SANDRA NARRANDO Quando o telefone tocou, eu já sabia. Antes mesmo de atender, antes mesmo de ouvir a voz do Piloto do outro lado, meu coração já tinha acelerado num compasso errado. Eu tava na sala, com o Cauã deitado no meu colo, dormindo com aquele suspiro sereno que só criança pequena tem. E no fundo… no fundo, eu soube. — Dona Sandra… é o Marcos. Ele levou um tiro. Tá no posto. Vem rápido. Foi só isso! Não me disseram se ele tava vivo. Não me disseram se ele tava consciente. Só jogaram a bomba no meu colo e desligaram. O Cauã acordou com meu grito. E no segundo seguinte, eu já tava de pé, com ele nos braços, saindo de casa descalça, sem nem lembrar onde deixei o chinelo. Saí no meio da rua, com o coração disparando, a respiração curta, e os olhos procurando alguém pra me ajudar, p

