(...)
— Diga, garota estúpida! Onde conseguiu essa espada? — Bellatrix gritava, Hermione estava sofrendo e eu não podia fazer nada para ajudá-la.
— Eu já disse, eu a encontrei.
— Diga a verdade.
— Agora! — Uma voz gritou, Harry e Rony estavam no corredor do salão enquanto o lustre cai perto de Bellatrix.
— Seu elfo imundo! Está querendo me matar? — Bellatrix segurava a espada em suas mãos, Hermione correu para os braços de Rony. Harry não dizia nada e apenas me olhou, todos pareciam cansados.
— Dobby não queria matar ninguém, Dobby só queria ferir gravemente. — Segurei a risada com o comentário do elfo e eles desaparataram, mas antes de sumirem Bellatrix lançou a espada em sua direção. Não conseguia ver aquilo, saí de casa e fui para o jardim correndo.
— Alhena! Espera. — Draco me chamava, mas eu precisava sair daquela sala. Parei de correr e me ajoelhei chorando — Calma, por favor, fica calma. — Ele me abraçou e eu só conseguia chorar, estava brava por não poder ajudá-los.
— Eles vão nos matar, Draco! Você sabe disso.
— Eles não vão nos machucar se fizermos o que eles pedirem, confia em mim, não vou deixar nada acontecer conosco.
Naquela mesma noite o silêncio reinava pela mansão, eu não queria conversar e Draco respeitava isso ou ao menos se esforçava muito. Ele estava lendo um livro enquanto eu arrumava minhas roupas no baú, eu sei que com a varinha eu arrumo tudo, mas assim eu consigo pensar em como agir nessa situação.
— Você quer ajuda?
— Estou quase terminando. — Draco suspirou e levantou indo ao banheiro. Eu sei que ele não tinha culpa, mas eu precisava do meu tempo. Ouvi a água do chuveiro cair e continuei organizando. Me joguei na cama e fiquei encarando o teto, em poucos minutos Draco saiu do banheiro, ele colocou uma calça de moletom preto e sentou ao meu lado.
— Você está bem? — Apenas confirmei com a cabeça — Eu não queria que essas coisas tivessem acontecido justo hoje, é seu aniversário e todos só querem saber dessa guerra estupida. — Segurei sua mão e fiz carinho.
— Você precisa parar de se desculpar pelos erros dos outros, eu sei o trabalho que você teve e te agradeço de coração. Foi bom só por estar com você.
— Nessas horas que eu queria ver aquelas coisas de trouxas. — Sorriu me olhando — Ah Alhena, vamos fugir na minha vassoura? Essa guerra não é nossa.
— Não é só o poder Draco, estamos aqui por nossa família, nossos amigos, nossa casa.
— É engraçado, minha própria família me colocou no meio disso tudo — murmurou Draco, olhando para o seu braço e sorrindo forçadamente.
— Infelizmente não escolhemos nossa família, mas escolhemos o que é certo e errado e quem queremos perto de nós.
— Você tem razão. — Me abraçou de lado e beijou minha testa.
(...)
— Se alimentem direito, vamos treiná-los para um combate — disse Narcisa, estava um frio terrível lá fora mas Lucius achou melhor nos treinar para aprendermos a nos defender.
— Isso é mesmo necessário? — perguntei.
— A menos que queira morrer no primeiro feitiço, sim — disse Lucius.
Todos terminamos o café da manhã e fomos ao salão de festas, estava completamente vazio, até mesmo o lustre que foi derrubado noite passada já estava em seu lugar.
— Primeira lição de combate — explicou Lucius tirando sua capa.
— Fiquem sempre atentos — avisou Narcisa. — Não deixe que nada os distraia.
— Prestem atenção nos movimentos do seu oponente.
— Vamos logo com isso — reclamou Draco.
— Lembrem-se, vamos apenas desarmar — alertou Narcisa, Draco sorriu maliciosamente para seu pai que retribuiu.
