Romana não disse a Tomás, mas estava fora de cogitação falar seu verdadeiro nome a ele.
Era questão de segurança, no fundo, ela o protegia.
Ela estava ali naquele meio de sala, pensando em um nome para inventar, quando o telefone do hotel tocou a tirando de uma enrascada.
Alguém do outro lado da linha, que ela sabia muito bem quem era, ligava para Dizer que estaria em frente ao hotel em dez minutos.
__ Vamos?!
Ela disse pegando sua arma e verificando mais uma vez.
Disse Romana a Tomás assim que desligou o telefone.
__ Vamos sair pela parte de trás, é o tempo que você cai fora, e Tomás, não volte para seu carro, pegue um táxi e vá para onde está se escondendo, estará seguro lá.
__ Minha chave está dentro do carro.
O que Tomás fazia, era ganhar tempo, ele queria estar com ela, mas sem confrontá-la.
__ Está me dizendo que não consegue entrar na casa sem a chave? É isso? um homem desse tamanho.
__ As chaves servem para abrir portas se você não sabe senhorita Carlita.
__ Meu Deus já não se faz mais homens como antes, não basta estragar meu plano, tem que ser homem Nutela?
__ Ainda te mostrarei a Nutella e sei que vai gostar.
__ Detesto doce.
__ Não tenha tanta certeza Carlita.
__ Já ouviu falar em dar seus pulos? Não me obrigue a ter que quebrar uma porta para você entrar naquele fim de mundo.
__ Espera.
__ O que foi?
__ Sabe onde eu Moro?
__ Sei onde você está se escondendo, é diferente.
__ Qual o interesse em saber onde moro? Se descobriu é porque investigou, se investigou é porque...
__ Porque nada, cale-se.
__ Ora, ora, ela toda nervosinha.
__ Não investiguei nada, metade dos turistas metidos a espertos e ricos, escolhem justamente aquela tipo de propriedade, caso não saiba, aquele espaço nunca fica sem alugar, tem sempre alguém fugindo feito um i****a.
Mas a verdade é que ela havia investigado tudo sobre a vida de Tomás, Isso porque segundo ela queria saber se ele fazia parte das falcatruas da Madre.
__ Vem.
Romana puxou Tomás pela mão.
Eles conseguiram sair com facilidade e sem serem notados do hotel.
__ Ok Tomás, agora pode ir.
__ Sabe o que é Carlita...
__ Porque acha que me chamo Carlita? tenho cara de Carlita?
__ Eu prefiro pensar que muitos homens não estiveram de olho em você naquele bordel, e na versão Carlita é mais fácil, adorei a Cassandra, mas só liga mim ver.
Tomás criou um fetiche com Romana vestida de freira.
__ Vai Tomás, Vai embora antes que fale mais besteiras.
Romana ainda mandava Tomás ir embora, quando uma van na cor preta parou e alguns homens encapuzados desceram e os colocaram dentro.
Tanto Romana quanto Tomás foram vedados.
Romana tentou reagir, eles haviam sido pegos de surpresa.
Ela estava sentada, já estava quase conseguindo pegar um estilete que carregava na bota, porque sua arma foi retirada.
Mas o capuz que fora colocado nela, foi retirado.
__ Glauber?!
__ Romana querida.
Tomás ouviu o nome dela, achou um nome forte que fazia jus a personalidade de Romana.
__ Porque veio?
Glauber adorava uma cadeira para se passar de rei e deixar claro quem mandava, ele nunca estava em ação.
__ Temi pela vida dos rapazes, sei que você daria um show dentro da Van.
__ Sabe que não precisava ter feito isso, era só ter falado que eu teria entrado na Van por livre e espontânea vontade.
__ Se tratando de você, não sei mais de nada.
__ Tá maluco Glauber? Você me conhece muito bem.
__ Eu não sei Romana, não sei mais se te conheço.
Em questão de minutos eles chegaram no local.
Tomás permanecia encapuzado, ele se mantinha calado, observava a conversa e também os barulhos, o que foi suficientes para perceber que eles havia entrado em uma espécie de túnel.
Romana desceu sozinha e ajudou Tomás.
__ Eu vou tirar você daqui, só fica caladinho tá legal?!
Romana disse baixinho a Tomás.
Eles foram levados para uma sala, dentro dessa sala, o capuz de Tomás foi retirado e ele observou todo o ambiente.
__ Meu pai teria morrido dez vezes se soubesse que você falhou em uma missão tão boba quanto essa.
Disse Glauber bebendo uma dose de whisky e se sentando em uma cadeira absurdamente exagerada, parecia a cadeira do presidente da República.
__ Foi por causa dele?
Ele apanhou para Tomás.
__ Ele não tem nada a haver, deixa ele ir embora, eu que fiz os cálculos errados.
Glauber caiu na gargalhada, ele sorriu por alguns minutos e se levantou de seu trono.
Ele se aproximou de Romana e pegou no pescoço dela, mas sem apertar, queria ver não a reação de Romana, mas a de Tomás.
Tomás teve vontade de esmurrar Glauber ou melhor, matar, mas Romana havia pedido que ele ficasse calado e na dele, além do mais, Tomás não sabia onde estavam metidos.
Pra Tomás já tinha ficado claro que Romana e Glauber se conhecia, mas Tomás ainda não sabia o quanto.
__ Cálculos errados?
__ Te juro que se não soltar meu pescoço agora, não errarei nos cálculos, você quem sabe.
Glauber soltou, conhecia Romana o suficiente para saber que ela não costumava blefar.
__ Tem noção do quanto de dinheiro que perdemos?
__ Dinheiro? Que dinheiro?
__ Envolveu a polícia Romana, deixou rastros, você deixou pessoas que podem depor e podem chegar até a nós, sabe disso né?
Romana percebeu que ele desconversou e não respondeu quanto ao dinheiro.
__ Não irão chegar até nós.