BRUNA NARRANDO Eu não conseguia parar de tremer. Minhas pernas pareciam não me sustentar, e ao mesmo tempo, não me deixavam cair. Era como se o próprio corpo se recusasse a me dar algum alívio. E ali, sentada naquele banco duro de corredor, eu só queria desabar. Meu pai… meu pai tava lá dentro, entre a vida e a morte. E eu aqui fora, me sentindo uma filha ausente. Uma filha falha. Uma filha que passou tempo demais discutindo, batendo de frente, achando que ele era indestrutível. E agora… agora ele tava ligado a fios, respirando por um tubo, lutando contra a própria morte. E eu só conseguia chorar. Não era choro bonito, desses de novela. Era feio. Era soluçado, com o nariz entupido, a garganta arranhando, a alma gritando por dentro. A cada segundo que passava, parecia que uma parte de

