10 - Uma Morte Teatral

1084 Palavras
Roman Ostrov Olhei em volta, estudando o estado da cela. As roupas do homem estavam sujas e rasgadas, indicando que houve uma luta antes de sua morte. Então, algo chamou minha atenção. Uma tatuagem no peito do homem, parcialmente coberta pelo sangue. Uma águia... usando uma coroa. Meus olhos se arregalaram enquanto a realidade me atingia como um golpe bem cravado no coração. Aquele homem... não era apenas o alvo. Ele era o chefe da Bratva. A águia coroada era um símbolo sagrado, reservado apenas para o líder supremo. A revelação me fez cambalear para trás, o coração disparado no peito. Um turbilhão de pensamentos inundou minha mente. Nikolai e meu pai, Ivan, não estavam testando minha lealdade... eles estavam conspirando contra a Bratva. Por isso eu nunca fui apresentado à cúpula da organização. Por isso, meu juramento de lealdade havia sido adiado por tanto tempo. Eles não queriam que eu soubesse a verdade, que eu entendesse a profundidade de sua traição. Eles queriam que eu cometesse o maior crime que um homem da Bratva poderia cometer: trair a organização que juramos proteger. Eles me usaram. Manipularam a minha vida inteira para me fazer m***r o próprio chefe da Bratva. Eu fui uma peça em um jogo muito maior, um peão sacrificado em uma conspiração que ia contra tudo que eles juraram honrar. De repente, o som de passos apressados ecoou pelos corredores. Levantei-me rapidamente, ainda tentando processar a verdade. Dois guardas apareceram na porta da cela, suas expressões duras e severas. — Roman Ostrov — um deles disse, com a voz firme e autoritária. — Você não pode mais ficar aqui. Eu os encarei, confuso e furioso. — O que você está dizendo? O outro guarda se aproximou, com um olhar grave. — Você será julgado e condenado pelo conselho da Bratva — ele disse friamente. — Você assassinou o chefe da máfia, o Chefe Supremo da Bratva. Todos vão acreditar que foi você. As palavras dele me atingiram como um soco. Eu soube, naquele instante, que tudo havia sido cuidadosamente planejado. Nikolai e Ivan me jogaram no centro de uma trama de traição que jamais imaginei. Eu havia sido manipulado desde o início, e agora, estava sendo acusado do crime mais grave dentro da Bratva. — Eu não o matei! — rosnei, os olhos fixos no guarda, a raiva queimando dentro de mim. — Não importa — o guarda respondeu com frieza. — O que importa é o que o conselho vai acreditar. E para eles, você é o assassino. Meu sangue fervia. O conselho não me ouviria, não depois que a verdade fosse distorcida e o nome do verdadeiro traidor, Nikolai, ficasse oculto nas sombras. Não restava outra opção. Eu precisava sair dali e encontrar uma maneira de reverter esse cenário. Eles me queriam morto, queriam que eu levasse a culpa para encobrir sua própria traição. A estrela tatuada em meu joelho parecia queimar mais intensamente do que nunca. Poder, respeito, fidelidade, vingança, sacrifício. Essas eram as palavras gravadas em minha pele, e agora, mais do que nunca, eu sabia que tinha que honrar o verdadeiro código da Bratva. Mas para isso, eu teria que lutar contra tudo e todos. Fui arrancado da cela com brutalidade, os guardas me algemaram nas mãos e nos pés. O metal frio e apertado mordia minha pele, mas a dor física era insignificante perto da raiva que queimava dentro de mim. Eles cobriram meu rosto com um capuz grosso, mergulhando-me na escuridão total. O mundo ao meu redor ficou reduzido a sons abafados e passos firmes ecoando nos corredores. Eu sabia que estava sendo levado ao conselho da Bratva, mas não nas circunstâncias que imaginei. Não como um m****o respeitado, mas como um prisioneiro, um homem marcado para ser julgado e condenado. Eu sabia que, para eles, eu seria o traidor, o assassino do Chefe Supremo. O veículo que me transportava sacudia violentamente enquanto seguíamos para o destino desconhecido. Cada solavanco me trazia mais raiva, mais fúria contida. Meu coração batia rápido, não pelo medo, mas pelo desejo implacável de vingança. Eles pensavam que poderiam me derrubar, me sacrificar para encobrir suas próprias traições. O som dos freios indicou que havíamos chegado. O silêncio que seguiu parecia mais ameaçador do que qualquer palavra. Eu não podia ver nada, mas ouvia claramente o som das portas se abrindo e dos soldados da Bratva ao redor, como sombras invisíveis. Fui arrastado para fora do veículo, cada movimento controlado pelos soldados que me seguravam com força. O chão de pedra sob meus pés ressoava com o peso das minhas correntes. O capuz sufocava meus sentidos, me forçando a depender apenas dos sons e do ambiente ao redor. Mas então, uma nova ordem foi dada, e a voz de um dos soldados cortou o silêncio com frieza. — Ponha uma mordaça na boca dele. Eu não tive tempo de reagir. Em questão de segundos, uma mão áspera segurou minha cabeça com força, e senti algo sendo amarrado em volta da minha boca, apertado demais, sufocante. A mordaça me impedia de falar ou de me defender. Era claro que eles não queriam que eu dissesse uma palavra diante do conselho, o veredito já havia sido dado. O silêncio ao meu redor se tornou ainda mais pesado, opressivo. Eu estava sozinho no centro de uma armadilha cuidadosamente construída por Nikolai e Ivan. Eles haviam orquestrado tudo, manipulando a Bratva de dentro, e agora me apresentavam como o traidor. Meu coração pulsava com ódio e desprezo por aqueles que deveriam ser leais ao código. Retiraram o capuz da minha cabeça, os meus olhos aos poucos se adaptaram à claridade do grande salão. Os soldados da Bratva me arrastaram sem cuidado, meus pés m*l tocando o chão. Sentia o suor frio escorrendo pela testa enquanto as amarras prendiam meus braços a um gancho no teto, suspendendo-me de modo que m*l podia apoiar o peso do corpo. Eu sabia onde estava. No coração da Bratva, onde decisões definitivas eram tomadas. A reunião já estava em andamento. Meu pai, Ivan Ostrov, estava de pé no centro, discursando diante do conselho. Sua voz, alta e cheia de confiança, reverberava pelas paredes de pedra da sala. — Meu filho, Roman, não sabia quem era Mickail Romanov quando o matou — Ivan começou, movendo-se com teatralidade enquanto falava. — O fato de Mickail Romanov ter sido preso já era o começo da ruína do antigo chefe. Nós, como conselho, concordamos há muito tempo que ele precisava ser substituído.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR