11 - O Herdeiro Escondido

1266 Palavras
Roman Ostrov Houve um burburinho entre os capitães presentes. Olhei em volta, ainda amarrado e mudo, mas pude perceber os rostos de homens que nunca tinha visto pessoalmente, mas cujas reputações os precediam. Estes eram os homens mais poderosos da Bratva, cada um com um território e uma legião de seguidores leais. Nikolai fez questão de apresentar todos eles, mas os seus nomes já haviam sido citados na prisão, assim como os seus feitos. Sergei Volkov, Capitão de São Petersburgo, era um homem de meia-idade, corpulento e com olhos frios e calculadores. Ele estava sentado com os braços cruzados, seus dedos acariciando distraidamente a tatuagem de uma caveira em sua mão. Ao seu lado, Dmitry Kozlov, o líder brutal de uma das maiores facções de Moscou, observava Ivan com desconfiança. Dmitry era conhecido por ser impiedoso, seus olhos eram como punhais, sempre prontos para perfurar quem se metesse em seu caminho. No canto mais distante da mesa, Boris Petrov, um homem magro e de olhar astuto, que controlava o lucrativo contrabando de armas da Sibéria, parecia entediado. Ao lado dele, Alexei Sokolov, Capitão de Vladivostok, um ex-combatente militar que agora gerenciava os portos e a distribuição de contrabando no Extremo Oriente russo, se mantinha em silêncio, mas seus olhos pareciam pesar cada palavra de Ivan. Ivan continuou com seu discurso, cativando o conselho com sua retórica. — Mickail Romanov, embora poderoso, já havia se tornado um símbolo do passado, um obstáculo ao futuro da Bratva. E, além disso — Ivan fez uma pausa dramática, olhando ao redor da sala antes de continuar — o homem não tinha filhos homens para garantir a dinastia dos Romanov! Isso não podemos ignorar. Sem uma sucessão clara, a liderança se torna instável. Não devemos nos prender a fantasmas do passado. Alguns dos capitães assentiram discretamente, concordando com as palavras de Ivan. Mesmo assim, eu podia sentir a tensão na sala. Embora houvesse apoio para a substituição de Romanov, também havia um desejo de punição. Muitos queriam ver sangue. Nikolai, o conselheiro, estava de pé ao lado do meu pai, suas mãos cruzadas atrás das costas, com seu semblante frio e distante como sempre. Ele deu um passo à frente, interrompendo o fluxo das palavras de Ivan. — O conselho exige punição para o culpado — Nikolai disse, sua voz cortante. — No entanto, antes de decidirmos sobre qualquer condenação, precisamos primeiro resolver outra questão crucial. Quem será o próximo chefe da Bratva? — Suas palavras pairavam no ar, como uma espada afiada. Ivan endireitou a postura, um brilho de excitação em seus olhos. Ele havia esperado por esse momento, era nítido. — Eu me candidato para ser o próximo chefe da Bratva — declarou Ivan, com a voz cheia de confiança. Ele pegou alguns documentos e relatórios de sua maleta, mostrando-os com entusiasmo ao conselho. — Tenho relatórios detalhados sobre como reorganizar nossa estrutura e fortalecer nossos territórios. A Bratva precisa de um líder que possa unificá-la e conduzi-la ao futuro. Tendo cumprido o meu papel como seu Sub-chefe com grande êxito, é natural que eu seja o sucessor de Mickail Romanov. Os capitães murmuraram entre si, alguns acenando com a cabeça. Ivan sempre fora um estrategista ambicioso e, para muitos, ele era uma escolha óbvia. Mas então, Nikolai deu um passo à frente, sua expressão impassível. Ele ergueu a mão, interrompendo os murmúrios. — Eu também me candidato — disse Nikolai, sua voz tranquila, mas firme. — Como conselheiro, sempre servi à Bratva com dedicação e lealdade. Conheço seus segredos, suas fraquezas e seus pontos fortes. Fui o braço direito de Mickail Romanov durante todos esses anos, e quem melhor para sucedê-lo do que alguém que sempre esteve ao seu lado? A declaração de Nikolai fez o ambiente na sala