MT NARRANDO A sacola tava no chão aberta e rasgada de tanto que os cara puxaram no desespero pra achar o que precisava. Pacote de dinheiro voado. Nota de cem molhada de suor, de sangue, de lágrima. Cédula de cinquenta dobrada no canto, amassada, com cheiro de pólvora. Era dinheiro do crime, do sangue, da p***a toda. Mas naquela hora era dinheiro de filho. E eu catei cada nota, um por um sem olhar pro lado. Sem me importar com ninguém ali. A enfermeira passou empurrando o carrinho. A Sandra soluçava no colo da Flávia. A Bruna tava agarrada no Lucas como se o mundo tivesse acabado. Mas eu só via o chão. Só via o saco. Só via o peso daquela sacola. Daquele monte de papel que, se não valesse vida, não valia p***a nenhuma. — Quanto deu? — gritei, com a voz seca. O médico olhou pra planilh

