– A MARCA QUE NÃO SAI Narrado por Priscila Eu tinha dezessete. E aquele era o último dia em que andei pela viela de cabeça erguida. Era noite de sexta. Baile rolando no campo. A quebrada acesa. Eu só queria comprar um refri. Não vi quando ele se aproximou. Só senti a mão grossa no meu braço e o bafo de cachaça misturado com raiva no meu pescoço. — “Vem cá, princesa. Vem aprender o que é ser do morro.” Me puxou com força. Me jogou contra a parede atrás do barraco dos fundos. O chão era de terra. O silêncio era cúmplice. Ele usava a camisa da boca. Corrente grossa no pescoço. O mesmo filho da p**a que fazia segurança pro ponto. — “Não grita. Ou morre.” Eu não gritei. Congelada. Paralisada. O cérebro desligou. O corpo virou estátua. A bermuda arrancada. A pele rasgada. As mãos me

