Tula A porta bate contra a parede com um estrondo que faz minhas filhas estremecerem no berço. Eu estou no corredor, coração acelerado, braços cruzados sobre o peito como se isso fosse me impedir de desmoronar. Robert entra encharcado, a chuva escorrendo do cabelo para os olhos, a camisa colada ao corpo… e o cheiro. O mesmo cheiro que me atormenta desde ontem. Sangue. Frio. Fúria. Culpa. Ele ergue os olhos para mim, e por um segundo , só um ,algo dentro dele parece vacilar. Mas logo desaparece. — Você saiu de novo — digo, a voz trêmula. Não é acusação, é medo, é exaustão, é tudo misturado. — Eu tinha que ir. A voz dele é baixa, rouca. Quase indecente. — E tinha que voltar assim? — Meus olhos percorrem o casaco rasgado, as mãos sujas, o sangue escuro preso na pele. — Você es

