CAPÍTULO 06
CLAUS ASGER
Talvez esse pode ter sido o maior erro da minha vida, entretanto, la no fundo, não me arrependo de nada, a presença de Charlotte, de alguma forma inexplicável, remetem a mim uma calmaria enorme, faz tempo que não me sinto assim desde a morte do meu pai, eu sorrio mais frequência, as crises de choros e ansiedade parecem sumir.
Observo ela tomando todo o cuidado do mundo para comer com o garfo e faca certos, involuntariamente, isso me faz sorri feito um bobo. A inocência dela é tão única. Estou sentado onde meu pai costumava sentar, no centro e Charlotte onde minha mãe se sentava, bem perto do meu pai.
A mesa é enorme, tem comida o suficiente para um batalhão, sempre peço para não fazerem tudo isso para não haver desperdício, mas os empregados estão acostumados a fazer um banquete.
— Charlotte, não precisa se preocupar, pegue o talher que melhor se familiarizar, estamos sozinhos.— o sorriso dela, como é belo.
— Me sinto sem jeito, eu só sei o básico da etiqueta, não sabia que em uma mesa poderia ter tantos talheres assim, como Vossa Majestade consegue lembrar de tudo?
— Minha mãe fazia questão de me ensinar, desde pequeno e ela tinha um jeito único que me fez aprender e nunca esquecer.
— A rainha deve ter sido uma mãe incrível, posso ver seus olhos brilharem com admiração.— abaixo o olhar por alguns segundos quando boas lembranças me cercam.
— Quando ela morreu, eu ainda era uma criança, tinha apenas dez anos, foi duro demais aceitar que não a veria mais, pro meu pai então, foi como perde uma parte de sua alma, eu sei que ele se manteve forte e firme por mim e porque seu povo precisava dele, mas só eu via o quanto Aya fazia falta para ele e para todos nesse Palácio.— é a primeira vez que consigo falar tanto sobre meus pais, sem sentir dor ou vontade de chorar.
Quem é você, Charlotte Becker?
— Quando o meu pai morreu, foi difícil demais para minha família, ele era o pilar que nos sustentava, na sua ausência, eu me sentia no dever de manter isso vivo, como um novo pilar.— abro um sorriso fraco.
— De uma certa forma, você e eu temos algo em comum, tivemos que esconder as lágrimas e assumir os dever que nossos pais tinham, para não deixar outras pessoas desamparadas.
— Isso é bem estranho, mas concordo com Vossa Majestade.
Porque parece que você me tem nas mãos, Charlotte?
CHARLOTTE BECKER
O janta corre bem, com algumas trapalhadas da minha parte e as gargalhadas gostosas de Sua Majestade, no fundo, me senti bem em fazê-lo sorri, aparentemente, ele sorri, mas nunca de forma sincera e aposto que ainda á muita dor dentro dele devido a morte de seu pai. Outro ponto bem interessante, pelo que entendi, ele adora andar sem camisa pelo Palácio, em especial a noite, aposto que a moças daqui deve ficar loucas, o homem é lindo em cada centímetro do corpo.
Até eu me acostumar, vai ser impossível não admira-lo.
— Eu agradeço pelo jantar, Vossa Majestade, estava maravilhoso.— murmuro, ele parece me avaliar com atenção.
— Eu que devo agradecer sua companhia, espero repetimos mais vezes.— eu achava que ele estava falando por educação, mas posso ver a sinceridade em seus olhos castanhos.
— Claro, como Vossa Majestade desejar.— isso soou bem submisso, mas ele é a maior autoridade do país, trabalho como sua empregada particular.
— Não fale dessa forma, me faz parecer um carrasco.— murmura em tom zombeteiro.
— Tudo bem.— quebro a troca de olhares ao me levantar.— Preciso descasar, até amanhã, Vossa Majestade.— ele não diz nada, somente da um breve cumprimento com a cabeça, aproveito a deixa para me retirar.
Solto uma respiração que nem sabia que estava prendendo e logo a tensão que se formou desde que me sentei aquela mesa, somem.
Claus me intimida bastante, ele tem uma grande presença e um olhar tão intenso que fica difícil ficar tranquila perto dele, sem dúvidas ele nasceu para ser rei.
****
Na manhã seguinte, levanto as seis em ponto, faço minha higiene matinal e me visto com o uniforme que se resume a um vestido de saia rodada da cor vermelho escuro, prendo meu cabelo em um r**o de cavalo, coloco um ténis branco sem cadarço e estou pronta, caminho para fora do quarto em direção a cozinha, chegando lá, vejo Hela com os demais funcionários tomando café.
