16 - Mais uma vez quebrada...

1030 Palavras
Donatella Romanova Ivan manteve seus olhos fixos nos meus, esperando por uma reação, mas tudo o que ele encontrou foi um silêncio inabalável. Eu podia ver o brilho de frustração crescer por trás daquele olhar gélido, como se não conseguisse entender o motivo da minha apatia. A verdade é que, por dentro, algo em mim já estava morto há muito tempo. Só que ninguém havia percebido. — Todos vocês, saiam. — A voz de Ivan soou firme, cortando o silêncio da sala com uma autoridade que não deixava margem para questionamentos. Ivan relaxou o aperto no meu braço, mas não se afastou. Seus olhos percorreram meu rosto com uma mistura de curiosidade e apreciação. O silêncio entre nós se alongou por alguns instantes antes que ele quebrasse com um tom quase pensativo, como se estivesse refletindo em voz alta. — É curioso... — Ele murmurou, inclinando a cabeça levemente, avaliando cada detalhe. — Com essa sua beleza angelical, esse rosto delicado... — Ele tocou meu queixo com dedos ásperos, deslizando a mão lentamente pela minha pele, como se quisesse saborear a sensação. — Eu me pergunto como Mikhail foi tão t**o a ponto de não fazer o óbvio. Virei o rosto, tentando evitar seu toque nauseante, mas ele apertou meu queixo com mais força, forçando-me a encará-lo. — Responda. — Ele foi incisivo em seu questionamento e a garota perdida voltou, a dor voltou como uma avalanche. A minha cabeça girava e eu não sabia exatamente o que ele queria ouvir. Anastacia, minha mãe, sempre me ensinou a dizer o que as pessoas queriam ouvir. Dizer "eu te amo", mesmo quando tudo o que sentia era nojo e desprezo. Mas ali, diante de Ivan, fiquei sem palavras, atordoada. Ele estava se divertindo com o desespero que começava a aparecer em meus olhos. Um sádico. Eles sempre são. — Será que essa sua beleza quase etérea, esses olhos azuis inocentes... será que eles são a fachada de um corpo já violado? — Ele sussurrou com a boca tão próxima que senti sua respiração quente contra a minha pele. Suas mãos começaram a deslizar pela minha camisola, e então algo dentro de mim gritou para reagir. — Eu sou virgem! Eu sou virgem! — As palavras saíram desesperadas, como se isso pudesse me salvar daquele monstro. Como se isso pudesse me proteger de suas garras. Ivan riu, uma gargalhada áspera que fazia o cheiro forte de whisky e cigarro encher o ar, fazendo minha cabeça girar. — Ah, Donatella... você é perfeita para o novo chefe da Bratva. Um Bratva não merece nada menos que uma jovem intocada. Ivan Ostrov, é o novo chefe. Meu coração acelerou em batidas irregulares, e eu pensei que esse seria um ótimo momento para morrer, pois eu preferia a morte a me deitar na mesma cama que o assassino dos meus pais. — Você... você o matou? — Minha voz era um sussurro fraco, testando o que restava da minha sanidade. Ivan sorriu com crueldade. — Não, Donatella. Roman Ostrov, seu futuro marido, foi quem matou seu pai... e toda a sua família. Eu tenho provas. Ele jogou várias fotos no chão, cortando as cordas que prendiam meus pulsos. Caí de joelhos, minhas mãos tremendo enquanto eu recolhia as imagens. Meus olhos arregalaram-se diante do horror que se revelava. Corpos mutilados. Minha família, destroçada, em pedaços irreconhecíveis. A cena era de puro terror, um pesadelo do qual eu não conseguia acordar. — Minha mãe... onde está minha mãe? — Minha voz quebrou, afogada em uma dor que parecia me rasgar por dentro. — Eu não sou um monstro, Donatella. Ver a mãe morta seria algo muito c***l para uma garota tão jovem — a forma que as palavras saíam da sua boca, soavam completamente destoante do seu significado. Tentei me levantar, com a respiração entrecortada pelo choro contido, até sentir suas mãos me agarrando pela cintura. Ele me jogou no chão com uma violência insana, rasgando minha calcinha em um movimento brutal. — Pelo amor de Deus... não faça isso comigo... — implorei, sentindo seu corpo esmagador contra o meu, o toque asqueroso de sua pele no meu quadril. Tentei me afastar, mas um t**a forte atingiu o meu rosto. Meu coração pulsava em um ritmo irregular, e eu implorei, implorei silenciosamente para que ele desistisse. Porque eu já havia desistido. Ivan rasgou meu corpo ao meio, enfiando-se em mim com uma brutalidade atordoante. A dor era insuportável, uma ferida ardente que me fez lacrimejar. Minhas pernas cederam, o fogo na minha carne me consumia enquanto ele se movia como uma fera, incontrolável. O tempo perdeu o sentido, e tudo ao meu redor parou. — Não se preocupe, querida... ainda vai estar virgem para o casamento! — Ivan riu novamente, seus movimentos frenéticos me despedaçando por dentro. Tentei me libertar mais uma vez, mas outro t**a estalou forte em meu rosto. Gritei, mas foi inútil. Ele riu, se deleitando com a dor que infligia, até que finalmente se afastou, jogando meu corpo ensanguentado e quebrado sobre as fotos de meus entes queridos. A dor e o medo me tomam de uma forma que eu continuo no lugar em que ele deixou. Era óbvio que os Ostrov não deixariam a última sobrevivente escapar ilesa, eles precisavam tirar algo de mim. E tiraram. A minha humanidade se foi, quando me largaram em cima das fotos dos meus familiares destroçados, enquanto eu mesma tinha tido o meu corpo molestado e a minha alma violada. Os soldados retornaram para o porão. E eu ouvi a voz de Ivan Ostrov atrás de mim: — Limpem tudo! E lembre-se, ninguém poderá saber o que houve aqui, ou eu juro que matarei a todos. Ivan Ostrov, no entanto, não sabia que ao poupar minha vida, ele havia selado seu próprio destino. Ele deixou viva a última Romanov, uma mulher que agora não tinha mais nada a perder. Senti as batidas irregulares do meu coração, fracas, mas persistentes. Eu era uma condenada, assim como meu pai antes de mim, eu possuía um coração fraco. Mas até que o último suspiro me fosse tirado, eu lutaria. Eu caçaria todos os Ostrov. E eu me vingaria.
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