MT narrando Chegamos em casa num silêncio bom. Daquele que não incomoda, não pesa, não sufoca. Era o silêncio de quem já falou tudo com o corpo e não precisava mais provar nada com palavra. Abri o portão com o controle, o farol iluminou a fachada da casa e ela suspirou do meu lado, como se o ar finalmente tivesse voltado pro peito. Parei o carro devagar, puxei o freio, desliguei o motor e fiquei ali só olhando pra frente por dois segundos. Respiração lenta. Mente a mil. Ela abriu a porta, saiu primeiro e eu fui atrás. A chave girou na mão, o trinco fez aquele barulhinho de casa velha, e quando entrei, senti aquele cheiro que só a minha casa tem: maconha e perfume. Fechei a porta com calma e me joguei no sofá. Soltei as armas na mesinha de canto, tirei o cordão grosso do pescoço e a