— Bom dia pessoal.— murmuro, todos me olham com curiosidade,c confesso que fico um pouco envergonhada por ter tanta gente me olhando assim, mas logo Hela abre a boca deixando tudo mais tranquilo.
— Pessoal, essa é a Charlotte, ela é encarregada de cuidar do nosso rei.
— Nossa, que inveja roxa eu tenho de você, imagine ficar a disposição desse homão.— uma moça loira de olhos verdes vestida exatamente como eu, diz e faz uma cena se abanando com a própria mão, fazendo todos rirem.
— Essa é Madson, não liga pra ela, Madson é uma tarada.— a tal loira mostra o dedo do meio a Hela.
— Olá moça bonita, me chamo Angel, sou irmão da Hela.— o tal homem aperta a minha mãe com firmeza, ele é lindo, é uma versão masculina da irmã, afinal, são gémeos.
— Me chamo Loretta, sou a governanta do Palácio e mãe do Angel e Hela.— a moça aparenta está na casa dos cinquenta, pele n***a, olhos esverdeados, cabelos encaracolados e curtos com fios brancos. A roupa dela é parecida com a nossa, mas a diferença da saia em baixo, é lisa.
— Ainda vai demorar a conhecer todos os demais funcionários, alguns já estão em suas funções. O rei acorda as seis em ponto quando não tem nenhum compromisso agendado, faz sua caminhada matinal e depois come algo em seu quarto.— murmura Loretta.— As cozinheiras vão preparar o café dele e você pode levar até seu quarto.— balanço a cabeça concordando.
Não me admire que ele prefira tomar café no quarto, ele é o único de sua família que sobrou neste Palácio, deve se sentir sozinho quando se senta aquela mesa, no lugar dele faria a mesma coisa.
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Meia hora depois, o café de Vossa Majestade está pronto, com cuidado, ando com a bandeja de prata, nela contém, uma xícara de café bem quente, biscoitos, leite, croissants, torradas com geleia e pedaços de frutas. Até que para um homem daquele tamanho todo, ele come menos do que eu esperava.
Ando com o mais cuidado possível e ao subir as escadas, o cuidado é maior ainda para não derrubar. Mesmo mancando, eu aprendi a andar sem tropeçar ou algo do tipo, mas subir essas escadas enormes é dureza, me deu canseira só de subi-las. O pior é que tem outras que vão para outras alas, essa escada da para a ala do rei e da rainha, um andar reservado somente para eles.
Exageros, porém, eles vivem como a antiga realeza vivia, e pelo que sei, o Palácio sempre foi assim, só tem manutenção e mudanças necessárias.
Toda a ala são de cores claras com decoração em dourado, quadros enormes nas paredes, alguns de grandes nomes da Arte, e outros com a imagem de gerações de reis e rainhas.
Olho para as portas que a e fico me perguntando, onde fica o quarto do rei? Eu tinha que ter perguntado isso. Uma delas eu sei que é a parte da sala de piano da rainha, mas e as outras?
— Charlotte?— ouço uma voz atrás de mim e ao me virar, tenho que segurar a bandeja para não deixar cair.
Porque ele tinha que está molhado? Isso é algum tipo de provação?
Claus está sem caminha, com um calça de moletom, ténis e com o peitoral todo molhado do suor, sua pele brilhava de tanto suor que tinha no corpo e em especial, os gominhos da sua barriga que parece ser bem rígida.
Isso não é um homem, é o pecado em pessoa.
Engulo seco antes de abrir a boca para falar.
— Eu...trouxe seu café.— quase derreto quando ele abre um sorriso e se aproxima a passos largos, mas com elegância.
— Ah, muito obrigada, o uniforme ficou bom em você.— murmura me avaliando da cabeça aos pés.
— Onde fica seu quarto? Preciso deixar a bandeja lá e...
— Não precisa se incomodar com isso, eu mesmo levo, se quiser pode entrar para me fazer companhia.— arregalo os olhos.
— O que? Entrar? No seu quarto?— ele ri.
— Sim, e pode ficar tranquila, eu não mordo.— porque certas coisas que ele diz tem tanto duplo sentido?
— Eu...eu tenho muita coisa pra fazer, Vossa Majestade, talvez outra hora.— em seus olhos, posso ver um resquício de decepção.
— Tudo bem, então até mais tarde, Charlotte.
— Até mais tarde, Vossa Majestade.
Caminho para longe dele indo em direção as escadas, mas posso sentir seu olhar em mim e com certeza é com a mesma intensidade de sempre ou até maior.