CAPÍTULO 05
CHARLOTTE BECKER
Começo a arrumar minhas coisas em meu quarto, que para a minha surpresa, é bem maior que a sala da minha casa, as cores são neutras para poder decorar da forma que quiser. Já tinha colocado minhas roupas do closet e só faltava organizar meus livros. Sou apaixonada por romances, um que amo é Amores Verdadeiros da autora Taylor Jenkins Reid.
Saio dos meus devaneios com batidas na porta, digo que pode entrar e uma moça com o uniforme dos demais empregados entra. Ela é jovem, n***a, olhos pretos, cabelo enrolado e cumprido, um ar de simpatia incrível.
— Desculpe se estou incomodando, é que a Duquesa me pediu para vir te ajudar com a mudança e com o que mais precisar, ela terá que voltar para Augustenborg.
— Não precisa se preocupar, eu já arrumei tudo, só falta meus livros.
— Nossa, você gosta mesmo de livros, dever ter dezenas aqui.— balanço a cabeça com um sorriso no rosto.
— Os livros me ajudam a fugir um pouco da realidade, alguns usam drogas, eu uso a literatura.— ela ri.
— Cada um com a sua fuga. A propósito me chamo Hela Larsen, sou encarregada de supervisionar os jardins, as flores e assim por diante.
— Me chamo Charlotte Becker. Você trabalha aqui a muito tempo?
— Minha família trabalha pra família real a gerações, minha mãe é a governanta e meu pai é o chefe da guarda real, meu irmão me ajuda com as tarefas, nós somos gémeos.
— Uau, isso é ótimo, e vocês gostam de trabalhar aqui?
— Somos felizes aqui, o pai da Vossa Majestade pagou meus estudos e os de meu irmão.— fico bem surpresa por essa revelação?
— Sério?!
— Sim, eu e meu irmão nos formamos em Bôtanica.
— Se me permite perguntar, porque o antigo rei fez isso?
— Ele fez isso com todos os filhos dos funcionários, alguns que se formaram optaram por continuar aqui e outros explorar o mundo a fora e exercer suas formações em outro lugar.— ela conseguiu me deixar ainda mais surpresa.
— Nossa! Isso é maravilhoso, se todos os países tivessem reis assim, o mundo poderia ser menos pior.— ela balança a cabeça em concordância.
— Ai bem que o rei Claus herdou essa bondade do pai, em tão pouco tempo no trono ele já fez muito pela população.— um sorriso bobo surge em meus lábios.
— Sim, ele é incrível mesmo, graças a ele meu irmão conseguiu entrar em uma lista de esperar para uma cirurgia importante que pode faze-lo voltar a andar. Armin foi atropelado a um tempo e perdeu os movimentos da perna, mas os custos da cirurgia e fisioterapia eram demais. Todo o dinheiro que tinhamos usamos para pagar o tratamento de cancêr do meu pai, porém não funcionou.
— Eu sinto muito, deve ser uma situação bem complicada.— ela se acomoda em uma poltrona no canto do quarto.
— Eu devo muito a Sua Majestade, ele me estendeu a mão quando mais precisei.
— Posso perguntar uma coisa? Mas se não quiser responder, vou entender.
— Claro.
— O seu problema no pé, eu vi que manca um pouco, isso é de nascença?
— Sim, os médicos disseram que as chances de fazer uma cirurgia e meu pé ficar normal eram mínimas, talvez a cirurgia poderia agravar meu caso, então decidimos por não fazer.— falar sobre a minha deficiência não me incomoda, o que me chateia são os olhares de pena e os insultos que ouço muitas das vezes.
— Isso não perece te incomodar e isso é bom, aprendeu a conviver com isso.
— O lado bom disso é que nunca vou precisar usar um salto.— ela tampa a boca para não ri.
— Isso foi pesado.— começo a ri e a mesma não consegue se segurar.
— Tento ver sempre o lado bom de tudo, então vá se acostumando.
— Pode deixar.
