📓 NARRADO POR REINALDO (REY) Saí do barraco e a noite me engoliu. O ar do Cruzeiro tava pesado, como se a quebrada inteira tivesse prendido a respiração. Sentei na calçada, o corpo ainda quente de ódio, o sangue dela grudado nos meus dedos. Pedro apareceu do lado, quieto, mas com os olhos perguntando o que já sabia. Estiquei a mão. — “Me dá um cigarro.” Ele piscou, meio surpreso. — “Mas o senhor tinha largado, patrão…” — “Hoje eu volto.” — respondi seco. Ele puxou do maço, acendeu e colocou na minha mão. Traguei fundo, o gosto amargo rasgando a garganta, lembrança de um vício que a Lívia odiava. Soltei a fumaça devagar, olhando o beco escuro, e falei baixo, mas firme: — “Some com esse corpo, Pedro. Antes do sol nascer. Sem cena, sem alarde. Tu já sabe o destino: buraco e cal. Quero

