Bruno já tava apagado, respirando curtinho, mão pequena grudada na minha. Larguei devagar, ajeitei a coberta até o queixo do moleque — pronto, nenhum monstro ousa passar dessa porta. Levantei sem fazer barulho, peguei o notebook e encostei na janela. A tela piscava com os arquivos que o Tatu me deu: áudio do juiz mandando sumir com “o bastardo” e vídeo da deputada gemendo verdades. Bruno apagado, quarto inteiro respirando quente. Eu num canto, costas na parede, luz do notebook refletindo na Glock. 1. O ÁUDIO DO TOGADO Dou play outra vez só pra sentir a bile subir: > “A criança é um erro. Some com o bastardo. Sem rastro.” Gravei filtro de data 2005, botei ruído de fita velha, carimbo de cartório clonado. Assino arquivo “laudo_órfão_final.MP3”. Jogada: cair na caixa de e-mail de

