uma vez parecia em outro lugar, o coração doeu, mas ela tocou a mão da outra e a trouxe para a realidade.
Seguiram no carro de Alice e iriam encontrar Laura lá, não tinha necessidade da outra se deslocar para a pousada sabendo que iriam todos para o mesmo local.
Mayra seguia calada no veículo ao lado da motorista Alice que após trocar algumas palavras também se calou. No banco de trás Andrea digitava freneticamente em seu celular, quase não levantava a cabeça, quando perguntada sobre o que ela escrevia ela disse que estava finalizando o artigo, tinha pressa, mas não deu mais detalhes. Mayra conhecia esta veia jornalística a moça era capaz de produzir grandes títulos em horas desde que estivesse focada e neste caso nem os solavancos da estrada sinuosa que pegaram a interrompeu, ele sempre observadora estava agora atenta às palavras que escrevia em seu celular.
Não percebeu onde chegou até o carro parar e a sua porta ser aberta, olhou para fora e viu um rapaz com um sorriso simpático lhe estender a mão, olhou e viu que suas acompanhantes já estavam do lado de fora de mãos dadas e se encarando então também estendeu a mão para o jovem que tinham conhecido naquela tarde e ele as conduziu para dentro da casa.
A festa acontecia nos fundos da casa na área da piscina. Quando chegaram na área o som que tocava um samba brasileiro gostoso para se ouvir com amigos foi gradativamente baixando e dando espaço para o uau em uníssono, ela era o motivo do mutismo automático só então percebeu que estava muito arrumada para uma festa entre amigos. Vestia um longo amarelo que realçava sua pele e o tom dos olhos, tinha os ombros à mostra com a alça do vestido e um colar colorido cobria o colo de seus s***s. Toda a preparação foi para evidenciar o presente que tinha recebido mais cedo de Laura.
Quando tentou esboçar alguma reação, palavras que pudessem justificar a elegância foi surpreendida por um abraço em sua cintura, vindo por trás, mas já conhecia o toque suave da sua amada, então deixou-se abraçar.
- Você está linda, a noite nos promete muito. Venha vou te servir uma bebida.
- Pensei que você fosse vir mais tarde.
- Eu vim mais cedo, me ofereci para ajudar. Aqui eles têm o hábito de fazer saraus e é tudo organizado de forma coletiva. Vou pegar bebidas para nós.
Pegaram suas bebidas e se voltaram para a roda que estava se formando o sarau esta prestes a começar, a noite estava agradável propícia para a reunião a luz da lua, as duas buscaram lugar próximo a Amara e Alice, que já estavam sentadas em almofadas que foram deixadas no chão.
O palco e o microfone estavam abertos, cada um podia tomar posse do local e instrumento que quisesse e doar um pouco do seu talento, a noite começou com a apresentação do anfitrião e uma roda de poesias, como eram faladas em português Andrea conhecia pouco, mas estava encantada com a sonoridade da pronúncia, se perguntava se este tipo de evento era cotidiano, e algumas pessoas se explicaram que era um hábito em grupos culturais diversos.
Em dado momento Alice pegou um violão que estava ao canto e se dirigiu ao palco, algumas pessoas já a conheciam da noite e ficaram muito felizes de ver que ela doaria um pouco do seu talento para abrilhantar a noite.
- Olá, boa noite, alguns de vocês já me conhecem e sabem do meu repertório musical, mas hoje gostaria de fazer algo diferente, vou cantar a música de uma cantora que eu também admiro, na verdade toda vez que ouço, penso que é uma declaração de amor, então esta noite cantarei sobre o amor, as diversas formas de amor como descreve Ana Carolina.
