Ele cruzou os braços, ainda de pé na cabeceira da mesa. — “Agora você vai me explicar, com todas as letras: o que caralhos aconteceu entre você e Ramon Viana?” Suspirei, entediada, irritada, com vergonha de tudo — menos de mim. — “No começo, tudo tava indo bem. Ele tava receptivo, elegante, atencioso. Dançamos, conversamos. Eu tava conquistando ele.” Augusto assentiu lentamente, sem interromper. — “Continue.” — “Aí... eu comentei uma coisa. Uma bobagem, na real. Sobre como alguns eventos ficam forçados com essa obsessão de enfiar n***o em tudo. Falei que diversidade virou fetiche de rico tentando parecer progressista.” Ele não se mexeu. O silêncio ficou pesado. Tóxico. — “E então?” — ele perguntou, seco. — “Então ele parou de sorrir. Ficou sério. Mudou completamente. Me olhou da

