Respingos=> part II.

1491 Palavras
Dário A dor de cabeça irradia para todos os lados, tomando conta da calota craniana por inteira. Sinto leves pontadas na nuca. Aguardo em silêncio por uma resposta do Javier. _ Mandei averiguar o ocorrido assim que o vídeo chegou às minhas mãos. A garota aproveitou que os pais não estavam em casa e fugiu. O material de imagem foi enviado por um conhecido cujo filho estava nessa mesma boate. Percebes o comportamento indecoroso da Ravana? Entendes que a chica (garota) está comprometendo o nosso nome? - indaga, e eu concordo no mais absoluto silêncio. _ Como uma menina de dezessete anos conseguiu sair da veladura de um pelotão de quarenta homens? O que o Vittorio anda repassando aos seus soldados? Capullo do carajo! (i****a do c*****o) - exprimo no calor do momento. _ Ravana anda passando por um período inflamado de rebeldia e, pelo visto, o Don da Calábria não está tendo muito pulso firme com a chica (menina). Ouço o que nem mesmo me era de conhecimento, uma vez que, nesses últimos dois anos, não cogitei uma aproximação com a minha noiva, que não era nada mais do que uma menina pueril em sua tenra idade. Estranho que tenha sido omitido do meu saber essa indocilidade no comportamento da garota. A garota foi atada a mim ainda bebê. Acredito que tinha poucas semanas de vida; na época, eu tinha meus onze anos. O pequeno Dário Castillo estava sendo "nivelado", por seu progenitor, para poder adequar-se perfeitamente ao poderio do Cartel. — Tome as rédeas, Dário, afinal a menina é sua — profere, e eu trinco o meu maxilar. "O que meu pai está sugerindo? "- pergunto para mim mesmo, tentando decifrar essa frase que possui uma incógnita inclusa. _ Ela é menor de idade, portanto os Greccos têm pátrio poder sobre a fedelha. - respondo, soltando o ar com força. - E não cogito a possibilidade, muito menos pretendo desposar uma menor. - imponho-me, não sou insano o suficiente para cavar a minha própria cova ou montar uma bela cama de gato para que eu seja a deitar sobre ela. Sem ter a menor visão do que meu pai tem em mente como resolução para o deslize que a herdeira Grecco cometeu; rechaçando a mais remota das possibilidades de colocar, antecipadamente, uma aliança no anelar esquerdo da garota, espero por suas palavras. _ Não desejo um enlace formalizado às pressas; contudo, é questão de meses para que a pequena Grecco complete a maioridade. Então, nem mesmo o pai, uma vez que é evidente que não está conseguindo, coloca um basta nas atitudes decadentes da chica (garota). Não quero e nem pretendo permitir que o sobrenome Castillo sofra o menor declínio dentro do nosso mundo. Zelo pelo prestígio que conquistei com muita luta, sangue e suor. Não me veio de graça, não foi fácil e não quero que a menção do nosso clã seja associada aos que possuem uma reputação contestável, porque a nossa linhagem é extremamente rígida aos preceitos. Somos respeitados em nosso meio por causa disso; não damos margem à nossa reputação indubitável. Não estamos no topo, mi hijo (meu filho), nós somos o topo; o aclive da montanha está sendo escalado o tempo inteiro. Muitos querem estar no lugar que conquistamos e usam do que possuem para ascender- escuto a respiração pesada do meu pai- Pegue a menina e mantenha a Ravana na gaiola dourada até que a união de vocês seja formalizada. Colocaremos um basta no comportamento grosseiro e de mau gosto da sua noiva; não será uma futura agregada que irá ofuscar o prestígio e a qualidade moral que infunde respeito e dignidade. Javier, sendo líder do meu clã, não me é permitido contestar suas decisões, mesmo que isso implique diretamente na minha vida pessoal. Sou bastante circunspecto; analiso cuidadosamente uma questão, um fato, uma situação. E, por mais que não seja do meu agrado, respeito a decisão. Javier é um homem muito obstinado; dificilmente declina de um objetivo, quiçá de uma ideia. Sua tenacidade já me fez presenciar muita porfia: contenda de palavras, até mesmo com a temida madre de lo Cartel (a temida mãe do Cartel), que muitos chamam de diabla (diaba). Dona Adella é a única que colide com a muralha denominada Javier; ninguém mais tem essa audácia. Certa vez, aos meus nove anos, acompanhei uma cena um tanto aprazível. Meu pai conversava com alguns adquirentes da nossa mercadoria; o diálogo não era amistoso, uma vez que Javier tinha