O céu de Marselha estava carregado. Nuvens espessas, o ar pesado como um segredo que não se quer dizer. Camila caminhava pelas ruas como quem tenta passar despercebida ao próprio destino. O mundo à sua volta parecia em suspenso, como se cada som fosse abafado por um vidro invisível. Cada passo dela era uma escolha. Cada escolha, uma roleta. Desde o último encontro com Dante, a realidade parecia dividida em duas versões: aquela que ela mostrava a Mateo e aquela que só se revelava nos espaços vazios, nos silêncios longos, nas mensagens com palavras medidas. Mateo não confiava nela — pelo menos não como antes. E isso, naquele mundo, significava apenas uma coisa: prazo de validade. Ao meio-dia, o telefone vibrou. > “Hoje. 17h. Escritório central.” Assinatura invisível, mas inequívoca. M

