MANU NARRANDO O grito da enfermeira rasgou o corredor como se fosse um tiro. — PAROU! ELE TÁ PARANDO! Eu não pensei. Só corri. O jaleco ainda grudado no corpo, as luvas meio m*l colocadas, o rosto suado da última etapa da cirurgia. O coração batendo tão rápido que parecia querer sair do meu peito. Quando empurrei a porta da sala, o tempo desacelerou. O corpo dele tava ali estendido com a cabeça enfaixada, o peito descoberto, os eletrodos colados na pele suja de sangue seco. Um dos médicos já tava em cima do Coroa, começando a compressão torácica com a precisão de quem sabia que cada segundo valia uma vida. O bip do monitor já era uma linha reta, fria, impiedosa. Eu senti minhas pernas fraquejarem, mas respirei fundo. “Você é médica. Você é médica. Você é médica.” Era isso que eu rep