recebido informações privilegiadas sobre um possível calote. Era um cliente aldrabado. Em certo ponto da conversa acalorada, o sujeito ergueu-se da poltrona em que estava sentado, estufou o peito e quis impor autoridade dentro do território de Calli. Não funcionou a tentativa do "frango querer virar g**o". O homem atravessou os limites, apontou o dedo indicador no rosto do meu pai, que apenas exibiu um sorriso frio num segundo e, no outro, um facão estava decepando o braço do sujeito abusado. Metade do antebraço foi ao chão. Do coto jorrava sangue, somado aos gritos de dor do homem. Vi o atrevido urinar nas calças; antes mesmo que algum companheiro do excisado (amputado) pudesse sacar suas armas, os soldados do Cartel obtinham miras a lazer no meio de suas testas. "Só mais um mínimo movimento por parte de vocês e ninguém sai daqui com a cabeça inteira; melhor corrigindo: nenhum de vocês sairá daqui." A frase, cheia de sarcasmo, ecoou pelo espaço, que cheirava a madeira, tabaco e bebida. Eu acompanhava tudo. Meus olhos não se desprendiam do homem se contorcendo no chão em meio ao próprio sangue. Foi marcante para mim, porque descobri que gosto do cheiro do sangue, dos gritos de agonia e dor. Senti prazer com a dor alheia. Deixo na bruma densa da minha mente as recordações do passado e cravo no presente momento a conjuntura do gravame dos dizeres do senhor Javier. Trazer precipitadamente minha noiva para a sombra da minha proteção não era algo que me trouxesse algum regozijo; muito menos tendo a agnição (conhecimento) de que sua presença traria um desconforto para a minha rotina. Não posso evadir-me da obrigatoriedade do acordo firmado há alguns anos; entretanto, a programação da minha vida não deixa espaço para incluir uma fedelha cheirando a leite. Preso pela minha liberdade, não pretendo fazer votos de castidade ou um jejum s****l, mas sim me colocar em abstinência. Minha vida s****l é muito ativa e tenho algumas necessidades específicas que não combinam em nada com o que me é imposto: ter uma menina aos meus cuidados. Gosto do ato s****l. Não se trata apenas de um ato cheio de volúpia; é mais do que isso. É um dos sete pecados capitais; é um desejo maldito e bendito, onde evidencio todo o meu calibre, minha potência e meu gás. Sou profano e covarde como esse desejo. Ordeno e não peço; sou o encaixe tomando o lacre violado. Eu o preço, bem alto por sinal, e as escolhidas pagam; em troca, ganham transas ardentes. Gosto de ver as mulheres dobrando os joelhos enquanto eu as pego, as quebro e as uso. Perco-me devorando suas carnes. Supostamente, nasci sob a má influência de um astro, pela razão de sair do eixo, tendo um prazer suplantado nesse ato. Enquanto arranco gozos cheios de devassidão das minhas presas, meu subconsciente pede por mais; sou apenas um inconsciente dominado por essa necessidade brutal. Eu as uso; minha satisfação é vê-las implorar por mais, suas feições retorcidas pelo prazer que domina suas correntes sanguíneas e provoca ardor em seus corpos. Mergulho sempre profundo, como uma navalha faz ao cortar a carne; minha língua invade suas bocas, erotizando ainda mais o bailar das junções dos nossos sexos, intensificando a consumação do ato libidinoso. Me derramo, surpreendo e, quando algumas destas vêm em busca de algo mais sério, viro o jogo. Eu apenas bebo dos corpos; é uma troca de prazeres, algo que considero justo. Preso à minha vida livre de " amarras" e sabendo que tenho uma data estipulada por mim para dar cabo nesta, aproveito ao máximo. Possuo uma febre insistente que ninguém conseguiu esfriar. _ Farei o que está me pedindo. Hoje mesmo embarco para a Itália. - Aviso, trincando os meus dentes e o maxilar. O problema dos Greccos virá de bandeja para minhas mãos. _ Estarei lá, hijo( filho), até breve. - ouço e encerro a ligação. Solto o celular no colchão sem ter a menor noção de como será essa nossa convivência. Pelo que me chega nos relatórios mensais, está salientado o ódio que a garota sente por mim. Dou um sorriso frio, com meus olhos espetando o ar. Esfrego minhas mãos em meu rosto, não querendo acreditar que a minha rotina, metodicamente organizada, vai sofrer um abalo. "p**a que pariu! p**a que pariu! Que p***a de pai é esse que não consegue controlar a p***a da filha?!" - brado mentalmente.
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