mudar. Os olhos dos capitães se voltaram para ele, alguns impressionados, outros cautelosos. A disputa pelo poder estava clara agora. Ivan e Nikolai digladiando deliberadamente pela cadeira do Chefe Supremo que sequer havia sido enterrado. Sergei Volkov trocou um olhar com Dmitry Kozlov, e ambos pareciam pesar suas opções. Alexei Sokolov, sempre cauteloso, observava a situação com interesse, mas sem revelar suas intenções. — A votação será feita — declarou Nikolai, a voz final. — Antes de decidir o destino de Roman, devemos decidir quem guiará a Bratva daqui em diante. O barulho de vozes ecoava pela sala enquanto os homens discutiam calorosamente sobre a morte de Mickail Romanov e minhas possíveis motivações. Meu pai, Ivan Ostrov, gesticulava com fervor, seus movimentos amplos e cheios de convicção, tentando persuadir os homens ao seu redor. — Isso foi apenas uma briga! — Ivan gritou, sua voz ecoando pelas paredes. — Mickail Romanov era fraco! Ele caiu porque não tinha a força que se espera de um verdadeiro chefe da Bratva. Que tipo de líder não sabe se virar em uma prisão? Esse é o mínimo que esperamos de nossos soldados, imagine de um chefe! Os capitães murmuravam entre si, alguns concordando, outros trocando olhares significativos. Havia muitos interesses em jogo, e a morte de Romanov trouxe à tona o desejo de cada um por mais poder, mais controle. Para alguns, a liderança de Ivan representava estabilidade e poder renovado. Para outros, ele era uma ameaça a seus próprios territórios. Então, um dos capitães, Sergei Volkov, ergueu a voz. Sua presença era imponente, e quando ele falava, todos escutavam. — Ivan — começou Sergei, sua voz firme — por que você escondeu a existência de seu próprio filho por tantos anos? Um herdeiro de sangue da Bratva deveria ter sido apresentado a nós há muito tempo. Ter sido iniciado aos dezoito anos como manda o código. Por que mantê-lo nas sombras? O silêncio que se seguiu foi opressor. Eu podia ver meu pai hesitar por um breve segundo, mas logo ele recuperou a compostura. Seu olhar percorria a sala enquanto respondia, sua voz cheia de confiança. — Pretendia apresentá-lo no momento certo — Ivan disse, com um tom que deixava claro que ele acreditava plenamente em suas palavras. — Nos últimos anos, todos vocês sabem que a Bratva vinha perdendo respeito, enfraquecida por uma liderança que não mais impunha o medo e a admiração que já tivemos. Romanov era o passado, uma sombra do que a Bratva deveria ser. Meu filho, Roman, estava sendo preparado para ser apresentado como o herdeiro que traria de volta o respeito e o poder da nossa organização. Mas o momento certo nunca chegou... até agora. — Até o seu próprio filho assassinar o Chefe Supremo! Não precisamos de uma votação. Já que o poder foi tomado por Roman Ostrov, então que ele ocupe o lugar de Mickail. — Sergei Volkov, chacoalhava os braços inconformado. — Devemos concordar que o garoto tem coragem. Apenas encaro o homem com frieza. Aqueles homens afobados e atrapalhados, não era bem o que eu esperava encontrar no conselho da Bratva. Houve um murmúrio de aprovação em algumas partes da sala. Alguns dos capitães assentiam, como se vissem lógica nas palavras de Sergei. Outros, no entanto, permaneciam céticos. A tensão era palpável, e o destino da Bratva estava prestes a ser decidido. Nikolai, que até então havia permanecido em silêncio, deu um passo à frente, pronto para tomar o controle da situação. Com um gesto firme, ele ergueu as mãos, silenciando os murmúrios e as discussões ao redor. — Está na hora de votar — disse, de forma incontestável — Esta organização precisa de um novo chefe. Não podemos mais perder tempo com disputas. Os candidatos estão claros: Ivan Ostrov e eu, Nikolai, conselheiro de Mickail Romanov. Que comece a votação.
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