A noite chegou devagar, como se soubesse que não deveria interromper. Hana percebeu isso quando apagou a luz da sala e deixou apenas o abajur aceso no quarto. O dia tinha sido longo, mas não pesado. Havia uma diferença sutil entre cansaço e exaustão — e ela sentia apenas o primeiro. Ji-Won estava sentado na beira da cama, descalço, mexendo distraidamente na chave que ela tinha colocado sobre a mesa horas antes. Não a girava como quem decide. Girava como quem reconhece. — Você está pensando — Hana disse, encostando no batente da porta. Ji-Won levantou o olhar e sorriu de leve. — Estou sentindo — respondeu. — É diferente. Ela se aproximou, sentou-se ao lado dele. — Hoje eu também senti o dia inteiro — confessou. — Sem precisar organizar nada depois. Ji-Won assentiu. — É como se tudo