Antes que pudesse pensar, os flash coloridos tomaram conta de todo o salão, Lucius tentava me atacar, mas eu conseguia me defender de todas as suas tentativas. Sentia meu corpo esquentando, sabia o que era isso, mas eles não poderiam saber.
— Draco. — Segurei sua mão.
— Se acalma. — Draco nos defendeu, seus pais estavam vindo em nossa direção nos atacando. Senti meu corpo entrar em chamas, e um clarão tomou conta de toda a sala e os dois foram lançados para longe.
— Droga — murmurei.
— O que foi isso? — Lucius veio em minha direção, Narcisa me encarava de longe e Draco apertava minha mão.
— Nada — respondo.
— Mas é claro, agora faz sentido. — Narcisa aproximou-se.
— O que faz sentido, mãe?
— Alhena tem o dom do patrono, por isso Voldemort se interessa por ela.
— O que é isso?
— Um dos dons mais raros no nosso mundo, dizem que até hoje apenas duas pessoas foram documentadas — explicou.
— Um deles era Godric Gryffindor. — Lucius me encarou — Você sabe mais do que diz.
— Isso é bobagem — exclamou Draco.
— Isso é incrível, filho! Alhena pode se proteger e aprender a controlar, ela tem poder para derrubar um exército. — Narcisa parecia entusiasmada com a descoberta.
(...)
Os dias se passavam lentamente, Lucius insistia em me “preparar para a grande luta", ele dizia que eu precisava ser forte e aprender a dominar meus poderes. Mas a cada instante que eu conseguia controlar, meu sangue parecia queimar, isso dói, eu chegava a desmaiar.
— Para! Já chega — exclamei ofegante, estava sentada no chão enquanto Lucius me atacava.
— Você será uma Malfoy, não pode ser fraca.
— É fácil falar.
— Para de moleza, vamos levante.
— Estamos fazendo isso há horas, eu preciso descansar.
— Quando for a hora de descansar eu aviso.
— Não. — Levantei-me e apontei a varinha, ele estava despreparado então resolvi fazer o que Snape me ensinou, consegui entrar em sua mente, vi quando Draco nasceu e seu primeiro jogo de quadribol. Em outra imagem ele dançava com uma garota loira, e a beijava.
— Pare! — gritou. — Jamais ouse fazer isso novamente.
— Quem é ela? — Lucius ficou quieto — Dalila?
— Isso é apenas uma besteira, vamos encerrar por hoje. — Lucius parecia estar desarmado agora, será que Lucius Malfoy tem um coração?
Ele saiu do porão me deixando sozinha, apenas subi as escadas e olhei em volta, a casa sempre parecia estar vazia, isso era deprimente a maioria das vezes.
(...)
— Como estão indo os treinamentos? — perguntou Draco.
— Péssimo, ele só não me bate porque sou mulher.
— Ele tem um coração, mamãe vivia me dizendo isso.
— E você acreditava?
— Ele é meu pai, não tenho outro. — Sorriu me olhando.
— Eu devo estar toda roxa de tantas vezes que ele me atacou. — Levantei a blusa e me virei de costas para o espelho.
— Não está marcado, mas se estiver doendo eu posso pedir para a Nina fazer um chá.
— Eu aceito. — Draco chamou a elfa e em poucos minutos ela voltou a servir chá. — Obrigado Nina.
— De nada senhora.
— Ei, o que nós combinamos?
— Me desculpe, Alhena. — Sorriu tímida e saiu do quarto.
— Se meu pai vê uma cena dessas...
— Ele não vai fazer nada, ela merece respeito como todos nós.
O vento soprava forte aquela noite, a chuva parecia nunca ter um fim, mas de alguma maneira eu estava me sentindo segura. Draco me abraçava forte, o calor de seu corpo me aquecia, um mês que eu estava com os Malfoy e essa noite foi a que eu percebi que temos que confiar um nos outros.