Ariana Isso tudo não está acontecendo comigo, não sou eu. Foi outra garota com olhos fundos e maçãs do rosto salientes que passou várias horas na delegacia. Foi ela quem se comunicou com dezenas de estranhos que fizeram perguntas, suspiraram com simpatia, balançaram a cabeça e desviaram o olhar. Foi ela quem compareceu ao processo de identificação no necrotério, ficou histérica perto do corpo do pai e depois desmaiou e ficou desacordada por quase um dia inteiro. Foram as suas mãos que foram picadas com injeções de sedativos, porque os comprimidos normais pararam de fazer efeito logo no primeiro dia. O resto do tempo ela fica sentada sob a porta do escritório do pai, lacrada pela polícia, enrolada num cobertor. Todo esse tempo fico de lado e observo silenciosamente. Não estou chorando,