****
Termino de esfregar a última parte do chão do escritório da Sua Majestade, Hela me disse que eu poderia começar quando eu quisesse e como ainda era de dia não via m*l algum em começar logo hoje. Só que eu acabei me empolgando, comecei a tirar pó de tudo, depois aspirando pó no chão e por fim esfregar o chão de laminação. Antes de começar a fazer isso, tive que perguntar a melhor forma de limpar esse tipo de piso, e é praticamente igual a forma como faço com o que á lá em casa, detergente neutro, água e a única diferença é o pano de chão que tem que ser de microfibra.
A limpeza sempre foi algo que gostei de fazer, ouvindo música é melhor ainda, entretanto, esqueci meus fones de ouvido na casa da minha mãe. Poderia só ter posto no celular, mas fiquei com medo de alguém ouvir e achar r**m.
Ouvir seria bem complicado já que todos os cómodos são enormes e bem longes um do outro, em especial o escritório de Vossa Majestade.
Bom, então acho que não haveria problema. Caminho até o meu celular e escolho Angels Like You da Miley Cyrus e começo a cantarolar.
Eu sei que você é errado para mim
Vou desejar que a gente nunca tivesse se conhecido no dia que eu partir
Eu te coloquei de joelhos
Porque dizem que o sofrimento adora companhia
Não é sua culpa eu estragar tudo
Não é sua culpa que eu não sou o que você precisa
Amor, anjos como você não podem voar para o inferno comigo
Eu sou tudo o que eles disseram que eu seria
La, la, la
Eu sou tudo o que eles disseram que eu seria
Gostou das músicas dela, além da voz da Miley ser um espetáculo a parte. Continuo com meu trabalho cantado cada palavra com vontade sem medo de alguém ouvir. Até a letra da música finalizar, eu limpo o chão com animo e alegria, pensando nas possibilidades que vou ter. Vou poder da tudo a minha mãe e Armin o que o papai nos dava, na falta dele, eu por se a mais velha, devo cuidar deles e agora com esse emprego que vai me pagar muito bem, posso de repente voltar as minhas aulas de música.
— Nunca vi uma pessoa tão feliz em limpar um chão.— me assunto com uma voz rouca, olho para a direção de onde ela reverberou e vejo Claus encostados na porta me observando e p**a que pariu, o homem ta sem camisa.
Isso é demais, é demais mesmo.
— Vo...Vossa...Ma...— p***a! É díficil demais falar olhando para esse peitoral gostoso.
Porque ele tinha que ser tão lindo?!
— Já passa das oito da noite e Hela me falou que não saiu daqui.— pisco meus olhos várias vezes em surpresa.
Oito horas da noite?! Uau, nem vi a hora passar, antes de vir pra cá eu só comi algo.
— Eu gosto de finalizar o que começo.— finalmente digo algo sem gaguejar.
— Devo reconhecer, está tudo bem limpo, fez um bom trabalho, mas acho que está na hora de ir comer algo e descansar.— ele começa a se aproximar.
Colo o pano dentro do balde e deixo no canto junto com o detergente, me levanto do chão e vou até meu celular, desligo a música e ainda com vergonha por ter sido pega em um momento tão distraído, olho para ele.
Olhando de mais perto, posso ter a nítida visão de como seu peitoral é largo, definido e com alguns cabelos, mas nada exagerado, são bem ralos e dão um charme, também pude perceber uma tatuagem no ombro e no braço, algo que me deixa um pouco surpresa, a sociedade é um pouco chata, ainda mais a realeza. Mas tudo isso só colaborou para deixa-lo mais lindo.
Porra!
— A Hela é uma moça muito boa, gostei bastante dela.— tento mudar de assunto para distrair a minha mente, mas é difícil com ele chegando mais perto.
— A família dela é fiel a família real a anos, e meu pai tinha admiração por ela e seu irmão por serem tão focados em seus objetivos e amar o que fazem.— balanço a cabeça em concordância, sem saber o que exatamente devo dizer.— Minha tia voltou para Augustenborg e fiquei sem companhia para o jantar.— ele estende sua mão para mim e eu me sinto a moça mais sortuda do mundo de ter toda essa atenção de um rei.— Me daria a honra de jantar comigo, Srta Becker?— arregalo meus olhos.
Jantar com o rei?! Definitivamente é algo que se alguém tivesse me dito que ia acontecer, eu diria para internarem.