Mistério

1013 Palavras
Era uma missão diferente para Romana. Ela precisaria se infiltrar em um convento para descobrir quem exatamente estava por trás do comando de tráfico de jovens e onde estava indo parar o dinheiro das entradas de verbas, principalmente das grandes doações do orfanato. Ela entrou com um passo à frente, sabendo quem era a madre superiora. Só descobriria com o tempo que a mulher poderia ser mais perigosa do que imaginavam. A missão tinha por objetivo descobrir se existia um cabeça por trás da madre e se ela era apenas uma laranja ou se era mesmo tudo o que pintava ser. Romana até sorriu com seu novo disfarce: roupas de freira. Ela estava longe de ser uma mulher santa. Tinha alguns que cruzavam seu caminho que poderiam jurar que ela era o demônio em formato de linda mulher. A beleza às vezes ajudava nos disfarces, atraindo o alvo perfeito, mas também prejudicava em algumas situações, por chamar atenção demais. No convento, ou até mesmo no orfanato, Romana mantinha a cabeça baixa, fingindo ser a discreta e tímida freira. A madre precisava continuar vendo a excelente contadora que Romana era e não que poderia obter lucros vendendo seu corpo. Mas tudo corria bem com Romana, aparecendo o mínimo que podia. Quando Romana recebeu os novos documentos com o nome de Carlita, ela não se importou, porque os nomes que teria que usar em cada disfarce eram algo que não lhes representava, apesar de esconder suas dores atrás de cada disfarce que lhe ofereciam. Mas o importante mesmo era estar sempre em ação, mantendo a mente ocupada e longe de lembranças perturbadoras. A vida de Romana era uma missão; ela era uma sobrevivente que preferia ter morrido, e não existia um único maldito dia que não passasse um filme do terror que presenciou. Romana chegou no convento conquistando a ambição da madre. Ela era ótima em tudo que precisava desenvolver. De cara, a cobra notou tamanha inteligência na jovem que julgou ser inocente e, em pouco tempo, a madre lhe deu total confiança, concedendo acesso à contabilidade não somente do convento Luz, mas também do orfanato. O que facilitava as buscas de Romana por respostas. Romana desconhecia tanta podridão como presenciou na madre; a mulher era alguém completamente oca por dentro, sem sentimento algum. Romana havia chegado até a madre como alguém machucada, ferida e sensível. Ela havia sido machucada, e as marcas do que viveu deixaram feridas incuráveis. Mas não era nada sensível; a dor a transformou em forte e destemida, embora talvez esse fosse seu disfarce de caminhada. Romana também possuía dificuldade em demonstrar sentimentos, mas fingir era algo que precisava aprender para administrar sua vida profissional com êxito. Foi assustada que percebeu que gostava de verdade das crianças do orfanato, que não passava somente de um disfarce; tinha criado afeição pelos pequenos. Ela também acabou gostando e se tornando amiga de uma das meninas do convento, que trabalhava voluntariamente no orfanato. Era como se Romana conseguisse tocar a pureza e a imensidão do coração da jovem chamada Jasmine Dipp. Romana dizia para si mesma todos os dias: "nada de se apegar, Romana, você está aqui a serviço", mas com Jasmine e as crianças, ela falhou miseravelmente na missão de não criar vínculos e afeto. Conforme o tempo passava, ela chegava mais perto do fim daquela missão. A madre já não era um dos maiores problemas, porque já não tinha tanto poder como antes. As jovens encontravam seus caminhos aos poucos; algumas se decidiam a seguir o sacramento por amor, mesmo tendo plena consciência de que foram enganadas pelas próprias mães ou algum familiar. Já outras optavam por tomar outros rumos, com o intuito de terem suas próprias famílias, para fazerem o oposto do que fizeram com elas. Entre elas estava a doce Jasmine, que escolheu viver seu grande amor com Raoni. As crianças do orfanato não tinham nem mãe nem pai, mas agora, depois de Romana ter desmascarado toda a quadrilha da madre, tinham uma família e um ambiente acolhedor após a saída da megera que se escondia atrás de uma batina. As crianças do orfanato Luz agora estavam seguras e bem cuidadas. Romana fez questão de escolher a dedo quem seria o novo administrador do orfanato e também do convento. Ela escolheu alguém com o coração cheio de empatia e amor para dar. Ela queria que as crianças tivessem o que lhes foi tirado ainda na infância. E Romana já tinha descoberto que poderia confiar nos Bessa, não totalmente, porque ela não confiava em ninguém totalmente, nem mesmo na sua própria sombra. Mas pelo menos já tinha entendido que Raoni Bessa não machucaria Jasmine Dipp, porque estava apaixonado. Era um dia comum, Romana ainda estava usando a roupa de freira; a missão ainda não tinha sido encerrada por completo. Ela engatinhava algumas armas e tinha sido avisada que poderia precisar delas nos últimos dias. Como no orfanato estava tranquilo, foi oferecida a ela uma nova missão no turno oposto: ela deveria matar o c*****o que estava contrabandeando adolescentes com a ilusão de que elas se tornariam modelos bem-sucedidas, quando na verdade se tornariam prostitutas em um dos piores bordéis. Isso porque estariam à mercê do c***l c*****o conhecido como Duílio. Ela gostou da missão; seria como tirar um pirulito da boca de uma criança. Adorava matar um metido a b***a que machucava mulheres. Uma das freiras bateu na porta. — Carlita. — Sim. — Tem alguém à sua espera no escritório. — Avise que estou indo, por favor. Romana guardou as armas em um cofre que ficava abaixo do piso. Quando chegou à sala de escritório, reconheceu imediatamente de quem se tratava. Tomás Grilmadi. — Pois não, senhor, em que posso ajudar? Tomás Grilmadi foi impactado pela beleza de Romana; deveria ter enxergado doçura, mas o olhar dela era carregado de mistério. — Tomás Grilmadi. Ele estendeu a mão para ela em comprometimento. — Carlita. Romana fingiu não saber quem ele era. — Eu vim porque preciso falar com a madre. — Ela não está, mas me avisou que você viria.
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