O dia seguinte parecia feito de promessas.
Hana passou a manhã concentrada, mas com o pensamento fugindo o tempo todo para o mesmo lugar: o jantar.
Ji-Won tinha dito “sem reuniões, sem tensão, só nós”.
Parecia simples, mas dentro dela havia uma mistura de ansiedade e esperança que fazia o coração bater rápido demais.
Quando o relógio marcou seis e meia, ela estava pronta.
Vestido leve, maquiagem suave, o cabelo solto.
Não queria parecer perfeita — queria parecer real.
O som da campainha fez o coração dar um salto.
Ela abriu a porta e o viu: Ji-Won, em roupas simples, o olhar calmo e um sorriso genuíno.
— Você está… — ele começou, parando no meio da frase. — …incrivelmente linda.
— E você… está nervoso — ela respondeu, divertida.
Ele riu, passando a mão pelo cabelo.
— Talvez um pouco. Não costumo ser bom com primeiros encontros.
— É o primeiro, então?
— O primeiro que importa.
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O restaurante era pequeno, com luz baixa e mesas cercadas por janelas que deixavam ver a cidade acesa.
Ji-Won escolheu o lugar mais reservado, e Hana percebeu que ele estava fazendo de tudo para que a noite fosse perfeita.
— Eu pensei em te levar a um lugar chique — disse ele —, mas achei que a gente precisava de algo mais real.
— Concordo. — Ela olhou ao redor. — É acolhedor.
O garçom trouxe vinho.
Eles brindaram sem dizer muito, apenas sorrindo um para o outro.
A conversa fluiu leve: lembranças, planos, risadas que quebravam o silêncio de meses.
Por um instante, parecia que nada poderia estragar aquele momento.
Mas o destino, como sempre, tinha outros planos.
⸻
Hana percebeu o movimento primeiro.
Uma mulher entrou no restaurante, alta, elegante, com um olhar que fez o ar entre as mesas mudar.
Ela tirou os óculos escuros devagar.
Ji-Won congelou.
Hana olhou para ele e entendeu.
Não precisou de palavras.
Era alguém do passado dele.
A mulher sorriu ao ver Ji-Won.
— Faz tempo, Ji-Won. — A voz dela era doce, mas afiada.
Ele respirou fundo.
— Yoon-Hee… o que está fazendo aqui?
Hana ficou em silêncio.
O nome ecoou como algo distante, mas incômodo.
— Eu voltei de Londres ontem. — Yoon-Hee se aproximou, ignorando completamente a presença de Hana. — E imagine minha surpresa ao descobrir que você está saindo… com sua funcionária.
O tom foi sutil, mas venenoso.
As palavras, no entanto, caíram como faca.
Ji-Won manteve a postura.
— Isso não é da sua conta.
— Oh, mas é — ela rebateu, sorrindo. — Afinal, eu era sua noiva.
O mundo pareceu parar por um segundo.
Hana sentiu o ar sumir.
— Sua… noiva?
Ji-Won se virou imediatamente.
— Hana, não é como parece.
Yoon-Hee deu um pequeno riso.
— Sempre não é, não é?
Hana tentou controlar a respiração.
Não queria fazer cena, não queria chorar — mas o impacto foi forte demais.
— Ji-Won… — ela começou, com a voz trêmula. — Você não me contou isso.
— Porque terminou há anos — ele respondeu, tenso. — Antes de eu conhecer você.
Yoon-Hee cruzou os braços, olhando diretamente para Hana.
— Terminou, sim. Mas algumas histórias não acabam tão fácil.
A dor no peito de Hana voltou — aquela velha conhecida que ela achou ter deixado para trás.
Não era ciúme.
Era o medo.
O medo de ser, de novo, a segunda opção na vida de alguém.
Ela pegou a bolsa e se levantou.
— Acho que vocês têm muito a conversar.
— Hana, espera — Ji-Won se levantou também.
Ela balançou a cabeça.
— Eu confiei em você. Mas parece que ainda há partes da sua vida que eu não conheço… e que talvez ainda te prendam.
Ji-Won tentou se aproximar, mas ela deu um passo atrás.
— Eu só preciso pensar — disse ela, e saiu.
Yoon-Hee observou, satisfeita.
Mas o que ela não esperava era o olhar que Ji-Won lançou para ela — não de culpa, não de confusão.
De fúria.
— Você não devia ter voltado. — A voz dele saiu fria, cortante.
— Oh, Ji-Won… — ela sorriu, cínica. — Você devia saber que algumas pessoas não suportam ver outras felizes.
E saiu como se tivesse vencido.
⸻
Hana caminhou pela rua, o vento frio batendo contra o rosto.
As lágrimas vieram sem permissão.
Ela não sabia o que doía mais — o passado dele ou o fato de ter acreditado que, dessa vez, as feridas estavam curadas.
O celular vibrou.
Uma mensagem.
“Hana, por favor, me escuta. Eu nunca quis esconder nada de você. Eu só não sabia como começar.”
Ela olhou a tela por longos segundos, o coração dividido.
Depois apagou a notificação.
Não porque não quisesse ouvi-lo.
Mas porque, naquele momento, precisava ouvir a si mesma primeiro.
O amor tinha começado a respirar.
Mas agora… estava aprendendo a sobreviver.