📓 NARRADO POR REINALDO (REY) O barraco inteiro pareceu diminuir quando aquelas palavras saíram da boca dela. Eu fiquei parado, imóvel, só o som da minha respiração batendo pesado contra as paredes finas. O ódio não veio como explosão veio como silêncio, como ferro sendo aquecido devagar até ficar incandescente. Cíntia achou que tinha me atravessado. Que minha calma era fraqueza. Que podia jogar merda na minha cara e sair ilesa. Erro dela. Ela limpou o sangue do canto da boca com as costas da mão e, ainda assim, sorriu sorriso torto, venenoso, de quem já não tem nada a perder. — “Tu não é rei de p***a nenhuma. Tu nunca mereceu esse trono. O Cruzeiro nunca foi teu. Tu matou o Valtinho escondido no beco, feito rato. Tu não ganhou, tu roubou. E todo mundo sabe. Esse morro só te engole