A voz da moça tomou conta dos ouvidos presentes, casais se entreolhavam apaixonados entre eles Andrea e Laura, o que não passou despercebido por Mayra, que via o toque sutil das mãos das jovens apaixonadas embaladas pela música,
Laura desceu suas mãos pelas costas de Andrea, um gesto íntimo de mãos que passeavam em território conhecido e tinha a permissão de estar ali. Andrea recostou sua cabeça no ombro da outra para curtirem o momento mais juntas. O repertório era lindo, apenas canções de amor, Alice esteve no palco por trinta minutos entre músicas e aplausos e quando se preparava para sair Laura se levantou e beijou rapidamente os lábios de Andrea e correu para o palco, falou baixo no ouvido da irmã que retornou para o banco que ocupava e mais uma vez dedilhou o violão.
Me desculpem invadir assim e forçar a minha irmã a continuar no palco. Parece que vocês estavam gostando então criei coragem para dar uma palinha. Na verdade eu só canto em casa, no banheiro que tem uma ótima acústica, então peço desculpas.
Essa declaração levantou risos e aplausos na plateia.
- Andrea é para você.
Acordes suaves foram ouvidos e ela ao invés de cantar declamou a canção, soava direto de um coração para o outro as duas estavam presas no olhar, é como se ninguém mais ali tivesse forma ou importância, Andrea se levantou e caminhou em sua direção, a passos lentos como que hipnotizada. Quando Laura terminou de declamar a canção, tinha as mãos de Andrea envolta em sua cintura e os lábios dela sobre o seu. O público amou a performance, todos gritavam como se a seleção brasileira tivesse feito um gol.
Elas agradeceram e então deixaram o palco e buscaram um lugar reservado, não voltaram para onde estava Mayra, que as via se afastar com um olhar indecifrável. Alice se aproximou e tocou em seu ombro, receosa se deveria tentar mais que um sutil toque.
- Você está bem?
- Eu poderia dizer que sim, mas estaria mentindo.
- Podemos sair daqui, se você quiser um lugar mais reservado.
- Alice, eu gosto de você, se o momento fosse outro, eu adoraria continuar de onde paramos, mas agora sinto que errei com você, errei em ter enviado Andrea para este país e errei em escolher Laura como fotógrafa, preciso ficar só.
- É tão forte isso o que você sente por ela assim?
- Não, porque eu sei que nada vai acontecer, mas não estou me sentindo bem. Vou voltar para o hotel.
- Vamos eu te levo, aqui não tem taxi.
Andrea e Laura trocavam juras em outro canto da casa e não viu quando as duas saíram, estavam presas uma no abraço da outra decidiram também não se demorar muito por ali e seguiram para a casa de Laura, onde continuaram o momento de amor que haviam iniciado após a declaração de Laura.
- Você acredita em amor à primeira vista Andrea?
- Eu não tinha pensado nisso até te ver ali diante de mim, de forma ousada sentando em minha mesa.
- Agora posso confessar que nem sempre sou tão ousada assim, mas não consegui resistir ao impulso que me levava até você.
- E você acredita que este romance vai além deste momento que estamos tendo aqui?
Laura pensou, sentiu medo de responder a essa pergunta e não o fez, a calou com um beijo e voltaram as carícias. Andrea entendeu que a moça fugiu da pergunta, mas escolheu não a repetir, se permitiu voltar para os braços da outra e ali repousaram.
Foi uma noite tranquila para as duas conheciam o sentimento que dividiam e sabendo que os dias que tinham juntas na cidade estavam acabando, tentava tirar o máximo proveito uma da outra, foram acordadas por batidas ansiosas na porta do quarto. Era Gabriel que trazia consigo dois copos de suco em uma bandeja.
- Minha mãe avisou que o restante do café é na cozinha.
- Ainda é madrugada Gabriel, nós praticamente começamos a dormir agora.
- Dia de pescaria.
- Ah verdade, eu tinha me esquecido.
- Eu sei, por isso vim te chamar.
Ela adorava o garoto, e ele levava as promessas dela a sério, e tinha dito a ele quando chegou na cidade que fariam a pescaria naquela data, muita coisa aconteceu nesse ínterim mas palavra dada não se volta atrás. Era praticamente o último dia do contrato como fotógrafa, ela tinha que organizar as fotos que tinha tirado e enviar para o escritório de Mayra, poderia fazer isso no fim do dia, pois mantinha suas coisas organizadas, acordou Andrea passando o copo de suco gelado or entre seus belos s***s que estavam amostra aquele misto de voltar a provocar a moça e mais uma vez fazer amor, ou se levantar e ir fazer as vontades do garoto. A segunda opção teve mais força e assim que Andrea abriu os olhos recebeu um beijo e um copo de suco.
Levanta, temos quinze minutos antes do Gabriel bater na porta. De novo.
- Ele já bateu antes? - Perguntou sonolenta.
- Sim, vamos pescar hoje.
- Pensei que iríamos ficar o dia todo na cama.
- Mudança de planos, ele me lembrou que prometi pescar com ele.
- E você pesca?
- Não, não levo o menor jeito, mas é um dia ao ar livre dentro de um barco, fazendo uma criança feliz.
- Ok, você me conquistou no dia ao ar livre.
Se levantou e correu para o banheiro onde tomaram banho juntas, foi rápido e cheio de provocações mas estavam prontas para sair, desceram juntas, ambas com um largo chapéu, seguiram para a cozinha onde encontraram a mesa para o café e uma cesta com mais guloseimas para levarem. O garoto já esperava ansioso na caminhonete junto ao pai enquanto a mãe ajudava as moças a tomarem café.
- Desta vez você vem com a gente Maria?
- Nada me faz entrar num barco minha filha, vou ficar aqui e preparar o almoço.
- Ela nunca entra no barco, nem mesmo com ele parado no ancoradouro, não confia.
- É mais seguro que andar de avião.
- Também não ando de avião não.
Laura riu e beijou a mulher que as mandava usar o colete salva vidas. Colocaram a cesta no banco de trás e seguiram para a saída da casa, buzinando para Antonio indicando que já estavam prontos para seguir, e assim os dois veículos seguiram para a marina.
O dia amanhecia com o céu azul uma promessa de um dia ensolarado. Quando embarcaram o garoto já sabendo de suas funções foi preparar as varas e iscas, era uma atividade que ele realmente gostava, se sentia integrado e interagindo com a natureza, sabia que se não se empenhasse não teria a iguaria para o almoço. Laura, gostava destes momentos com o garoto, apesar de se esforçar para todas as vezes não ter peixe no seu anzol, gostava de comê-los, mas não se sentia à vontade para pescar. Para Andrea era uma novidade pescar no Oceano Atlântico, mais uma coisa interessante para anexar no seu roteiro.
Enquanto o capitão, estava a volta com os afazeres da embarcação, elas se voltavam para o deck onde ajudavam Gabriel na arrumação de cadeiras. O barco seguia calmo e silencioso pelas águas claras do litoral até alcançar a área de pesca, era possível ver outros barcos posicionados a curtas distâncias, alguns conhecidos da tripulação.
- A partir de agora temos que fazer o máximo silêncio possível ok.
O garoto instrui Andrea, por ser a primeira vez dela, e ele se sente como a pessoa mais experiente do local.
- Sim senhor, farei silêncio.
Ela respondeu dando uma piscada para Laura, que sorriu de volta e mandou um beijo junto.
Linhas lançadas ao mar e o silêncio se fez, Andrea de posse de seu teclado prestava mais atenção à tela do que pescaria a que deveria se dedicar, Laura disfarçadamente tirava fotos da garota de forma silenciosa com o celular, assim como fotografava o garoto, o único realmente focado na pesca. Ele parecia meio frustrado porque via que nos outros barcos as varas subiam com peixes e para ele ainda nada, e as duas moças não estavam trabalhando muito em nome do almoço que ele tanto esperava, os peixes ali naquela região tendiam a ser grandes, ele visualizava o assado que a mãe faria, mas isso só aconteceria se o peixe se animasse a aceitar a isca, se perguntava o que os outros pescadores estavam colocando em seus anzóis. O pai vendo o garoto angustiado, gritou da cabine “pão” e o menino rapidamente trocou a isca dos três anzóis lançados ao mar e magicamente começou a movimentação em volta do barco. Ele abriu um sorriso e esperou ansioso a primeira fisgada. Que veio simultaneamente em duas varas, forçando as duas a largarem o que faziam e ajudar o garoto, o pai também apareceu.
Entre gritos e risadas, três peixes grandes subiram para a embarcação, digno de fotos, Laura queria soltar um, como ela sempre fazia, mas não foi autorizada, pois foi informada que teriam visitas para o almoço e a ordem era levar tudo o que eles pescaram. Antônio não soube dizer quem era, mas uma vez com a missão do dia cumprida, deram meia volta e seguiram para a marina.
Chegando lá encontraram com Mayra e Alice, que reclamaram de perder a embarcação e por isso as esperaram.
- Alice você ligou em casa?
- Sim e confirmo que nos juntamos para o almoço.
Pronto, questão visitas para o almoço, resolvido. Seguiram em carreata para casa de Laura, entraram pelos fundos já deixando os veículos na garagem e indo para a área da piscina, os peixes já haviam sido limpos no barco, cabia então a Maria preparar. As meninas ofereceram ajuda mas foram expulsas da área da cozinha, então sem alternativas colocaram seus biquínis e foram para a piscina.
As quatro saíram rindo da bronca em tom de brincadeira que levaram, quando chegaram lá viram que Laura estava estática olhando o belo rapaz que bronzeava a beira da piscina. Alto, corpo atlético bem formado, estava alheio ao que se passava à sua volta, pois usava fones de ouvido e tinha os olhos fechados. A mudança na postura de Laura era visível, Andrea pegou em sua mão e ela estava gelada, provavelmente nem sentiu que foi tocada, seguia mecanicamente em direção ao rapaz.
- Tommy? O que faz aqui?
Ela fez sombra sobre ele, só então ele abriu os olhos e tirou os fones, e quando a viu se levantou prontamente em sorriso aberto e abraçou, dando-lhe um beijo longo e afetuoso em seus lábios, ela não teve como desvencilhar e acabou por aceitar o beijo que lhe foi roubado, atingindo em cheio o coração de Andrea que olhava a cena com os olhos banhados em lágrimas silenciosas.
Virou para a mesma porta que tinham acabado de passar e encontrou com todos olhando para ela, mais uma vez, segurou o coração, como se fosse possível ele saltar do peito, segurou mais um soluço de lágrimas e tentou escapar o mais rápido, antes que mais alguém visse a sua humilhação. Pegou sua bolsa que estava sobre uma das cadeiras e olhou no painel perto da porta em busca de uma chave, pegou a mesma com as mão trêmulas e correu para a garagem, tentava abrir a porta do carro, quando teve a sua mão segura por Alice.
- Você precisa ter calma, ela vai explicar o que acontece.
- No es necesario, lo vi. ella accedió a besar a ese hombre!
- Sim, mas foi ele quem a agarrou.
- Ela não me falou que estava com alguém, qué tonto fui. ¿Cómo dejarme engañar? Preciso sair, se não me deixar dirigir, me leva. Agora!
- Eu vou junto.
Mayra, entrou no banco de trás e Alice não teve alternativa se não levá-las, uma vez a caminho da pousada, as lágrimas que estavam represadas explodiram junto com o choro, ela respirou, virou para o banco traseiro e disse.
- Eu quero sair desta cidade agora, como eu saio?
- E quer ir para onde?
- Longe.
Mesmo sabendo que faria o mesmo se estivesse no lugar de Andrea, Alice tentou dissuadi-la do intento, ainda assim sem sucesso. Ela entrou direto para o seu quarto fez a mala, não tinha mesmo muito o que colocar, desceu para encerrar a conta e descobriu que já estava tudo acertado e havia um carro de aluguel a aguardando para levar ela onde quisesse. Não viu Mayra ou Alice por ali, também não procurou por elas. Apenas saiu sem olhar para trás.